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do contractante, autor do projecto. A este, sim, é que cabia a obra da separação.

O Sr. Dr. Francisco Scusa affirma que a regularidade da distribuição não é ainda um facto, porque o meu projecto não pode ser mais imperfeito no tocante aos reservatorios metallicos da Cruz do Cos. me e rêde de encanamento distribuidores. São suas palavras.

Pena é que não tivesse denunciado antes essa imperteição de projecto o meu fiscal technico a quem cabe, pelo contracto, essa funcção,

Pena é que só agora, depois de executadas as obras, é que o Snr. Dr. Sousa se lembrasse de dizer que ha imperfeição no trabalho que deixou executar, quando era de seu dever impedir que tal attentado contra a technica e contra as finanças do Municipio se realisasse. Onde o zelo do funccionario que assim procede?! Onde a competencia e seriedade daquelle que devendo corrigir emquanto é tempo e não corrige?! Onde está essa comesinha noção do dever que se esquece na hora opportuna para depois erguer-se tardiamente e ainda com a promessa de se manifestar para depois?!

Voltarei ao assumpto.

De facto, pelo « Diario de Noticias » do dia seguinte, 19, prosegui, tratando do mesmo objecto:

Prometti voltar e volto e voltarei até a elucidação completa desta questão d'agua.

Para mim é uma questão de honra que importa ao meu nome, ao meu credito profissional, á minha dignidade. E' indispensavel que a verdade aqui se restabeleça e que os processos manhosos com que se embahiu o publico bahiano, por tanto tempo, se desvendem, e desappareçam por uma vez, deixando essa questão absolutamente aclarada.

Affirmei e affirmo que a organisação do serviço d'agua, como a mantem o Municipio, não pode ser mais imperfeita do que é. Affirmei que contra isso

representei ao Exmo. Snr. Conselheiro Intendente, uma vez verbalmente e segunda vez por officio de 10 de Janeiro de 1910.

Passo agora a provar o que affirmei, e veja o publico se está ou não nessa organisação pessima do serviço municipal a causa primeira e mais efficiente dos males de que soffre nessa materia de abastecimento d'agua.

A organisação da Secção de Aguas do Municipio é um chaos em que o chefe não toma pé na confusão dos elementos que o cercam.

A assiduidade nessa repartição é uma raridade. Desde o chefe até o ultimo dos seus subordinados, a falta de pontualidade é o que se vê. Rarissimas as excepções.

Não avalia o publico o que custa de paciencia, de resignação e de prudencia, da parte de quem quer que ali vae reclamar uma medida, uma providencia qualquer em materia de serviço.

Affirmo que, por mais de uma vez, diga-se antes constantemente, para se conseguir da Secção de Aguas decisão de papeis que affectam a serviço de prazo certo, como esse do contracto do Saneamento, é mistér postar-se um homem de plantão á porta daquella repartição municipal, horas, dias inteiros, antes que se consiga qualquer cousa do chefe que não apparece.

Perdôe-me o collega Dr. Francisco Sousa que The diga, o exemplo que S. S. dá aos seus subordinados não póde ser mais pernicioso.

O resultado é que quasi todos desertam dos seus postos. O serviço não anda. O publico desespera. As obrigações a cumprir passam a ser tidas como cousas importunas, e os reclamantes são gente a quem se maltrata ou a quem se deve enganar.

As disposições contractuaes não se cumprem. Os trabalhos, que se hão de affectuar a prazo certo, não se fazem por falta desse pessoal que jamais se encontra em seu posto. Medições mensaes, pagamentos mensaes, pedidos urgentes, medidas que exigem

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prompta decisão, tudo se protela de uma maneira lastimavel, tudo se adia indefinidamente.

Quando accossado pelo clamor publico, resultante da demasiada desidia, esses funccionarios, relapsos do dever, appellam então para o recurso, já agora sediço, de tudo attribuirem á Empresa do Saneamento. Não raro, individuos que affluem á repartição a reclamarem providencias contra a falta d'agua, são dali encaminhados velhacadamente para o nosso escriptorio a pedirem-me o que não lhes posso dar, porque nunca esteve em minhas mãos a distribuição d'agua. Tal é o espirito de malignidade, tal a nenhuma seriedade. com que ali se age em serviço tão melindrcso.

Já dirigi serviço d'agua na cidade de S. Paulo por muitos annos. Conheço esse serviço como bem poucos o conhecem, devo aqui dizel-o, porque preciso firmar assim a minha autoridade para julgar e criticar como ora faço.

A distribuição d'agua é um serviço melindroso que exige extremo cuidado; exige muita vigilancia no pessoal que delle se encarrega; requer da parte do chefe muito prestigio, firmado na proficiencia, na pratica, na segurança da sua orientação e, sobre tudo, nos bons exemplos de pontualidade, e de amor ao trabalho. Um chefe que não vem á sua repartição senão depois do meio dia; que não corre os trabalhos em andamento senão raramente; um chefe, com cuja vigilancia, os seus subordinados não contam, é um verdadeiro desastre em serviços desta ordem.

Na repartição de aguas do Municipio, é preciso que o diga, ha entre o pessoal excepções honrosas. Mas os que constituem excepção não são ali bem cotados. Uns são humilhados com medidas disciplinares, por questão de melindres, embora se reconheça a sua notavel proficiencia, o seu capricho no serviço. Outros são obrigados a demittir-se, como o Snr. Dr. Carlos Sousa, que, engenheiro ajudante, tendo mostrado actividade, amor ao trabalho, e conhecimento do serviço que fiscalisou de perto, foi posto á mar

gem pelas questões de melindres, que tão grande mal fazem a essa repartição.

O serviço é pessimo, quer como organisação, quer como funccionamento. Peço ao publico a sua attenção para os factos que vou narrar.

A 27 de Novembro de 1909, entreguei as obras do novo abastecimento d'agua na Bolandeira, após as provas a que a fiscalisação as submetteu.

Um mez depois, a 27 de Dezembro, como me coubesse ainda reponsabilidade por taes obras durante seis mezes, em vista de disposição contractual, fui examinal as para ver como iam nas mãos do Municipio. Voltei indignado. O serviço, daqui distante mais de duas leguas, não tinha chefe, não tinha direcção. As ordens eram transmittidas de longe, e ainda não se havia assentado a linha telephonica.

Os guardas das represas não tinham o que comer e reclamavam providencia. Os filtros estavam sob a direcção de um incompetente, que nunca viu aquillo. As machinas estavam tratadas de uma maneira lastimavel. Ninguem ali se entendia, porque uns não tinham alçada sobre os outros.

Fui pessoalmente, no dia seguinte, em companhia do meu advogado, o Dr. Manoel Rego, levar a minha reclamação ao Exmo. Snr. Dr. Cons. Intendente. Encontrei S. Exa no seu gabinete e presente o Snr. Dr. Francisco Sousa-a quem saudei e fui dizendo: - Estimo encontrar agora o Snr. Doutor, porque o que aqui me traz é precisamente queixar-me do seu serviço ».

E referi com toda a franqueza ao Exmo. Snr. Cons. Intendente o estado lastimavel em que encontrei o serviço da Bolandeira, e, frisando o ponto da incompetencia do individuo que se nomeou para a direcção dos filtros, disse que não só lhe faltava moralidade como tambem era ebrio habitual e o provei.

Interpellado pelo Conselheiro Intendente, o Snr. Dr. Francisco Sousa, chefe do Serviço d'Agua, limitou-se a dizer que não conhecia o homem; que encarregara de sua nomeação ao Snr. Paulo Pereira

Monteiro. Foi então que intervim para dizer, (e S. Ex.a como o Snr. engenheiro devem-se recordar disso):

<< Tanto peior Snr. Doutor, S. S. não pode allienar de si uma responsabilidade tão grande, escusando-se com ignorar a qualidade de pessoal que tem sob as suas ordens. »

Disse-nos então o Exmo. Snr. Cons. Intendente que já havia auctorisado ao Snr. Dr. Francisco Sousa a organisar aquelle serviço, nomeando para dirigil-o o Dr. Carlos Sousa. Retirei-me certo de que essa organisação se faria, mas enganei-me. A cousa ainda lá está como estava, e o Dr. Carlos Sousa demittiu-se.

Decorridos oito dias, deu-se o grave accidente da baixa da Duna Grande, a prova mais frisante da falta de ordem e de organisação de que estou me queixando. Era o dia de Reis, 6 de Janeiro deste anno.

O pessoal da Bolandeira, na forma do costume, mostrou para o que valia.

Arrebentou-se, na tarde desse dia, um tubo da linha adductora, na baixa da Duna, proximo do Curralinho. A's nove horas da noite, o Snr. Domingos Pinnella, morador á Bocca do Rio, de regresso da cidade, dá com o tubo quebrado e com o grande estrago que o fortissimo jorro d'agua produzia no solo arenoso do lugar. Communica o facto aos machinistas, avisando os de suspenderem o funcionamento das bombas. Pois bem, os machinistas não suspenderam. As bombas trabalharam toda a noite até a manhã seguinte, cerca de 7 horas. Abriu-se no logar uma grota enorme. A linha adductora desmanchou-se por uma extensão de uns 12 a 15 metros e cerca de seis grandes tubos tombaram no fundo do precipicio.

Era de mais. O nosso protesto não se fez esperar, e, para tanto, endereçamos ao Exmo. Snr. Conselheiro Iutendente o officio de 10 de Janeiro deste anno, officio que, pela energia da linguagem, só não nos devolveram porque ameaçamos de publical-o immediatamente.

A organisação do serviço d'agua, como se vê, não pode ser mais imperfeita.

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