Pagina-afbeeldingen
PDF
ePub

O facto é que choques analogos tem sido notados em varios pontos do Brasil e, ultimamente, na redondeza da capital da Bahia.

E' difficil, sem cuidadoso estudo geologico da zona epicentral, emittir opinião relativa á causa desses pequenos scismos. Tendo consultado acatada autoridade em relação aos terremotos bahianos, eis o que me respondeu o meu illustrado amigo dr. Luiz Gonzaga de Campos, chefe do serviço geologico e meteorologico.

Na zona apontada existe uma bacia bacia fechada para formações antiquissimas e perfeitamente consolidada.

Dentro desta bacia, formaram-se nelo desapparecimento das aguas, depositos de argilla que constituiram camadas de shistos, primitivamente horisontaes, as quaes, com o tempo, vão abatendo e "murchando", conforme a palavra exacta do dr. Luiz Gonzaga. Nesse movimento, as camadas vão escorregando de encontro ás paredes de rochas primitivas, produzindo dessa maneira os abalos observados.

Quer me parecer ser applicavel a Caruaru' a mesma explicacão, pois, o autor da memoria sobre o movimento sismico em questão diz. na sua concisa descripcão geologica do terreno: "A sua formação geologica é quasi toda de granito com afloramento tambem de gneiss e de shistos."

Em todo o caso, o facto merece ser estudado, e logo que me seja possivel, mandarei, juntamente. com um geologo destacado pelo dr. Luiz Gonzaga, um especialista em terremotos para syndicar da maneira mais completa do que houve e do que é licito

esperar.

Aproveito o ensejo para apresentar-vos a expressão de meus sentimentos de elevada consideração, H. Morize,"

Origens de algumas praças e ruas do Recife

PRAÇA DA INDEPENDENCIA

1756

MARCO 18 Por deliberação do governador Luiz Diogo Lobo da Silva em junta convocada e reunida neste dia, foi a praça da Polé destinada ao mercado de farinha, cereaes e legumes, até o meio dia, podendo então os vendedores sahirem com as suas mercadorias a vendel-as pelas ruas da villa, impondo-se aos contraventores a pena de vinte dias de prisão e perda dos generos.

A praca da Polé, a futura praca da Independencia, vinha do traçado da cidade Mauricia, grande, de quatro faces, e com seis largas passagens para as ruas, que em rumos diversos, constituiam aquelle burgo hollandez. Era a sua praça do mercado.

Depois da evacuação dos hollandezes em 1654, permaneceu a praça ainda por muito tempo, guardando os seus primitivos moldes de extensão e largura, uniformemente iguaes, até que teve de ceder alguma cousa a novas construcções, que d'est'arte reduziram-na exactamente ao espaço com que ficou depois da demolição dos predios, que uniformemen

THE LIBRARY
THE UNIVERSITY

OF TEXAS

Rev. do Inst. Arch. Hist. e Geog. Pern. 13

te se construiram avançando um pouco ás antigas construcções e ainda mais reduzindo a sua area.

Nessa segundo phase recebeu a denominação de Praça da Polé, pelo facto de se erguer ahi o poste de supplicio da polé, transferido do bairro do Recife em principios do seculo XVIII.

Por esse tempo havia no centro da praça um poço ou cacimba, que a municipalidade mandára' abrir para servidão publica, e junto a qual se levantava o alto poste da polé, que assim servia de nóra para a extracção d'agua.

Por muitos annos permaneceu a polé nesta praca, até que foi removida para outro local. em epocha porem desconhecida. Entretanto já não estava alli em 1763, como se vê de um documento da epocha, um recibo do pagamento de fóros do terreno de um predio situado no Largo da Polé velha, que vai para o Rosario. Naquelle anno, um dos predios da praca, pertencente aos padres jesuitas, rendia o aluguel de quatro patacas por mez.

Resolvendo o laborioso governador d. Thomaz José de Mello, entre os varios melhoramentos que emprehendeu e executou, dotar a praça do Recife com um mercado publico, insinuou á Camara municipal que providenciasse sobre o assumpto, indicando elle como local mais apropriado á semelhante fim a praça da Polé; e como a municipalidade. não dispunha dos meios necessarios á realização do projecto, baixou uma portaria em 18 de Janeiro de 1788 ordenando ao thesoureiro das multas impostas em beneficio do hospital dos Lazaros, que emprestasse á camara a quantia de 804$426 que tinha em seu poder, ao premio de quatro por cento ao anno e mediante escriptura de obrigação firmada pela

mesma camara.

Com semelhante recurso começaram logo os trabalhos, sob a direcção do ouvidor geral dr. Antonio Xavier de Moraes Teixeira Homem, findos os quaes

1061733

teve logar a inauguração da praça no dia 21 de setembro do mesmo anno, e festivamente celebrada, com assistencia da camara, do governador d. Thomaz José de Mello, do bispo diocesano d. frei Diogo de Jesus Jardim, do dr. juiz corregedor e de outras pessoas gradas, como tudo consta do respectivo termo.

A nova praça, formando um trapesio irregular, cuja maior largura ficava para o lado occidental, era formada por sessenta e duas casinhas, uniformemente construidas, com um alpendre corrido, que descançava sobre uma arcaria, correspondendo cada arco a uma casinha.

Assim regularmente construida a praça, ficou mesmo com certa elegancia, para o tempo, desappareceu a cacimba que ficava ao centro, porém perdeu muito da sua primitiva area, não somente pela construcção dos seus edificios, como porque deixaram aos lados duas travessas: uma ao sul, a que o vulgo deu o nome de becco do Peixe Frito, e outra ao norte, que ficou conhecida por becco da Polé, e depois por travessa das Cruzes por partir da rua deste nome, e que encorporada com a do Queimado, em 1870, constituem uma só rua com a extranha denominação de Duque de Caxias.

As casinhas da praça foram todas alugadas para estabelecimentos commerciaes e quitandas, assegurando desde logo uma renda annual da 900$000, de modo que, a municipalidade não sómente desempenhou-se logo do seu compromisso, como ficou dahi por diante com uma nova fonte de renda para fazer face aos seus encargos.

No dia 3 de janeiro de 1789 teve logar a primeira feira da nova praça, como consta de um Bando do governador d. Thomaz, no qual ordenava que, daquelle dia por diante. tivesse logar na praça a venda dos generos de primeira necessidade então mui escassos e de subido preço pelo flagello de uma grande secca que desde annos assolava em Pernam

buco, impondo elle no referido Bando, entre outras penas, a de 108000 pagos na cadeia, a todo aquelle que fosse descoberto vendendo ou comprando fóra da praça.

A braços com essa calamidade publica, tomou ainda d. Thomaz outras medidas, como refere um nosso chronista, no sentido de obstar o monopolio que faziam da farinha de mandioca, desalmados especuladores, que, dominados pela ganancia do lucro, não se davam de traficar com a miseria publica. A estes mandou d. Thomaz recolher á cadeia carregal-os de ferros, sendo-lhes tomada e vendida a farinha que tinham em deposito, cujo producto ordenou que fosse applicado ao hospital dos Lazaros.

Com semelhantes medidas. não só a farinha apprehendida, como a pouca que concorria ao mercado, era vendida na praça da Polé, e a ninguem era dado vender mais de um selamim, despachando-se, porém, de preferencia os pobres.

Quando havia farinha a vender-se no mercado da praça, soltava-se um foguete do ar, que servia como que de annuncio de começo da sua venda; e por esse facto, denominou o povo a farinha, que se vendia assim annunciada, por farinha de foguete.

Desabando em 1815 a ponte do Recife, sobre a qual existiam duas ordens lateraes de casinhas occupadas por mercadores de quinquilharias e outros objectos, alem dos prejuizos causados por semelhante catastrophe, viam-se elles privados de continuar com o seu negocio á falta de alojamento para a installação de novos estabelecimentos.

A camara municipal, porém, tendo em vista remediar essa difficuldade, resolveu dar uma nova forma á praça da Polé, proporcionando-lhe maiores accomodações para estabelecimentos commerciaes, e mesmo com um certo cunho de elegancia, mediante um emprestimo da quantia necessaria proporcionada pelos prejudicados lojistas da ponte, com a garantia de conceder-lhes não somente as novas cá

« VorigeDoorgaan »