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HISTORIA DA LITTERATURA PORTUGUEZA

EDIÇÃO INTEGRAL

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1 Introducção e Theoria da Historia da Littera

tura portugueza Trovadores portuguezes Amadis de Gaula.

Poetas palacianos
5 Os Historiadores portuguezes (Inedito)

Bernardim Ribeiro e o Bucolismo
Novellas de Cavalleria e Pastoraes (Inedito)

Gil Vicente e as origens do Theatro nacional
8-A Gil Vicente, sua Eschola e desenvolvimento do

Theatro nacional.

Så de Miranda e a Eschola italiana 10 Ferreira e a Pleiada portugueza. 11 A Comedia e a Tragedia classicas 12 Vida de Camões. 13 Lyricos camonianos. 14 Epopêas historicas 15 Bibliographia camoniana 16 Os Culteranistas (Inedito) 17 Epicos seiscentistas (Inedito) 18 As Tragicomedias dos Jesuitas 19 A Arcadia de Lisboa (Inedito) 20 Dissidentes da Arcadia (Inedito). 21 A baixa Comedia e a Opera 22

Bocage, vida e época litteraria 23 José Agostinho de Macedo (Inedito) 24 Garrett e o Romantismo. 25 Os Dramas romanticos 26 Alexandre Herculano 27 Castilho e os Ultra-Romanticos 28 João de Deus e o moderno Lyrismo (Inedito). 29 A Eschola de Coimbra 30-31 Recapitulação da Historia da Litt. portugueza

Indice geral analytico (Inedito).

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N. B. N'esta reedição continua-se de preferencia pelos volumes a refundir, e especialmente pelos que estão ainda ineditos.

ESCHOLA

DE

GIL VICENTE

E

DESENVOLVIMENTO DO THEATRO NACIONAL

POR

THEOPHILO BRAGA

PORTO
LIVRARIA CHARDRON

Casa editora
SUCCESSORES LELLO & IRMÃO

1898

Todos os direitos reservados.

Garcia
8448
Spamah
5-2-1923

Porto - Imprensa Moderna II

Eschola de Gil Vicente

Os elementos tradicionaes e populares do theatro portuguez a que Gil Vicente deu fórma litteraria, foram a primeira condição para a estabilidade da sua obra; porém, como um genio synthetico, comprehendendo a transição da Edade média para a Renascença, amando e servindo o futuro sem renegar o passado, essa obra tornou-se a expressão das necessidades moraes da sociedade portugueza, encantou os espiritos pela sua belleza artistica, exerceu uma influencia profunda no successivo desenvolvimento da Litteratura dramatica. Pelo seu aspecto e espontaneidade popular, ou propriamente pelo caracter medieval, a obra de Gil Vicente tinha de ser mal considerada entre os propugnadores da cultura classica; pela livre critica dos protestos da consciencia, a reacção catholica tinha de combatel-a e de procurar extinguir o seu

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influxo. Mas a estas duas causas deprimentes que actuaram durante o seculo XVI, por meio das comedias terencianas, e por anathemas e deturpações da censura ecclesiastica nos Indices expurgatorios, seguiu-se o perstigio absorvente das Comedias hespanholas de Capa y espada no seculo XVII, perstigio a que não resistiram as litteraturas franceza, italiana e ingleza; e no seculo XVIII preponderou a fórma syncretica da baixa comedia. A obra de Gil Vicente manteve-se inabalavel na sympathia popular e no gosto litterario, sendo representada e sendo imitada, apesar das transformações do meio social e das novas correntes artisticas. Porque resistiu a obra que parecia destinada a morrer com o poeta? Só poderá explicar-se este phenomeno, na impressão que produzia, pela influencia que exerceu, emfim na Eschola que através de todas essas influencias extranhas manteve as fórmas litterarias do nosso theatro nacional.

Nas terras aonde Gil Vicente representou, ahi deixava os germens estheticos que iam fecundar as vocações dramaticas. Representou bastantes vezes em Evora, a capital da erudição portugueza no seculo XVI, aonde se celebraram as festas mais opulentas da corte e os poetas palacianos rifavam e apodavam com chiste. Foi ahi n'esse centro humanista, em que se inventavam inscripções romanas, que procuraram bater Gil Vicente com armas eguaes, soprando o creado do Bispo de Evora, o mulato Affonso Alvares, que dava fórma de Auto dramatico ás narrativas da Legenda Aurea. O genio ficou incolume; a nova fórma dramatica fascinava a mocidade, e um

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