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O peixe prateado está seguro

No fundo do ribeiro. Vinham logo
Alegres Guanarís de amavel gesto.
Esta foi de Cacambo a esquadra antiga :
Pennas de côr do ceo trazem vestidas

Com cintas amarellas. E Baldetta
Desvanecido a bella esquadra ordena
No seu jardim* : até o meio a lança
Pintada de vermelho, e a testa e o corpo
Todo cuberto de amarellas plumas;
Pendente a rica espada de Cacambo;
E pelos peitos a travez lançada

Per cima do hombro esquerdo a verde faxa
De donde ao lado apposto a aljava desce.

N'um cavallo da côr da noite escura
Entrou na grande praça derradeiro
Tatú-Guaçú feroz, e vem guiando
Tropel confuso de cavalleria
Que combate desordenamente.

Trazem lanças nas mãos, e lhes defendem
Pelles de monstros os seguros peitos.....

Não faltava

Para se dar princípio á estranha festa

Mais

que Lindoya. Ha muito lhe preparam Todas de brancas pennas revestidas

* Cavallo de Baldetta.

Festões de flores as gentis donzellas.
Cançados de esperar, ao seu retiro
Vão muitos impacientes a buscá-la.
Estes da crespa Tanajura aprendem
Que entrára no jardim triste e chorosa
Sem consentir que alguem a acompanhasse.

Um frio susto corre pelas veias

De Caitutú, que deixa os seus no campo
E a irman per entre as sombras do arvoredo
Busca co'a vista e teme de encontrá-la.

Entram emfim na mais remota e interna
Parte de antigo bosque escuro e negro,
Onde aopé de uma lapa cavernosa
Cobre uma rouca fonte que murmura
Curva latada de jasmins e rosas.
Este logar delicioso e triste,
Cançada de viver, tinha escolhido
Para morrer a misera Lindoya.

La reclinada como que dormia
Na branda relva e nas mimosas flores;
Tinha a face na mão, e a mão no tronco
De um funebre cypreste que espalhava
Melancholica sombra. Mais de perto,
Descobrem que se enrola no seu corpo
Verde serpente, e lhe passeia e cinge
Pescoço e braços; e lhe lambe o seio.

Fogem de a ver assim sobresaltados,
E param cheios de temor ao longe;
E nem se atrevem de chamá-la, e temem
Que desperte assustada e irrite o monstro,
E fuja e apresse no fugir a morte.
Porêm o destro Caitutú, que treme

Do perigo da irman, sem mais demora
Dobrou as pontas do arco, e quiz tres vezes
Soltar o tiro, e vacillou tres vezes
Entre a íra e o temor. Emfim sacode
O arco, e faz voar a aguda setta,
Que toca o peito de Lindoya, e fere
A serpente na testa; e a boca e os dentes
Deixou cravados no vizinho tronco.
Açouta o campo co'a ligeira cauda

O irado monstro, e em tortuosos gyros
Se enrosca no Cypreste e verte involto
Em negro sangue o livido veneno.

Leva nos braços a infeliz Lindoya
O desgraçado irmão que ao despertá-la
Conhece com que dor!— no frio rosto
Os signaes do veneno, e ve ferido
Pelo dente subtil o brando peito.
Os olhos, em que amor reinava um dia,
Cheios de morte, e muda aquella lingua
Que ao surdo vento e aos echos tantas vezes
Contou a larga historia de seus males.

Nos olhos Caitutú não soffre o pranto,
E rompe em profundissimos suspiros,
Lendo na testa da fronteira grutta
De sua mão ja trémula gravado
O alheio crime e à voluntaria morte...
Inda conserva o pallido semblante
Uu não sei quê de magoado e triste
Que os coraões mais duros enternece:
Tanto era bella no seu rosto a morte!

J. BASILIO DA G., Uraguay.

MORTE DE LUIS XVI.

Calaram todos esperando attentos

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que diria Smit, que um pouco abstracto, Baixos os olhos, como quem do rógo

Mal s'approuve, medita so comsigo.

Musa d'Homero, que mendigo e cego
Trocando a um pão cansado versos d'oiro,
Inda assim sette esplendidas cidades
A honra se disputaram do teu berço !
Soccorre, vale a outro, que igual fado,
Porêm não igual merito sentindo,
Em duplicadas trevas mal gorgeia,
Não visto ou escutado; e que, sorvido
Esse trago final, talvez a patria,

Que o ser lh' ha dado, que lh'o deu denegue!
Tu
que da mixta, Grega e Troa insania,
Intestina desorde', e briga externa,
Palpando apenas o complexo fio
Tecer assim soubeste, ora prestando
De Laertes ao filho argentea lingua,
Ora dando ao de Thetis peito d'aço :
Traze aos olhos (aos olhos que so conto)
Da minha retentiva, causa e effeitos
De vertigem maior, maior estrago...

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