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ARGUMENTO DO CANTO QUINTO

Prosegue o Lobo Maricas na relação da sua viagem, e descreve ao Grande Drimaco as palhaçadas que tem lugar no dia da inauguração da Cavallariça principal da Lysia; os diversos pontos que tocaram, e gentes que viram; caso do English: fabula do Ferreo Carril: continuação da viagem até ao encontro do Chefe dos Furta-Cores, em que dá fim a pratica e estabelecida a paz, e uma verdadeira amisade entre o Lobo e aquelle patife.

OUTRO ARGUMENTO

Relata o Lobo anão ao pai valente
Sua viagem longa, e incerta via,
Os covis onde mora a porca gente,
E de certo bozofio a ousadia:
Como o Ferreo Carril vio, obra ingente,
Que um dos filhos da terra se dizia,
E as cousas que passou até seu porto,
Onde repouso achou e são conforto.

CANTO QUINTO

I

«Estas sentenças taes o velho honrado
Vociferando estava, eis que saímos
Dos coches, e com rosto aparvalhado
Para estes casarões nos dirigimos:
E como é entre nós costume usado
Mostrando ao povo um trapo, o ceo ferimos,

Dizendo: papagaio meu real,

Cantaremos por ti em Portugal!

II

«Entrava n'este tempo, o eterno lume
No Signo feminino quisilento;

E o mundo, que co'o tempo se consume,
Na sexta idade andava pachorrento:
N'ella vê, como tinha por costume,

Cursos do Sol dezoito vezes cento,

Com mais sessenta e trez, em que corria, Quando teve logar esta folia.

III

«Já essa obra de chapa se descerra,
Com que os lusos antigos se enganavam;
Gritam logo os paspalhos d'esta terra,
Que de o cumprir á risca assi juravam.
Depois d'isto a sessão magna se encerra,
Na qual todos garridos se mostravam,
E cada um para casa partiu logo
Seus calculos fazendo para o jogo.

IV

«Assi fomos abrindo aquelles mares Como inda gente alguma os não abriu, As novas caras vendo, e os novos ares Dos bracos que o grão Nuno descobriu: De Tranquibernia as fontes e os lugares, Que Francisco n'um tempo possuiu, Estudando, e chamando ao nosso posto Quem tinha typo de roubar com gosto.

V

«Passamos a tratar da obra primeira,
Que resposta ao discurso aqui se chama;
Cousa inutil, mixordia corriqueira,
Que já perdeu de todo a pouca fama:
Mas nem por ser perfeita borracheira
Se lhe avantajam quantas Carlos ama;
Antes, sendo esta sua, se esquecêra
Dos chinfrins relatorios que fizera.

VI

«Deixámos do Bem luso a esteril costa,
Onde inda alguns pobres diabos pastam;
Gente que os interesses jámais gosta,
Nem os meios, coitada, bem lhe abastam:
A cousa a nenhum fructo emfim disposta,
Onde os tolos a vida inteira gastam,
Padecendo de tudo extrema inopia,
Que já não tem de amigos grande copia.

VII

«Passámos o limite aonde chega
Todo o malvado que esta terra cria;
Que pai, religião, e patria nega,
Que dá facadas por qualquer quantia.
A lusa gente toda estava cega

De raiva; mas que importa, se a maquia
Que de tão bello passo resultou,

P'ra ricas fardas deu... e sobejou!

VIII

<«<Passadas tendo do Orçamento as ilhas,
Que tambem da Pinoia são chamadas,
Entrámos navegando pelas filhas
Dos malucos, Reformas nomeiadas;
Partes por onde novas maravilhas
Andaram vendo já bestas quadradas;
Alli tomamos porto com bom vento,
Por tomarmos da terra mantimento.

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