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Quem não ama Olinda,

Não a viu ainda.

araso parodiando estes outros dos ardorosos sevilha

nos:

Quem não viu Sevilha

Não viu maravilha.

Goncalves Dias, em vez de Marim, ou Mirim, escreve Mari, no seu Diccionario da lingua Tupy, accrescentando que é o nome indigena de Olinda.

Theodoro de Sampaio, emfim, na sua excellente monographia. O Tupi na geographia nacional, csereve Marim, "corruptela de mairy, a cidade, a grande ponulacão, nome dado pelos indios aos povoados grandes, como os curoneus edificaram, de certo, depois que os francezes. Mair, começaram a frequentar a costa do Brasil, e se estabeleceram em algumas paries della. pois que o vocabulo mairy parece proceder de mair-reya, reunião ou multidão de fran

cezes.

Eis ahi, nos seus pontos cardeaes o que se póde colher sobre o tradicional nome de Marim, da nossa antiga metrópole, que apezar da imposição de um outro, não o perdeu de todo; e ainda hoje, no desdobramento de quarto longos seculos, é repetido e registrado, e particular e vulgarmente. cm em escriptos litterarios, em prosa e versos, vindo estes do nosso antigo poeta Antonio Joaquim de Mello, que no seu Idyllio Itaé, canla

A guerreira Marim sugeita aos Lusos,
e na sua Cantata, Os Cahetés, começa:
Já de Marim soberba sobre o cume
Do invasor Luso assoma a fortaleza.

Pereira da Costa.

(Dos Annais pernambucanos)

:

Documentos para a historia da revolução de 1824.

O Instituto archeologico possue importantissima collecção de documentos autographos sobre a Confederação do Equador, os quaes pertenceram ao coronel José de Barros Falcão de Lacerda, de quem existe tambem o rascunho de uma historia sobre esse importante movimento ainda não apreciado devidamente, e um Diario chronologico da mesma revolucão.

Para que se faça idéa do caracter do commandante das armas revolucionarias, transcrevemos a carta autographa que lhe dirigio o chefe do bloqueio do Recife e a resposta que lhe deu o altivo pernamnambucano:

"Illmo. Exm. Sr.

Desejando mostrar a V. Exa. o quanto preso a amisade e estima de V. Exa.. vou procurar fazerThe ver o quanto desejo empregar-me em o seu ser

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viço: pelo que attendendo ás circumstancias, tenho a honra de offerecer a V. Exa. todo o meu prestimo e fasendo: rogando-lhe juntamente que se V. Exa. já ou qualquer occasião julgar necessario retirar sua Exma. Familia do seio desses Perturbadores; eu terei sumo praser em a receber a meo bordo, no que ferei muita honra: protestando a V. Exa. que aqui será tratada com todo o respeito, de que hé merecedora por sua especial qualidade.

E por esta occasião tenho o gosto de offerecerThe tudo quanto V. Exa. deseje, e eu tenha; no que mostrarei o muito que preso o confessar-me

De V. Exa.

Muito Attento Vndor Obg e fiel servo

Lameirão 22 de Abril de 1824."

"Illm. Exm: Sr.

João Taylor

Accuso a recepção da estimavel carta de V. Exa. de 22 do corrente, em que V. Exa. manifesta os puros sentimentos que animão o seu coração a mco respeito, offertando todo o seu prestimo e fazendo a minha disposição e juntamente a bordo das fragatas de seu commando, para eu nelle recolher (caso eu ache conveniente) minha familia afim de a retirar do seio dos Perturbadores; e como eu conheça que taes offerecimentos são sinceros e effeitos unicamente da generosa e bemfazeja alma de V. Exa. passo a ter a honra de o fazer certo de minha gratidão para com V. Exa. que tantas provas me ha dado de quanto se me deseja prestar, sentindo entretanto não poder utilizar-me de tão obsequiosos offerecimentos: porquanto se espiritos desorganizadores perturbarem esta Praça, que presentemente existe na mais perfeita tranquilidade não seria preciso della retirar minha familia pela boa opinião

que felizmente goso cntre, meus concidadãos, pelo acatamento que sempre conservarão á minha casa, por isso que nos meos trabalhos me portei sempre com honra e dignidade proprias do meo caracter, quanto mais hoje que os Pernambucanos, convencidos do meo amor pela Patria me respeitam como General e Deffensor dos seos direitos e me amão cordialmente como seu verdadeiro amigo.

Hé pois dever meo não exitar em conservar entre elles minha familia, cm penhor da amisade e confiança que lhes tenho, não julgando muito honroso duvidar da proverbial e generosidade de hum Povo que me tem acumulado de honras e de bencãos: os Pernambucanos obedecem a Lei e esta torna sagrada a casa do cidadão.

Desejo que a V. Exa. assista a melhor saude, acompanhada de venturas.

Acredite V. Exa. na minha sincera amisade e nos protestos da maior consideração e respeito que repito a V. Exa. lhe consagra o

De V. Exa. Mto. atencioso Venerador e obrgo. servo Recife 23 de Abril de 1824 José de Barros Falcão de Lacerda.

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Tambem as cartas abaixo, escriptas na mesma, epoca por um official da esquadra bloqueadora parente e intimo de José de Barros poem em destaque a fortaleza de animo deste digno pernambucano que é uma das figuras de maior relevo de nossa historia no seculo XIX:

"Amigo de coração.

Que hé isto? assim corre a. sua ruina? assim. concorre involuntariamente para submerger sua patria nos males da guerra civil? V. que hé a só Authoridade legitima dessa Provincia não ousa opporse ás arbitrariedades de hum governo illegitimo, as mais escandalosas arbitrariedades?

Vão seus officiaes fazer prisoenz. nocturnas a. cidadãos probos; e expulsão-se funccionarios publi̟

cos empregados por S. M. I.?! são elles exactos observadores das ordens que emanão de sua 'Authoridade, ou já esses officiaes não conhecem a subordinação; não tem obediencia? No primeiro caso, como é possivel que perdidos repentinamente seus estimulos de brio, queira V. ser o Ajudante d'Ordens de Manuel de Carvalho e no segundo que fraquesa não é a sua, que pusilanimidade! não tem v. coragem para tomar a unica resolução que deve: que é o recusar-se inteiramente a requisições iniquas, e cuja responsabilidade cahe toda sobre seus hombros, porque eu sei de muitos officiaes que teem protestado obedecer-lhe somente como o governador nomeado por S. M. I.

Oh meu caro Barros ainda não é tarde para remediar tamanhos males: os soldados são obedientes, os officiaes honrados, a maioria do povo não reconhece nem quer outras authoridades senão as de nomeação de S. M. I. Vôe a seus deveres. Salve essa Provincia, isto está nas suas mãos. Sua mulher, seus filhos sirvão-lhe de estimulo para assim obrar e creia que estas expreçoens são filhas de minha amisade a v..e a minha Patria.

V., sabe do meu desinteresse pela causa propria, do meu amor pelos meus patricios e para minha Patria. por quem me tenho sacrificado sempre: não correrei atraz de hua auimera; a Independencia, a Constituição e a Integridade do Imperio do Brasil são os bens reaes a que aspiro; e que lhe lembro são os unicos que devem interessar os brasileiros e que infeliz sou se estas minhas expreçõens desarmonisão com os seus sentimentos mas eu espero que v. concorrerá por que tudo acaba em bem; e me recordo que assim m'o prometteu.

Vou me fazendo fastidioso, mas não posso dei- . xar de accrescentar ainda uma reflexão: diga-me charo amigo leo v. já o projecto offerecido? sabe que o tinhão lido esses que recusam jurar; e que o entendão? ah quão faceis somos de nos deixar en

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