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SONETO Á SEPULTURA DE LUIZ DE CAMÕES

TIRADO DE VERSOS DAS SUAS RIMAS

POR JOÃO GOMES DO PEGO

Debaxo desta pedra esta metido

Hum varão sapiente, em quem Thalia,
Nos versos saudosos que escrevia,

Alegra o mundo todo entristecido.
Sempre será famoso, e conhecido:

Que ao juizo das gentes merecia
Da fama eterna, ter perpetuo dia,

Que ja por exercicio lhe he devido.
Musica com voz alta, e mui subida,

Copioso exemplario para a gente,

Onde sua fineza mais se apura.
Huma memoria nova e nunca ouvida,

Hum peito magoado, e descontente,
Jazem debaixo desta sepultura.

SONETO

DE UM AMIGO

Quem he este que na harpa Lusitana,

Abate as Musas Gregas e Latinas?
E faz que ao mundo esqueção as plautinas

Graças, com graça, e alegre lyra ufana?
Luis de Camões he, que a soberana

Potencia lhe influio partes divinas,
Por quem espiram as flores e boninas,

Da Homerica Musa, e Mantuana.
Se tu triumphante Roma este alcançáras

No teu theatro, e scena luminosa,

Nunca do gran Terencio te admiráras,
Mas antes sem contraste, curiosa

Estatua d'ouro ali lhe levantáras.
Contente de ventura tam ditosa.

TRADUCÇÕES

DOS

LUSIADAS E OUTRAS OBRAS

DE

CAMÕES

E

RELAÇÃO DOS AUCTORES ESTRANGEIROS

QUE ESCREVERAM SOBRE O POETA

Me Colchus, et qui dissimulat melum

Marsæ Cohortis Dacus, et ultimi
Noscent Geloni: me peritus
Discet Iber, Rhodanique polor.

(Horat. lib. 11, ode xx.)

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TRADUCÇÃO HEBRAICA

MOISÉS CHAIM LUZATTO

TRADUCÇÃO HEBRAICA DOS LUSIADAS DE CAMÕES POR LUZATTO

A primeira parte onde encontramos a noticia de uma traducção hebraica dos Lusiadas é em uma nota da traducção ingleza d'este Poema por Mickle, dizendo que o traductor hebraico fallecêra na Terra Santa. a It is translated also in Hebrew, with great elegance and spirit, by one Luzatto, a learned and ingenious Jew, author of several poems in that language, and who about thirty years ago died in the Holy land. » O sabio allemão Mr. Franz Delitzch no seu Ensaio (Leipzig, 1836) sobre a historia da poesia judaica, desde a Sagrada Escriplura até os nossos dias, fazendo menção da familia distincta dos Luzattos se recorda ter lido em umas observações sobre Portugal por Ruders, que Luzatto tinha traduzido os Lusiadas de Camões em estancias hebraicas. Se este Luzatto foi o doutor em medicina estabelecido em Londres no seculo passado, seria Efraim; mas Efraim Luzatto, conforme a historia dos judeus por Sost, não morreu em Jerusalem, mas sim em Lauzana. Existia pela mesma epocha outro sabio e poeta d'esta mesma familia chamado Moisés Chaim Luzatto, membro da Seita Mystica e Cabalistica do Sabbataismo, e condemnado em consequencia do seu erro pela Synagoga judaica. Este ultimo Luzatto acabou os seus dias em Jerusalem, e por isso, conforme as indicações, deve ser o auctor da citada traducção.

Dirigindo-me directamente, por conselho de Mr. A.bam des Amorée Vander Hoeven, membro e Secretario perpetuo da segunda classe do Instituto dos Paizes Baixos, ao mui distincto hebreu o sabio Samuel David Luzatto, residente em Padua, pedindo-lhe esclarecimentos sobre

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a citada traducção hebraica, e o traductor seu parente, obtive a seguinte resposta:

Monsieur. - Je n'ai aucune connaissance d'une traduction de Camoens en hebreu. Seulement Franz Delitzch dans son ouvrage sur la poésie des Juifs (Zur Geschichte des Judischen poesie. Leipzig, 1836) dit qu'il se souvient avoir lû cette notice dans les lettres de Ruders sur le Portugal. Voilà ses expressions a page 173: «Auch erinere ich wich in Einigen Bemertrungen über Portugall in Briefen von Ruders gelesen zu haben dass Luzatto dei Lusiaden von de Camoens in hebraische stanzen übertrug.»

«Le Médecin Luzatto (dont le frère le médecin Isac Luzatto a épousé une seur de mon père) dans son long séjour à Londres a écrit quelques ouvrages que je n'ai jamais pû voir. L'an 1792 il se mit en voyage pour revenir en Italie, et mourir auprès de sa famille; mais il mourut à Lausane, où il s'était rendu pour consulter le célèbre Tissot. Ce qu'il avait avec lui est resté à une chrétienne qui l'accompagnait, et qui s'en retourna en Angleterre. Je ne manquerai pas d'écrire à un de mes amis, bibliophile hebreu à Londres, auquel la traduction en question, dans le cas qu'elle existe, ne peut pas être inconnue.

a Quant à Moysès Chaim Luzatto de Padoue, mon ami le savant Joseph Almanzi a fait de longues recherches sur tout ce que reste de ses écrits dans cette ville, mais il n'a rien trouvé de la traduction des Lusiades. Moysès Chaim aurait pu avoir entrepris ce travail pendant son séjour à Amsterdam; mais dans cette dernière ville aussi je connais des gens qui ont fait des recherches sur les écrits de Luzatto, et qui n'ont jamais fait mention d'une traduction de Camoens. Je suis bien faché de ne pouvoir vous donner des renseignements plus positifs sur l'ouvrage en question. Si je pourrai découvrir quelques choses là dessus je ne tarderai pas à vous écrire. Agréez, etc. Padoue, 10 août 1851.)

O escriptor hebreu B. da Costa, membro do Instituto Real dos Paizes Baixos, se quiz tambem dar ao trabalho de indagações sobre a já citada traducção, porém até hoje infructuosamente.

B. da Costa é descendente de uma familia hebrea do Porto, que no começo do seculo xvii se refugiou em Amsterdam, em consequencia de perseguição religiosa. No anno de 1820 abraçou a religião catholica de coração, e os seus estudos versam sobre a historia do povo de Israel, principalmente nos seus differentes exilios e dispersão, devendolhe particular interesse a historia da sua antiga patria e da Peninsula, da qual se occupa hoje, e especialmente tratou na obra que publicou

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