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Mais ardente começa a fer fobejo.
O mancebo Peleo

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Que de Neptuno eftava aconfelhado,
Vendo na terra o Ceo

Em tao bella figura trasladado
Mudo hu pouco ficou,

Porque amor logo a falla lhe tirou.'
Em fim, querendo ver

Quem tanto mal de longe the fazia
A vifta foi perder,

Porque de puro amor, amor nao via:
Vio-fe affi cego, e mudo,

Por a força de amor que póde tudo.
Agora fe apparelha

Para a batalha, agora remettendo ;
Agora fe aconfelha

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Agora vai, agora eftá tremendo,
Quando já de Cupido

Com nova fétta o peito vio ferido.
Remette o moço logo

Para onde eftava a chaga fem focego,
E co' o fobejo fogo

Quanto mais perto estava, entao mais cego:
E cego, e co' hum fufpiro,

Na formofa donzella emprega o tiro.
Vingado affi Peleo,

Nafceo defte amorofo ajuntamento
O forte Lariffeo,

Deftruição do Phrygio penfamento,
Que por nao fer ferido

Foi nas aguas Eftygias fubmergido.

ODE XII.

JA' a calma nos deixou

Sem flores as ribeiras deleitofas;

Já de todo feccou

Candidos lirios, rubicundas rofas: Fogem do grave ardor os paffarinhos Para o fombrio amparo de feus ninhos.

Menea os altos freixos

A branda viraçao de quando em quando ; E de entre varios feixos

O líquido cryftal fahe murmurando;
As gottas que das alvas pedras faltam,
O prado, como pérolas, efmaltam.
Da caça já canfada

Bufca a cafta Titanica a efpeffura;
Onde á fombra inclinada

Logre o doce repoufo da verdura :
E fobre o feu cabello ondado, e louro,
Deixe cahir o bofque o feu thefouro.
O Ceo definpedido

Moftrava o lume eterno das Estrellas ;'
E de flores vestido

O campo, brancas, roxas, e amarellas Alegre o bofque tinha, alegre o monte, O prado, o arvoredo, o rio, a fonte. Porém como o menino

Que a Jupiter por a aguia foi levado, No cerco cryftallino

For do amante de Clicie vifitado;

O bofque chorará, chorará a fonte
O rio, o arvoredo, o prado, o monte.
O mar, que agora brando

He das Nereidas candidas cortado,
Logo fe ira moftrando

Todo em crefpas elcumas empolado
O foberbo furor do negro vento
Fará por toda parte movimento.
Lei he da natureza'

Mudar-fe defta forte o tempo leve;
Succeder à belleza

Da Primavera o fructo; a clle a neve;
E tornar outra vez por certo fio
Outono, Inverno, Primavera, Eftio.
Tudo, em fim, faz mudança

Quanto o claro Sol vê, quanto allumíą;
Nao fe acha fegurança

Em tudo quanto alegra o bello dia :
Mudam-fe as condições muda-fe a idade,
A bonança, os eftados, e a vontade.
Sómente a minha imiga

A dura condiçao nunca mudou ;
Para que o Mundo diga

Que nella lei tao certa fe quebrou

Em nao ver-me ella fó fempre efta firme, Ou por fugir de amor, ou por fugir-me, Mas ja foffrivel fora

Que em matar-me ella, fó moftre firmeza, Senaó achára agora

t

Tambem em mi mudada a natureza;

Pois fempre o coraçao tenho turbado,

Sempre de efcuras nuvees rodeado.
Sempre exprimento os fios

Que em contino receo amor me manda;
Sempre os dous caudais rios,

Que em meus olhos abrio quem nos feus anda, Correm, fem chegar nunca o Verao brando, Que tamanha afpereza vá mudando.

O Sol fereno, e puro,

Que no formofo roito refplandece,
Envolto em manto efcuro

Do trifte efquecimento, nao parece;
Deixando em trifte noite a trifte vida,
Que nunca de luz nova he foccorrida.
Porém feja o que for,

Mude-fe por meu damno a natureza ;
Perca a inconftancia amor,

A fortuna inconftante ache firmeza;
Tudo mudavel feja contra mi,
Mas eu firme eftarei no que emprendi.

ཟླ་ ན

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