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Diante de factos, como este. o meu collega Dr. Francisco Sousa ainda duvida da organisação,pessima da repartição a seu cargo?

Prefere S. S., acha de melhor parecer, em vez de corrigir isso, increpar-me de imperfeição nos planos e execução dos trabalhos quando, assim pracedendo, vae certo se ferir nas pontas de um terrivel dilemma?

Quando é que S. S., devia cumprir o seu dever? Quando os trabalhos se inicivam, se executavam ou quando já estão elles concluidos? Aqui agora é que se antepõe inexoravel á S. S., o terrivel dilemma, ferindo numa e noutra das duas pontas aceradas:inepcia ou desidia. Escolha S. S.,

E S. S.. escolheu o que lhe pareceu mais commodo e mais conveniente. Não estranho isso. Muita gente bôa faz assim e... os castores tambem: « Ut vivat castor, sibi testes amputat ipse. >>

Leia o collega o naturalista Plinio para saber essa historia dos castores. E' uma historia interessante.

No dia immediato, 21, prosegui rebatendo os ataques do Cons. Intendente: (2)

Quando em minha carta de 15 do corrente affirmei que o projecto de abastecimento d'agua do meu contracto com o Municipio foi por mim executado, foi provado bom e como tal foi recebido, não disse senão a verdade provada e bem provada.

O projecto por mim elaborado, cuja acceitação por parte do Municipiotanto custou por effeito de interesses espurios que se chocaram, era um projecto facil, de rapida execução e de effeitos promptos si

(2) A 19, o Snr. Dr. Francisco Sousa voltou pelo «<Jornal de Noticias» a defonder-se e redarguir. Procurou amparar-se com O celebre parecer do seu antecessor, o Dr. Epaminondas Torres, por occasião da approvação do projecto de abastecimento d'agua. Resolvi responder ao Dr. Sousa depois do Cons. Carneiro da Rocha, para evitar confusões.

outros fossem os recursos, e sobretudo o apoio moral que no Municipio não encontrei.

Não faltaram, porém, contradictores e estes, infelizmente, da peior especie, isto é, sem a coragem precisa para enfrentarem uma discussão leal e franca. Discursadores de esquina, criticos desapiedados, profissionaes tão pobres de experiencia quão audacioscs no julgar, tudo se ergueu contra a solução de um problema que até ali ninguem soubera dar.

A opposição que se levantou encarniçada contra elle, bafejada pelo despeito, e machiavelicamente instigada por alguem, sahindo do Conselho Municipal para a praça publica, alastrou se entre o povo como um fermento de odio, alarmando tudo, como se a execu. çãɔ de un melhoramento, qual esse do seviço d'agua, importasse num attentado audacioso contra a fortuna publica.

Os animos, assim conduzidos e conturbados, tornaram-se para logo rebeldes e descrentes de um melhoramento que de antemão se desmoralisava.

O engenheiro-contractante passou a ser visto como um reles especulador, apregoando vantagens que ninguem via, desejoso de fazer fortuna até com sacrificio da propria reputação.

O peso da odiosidade chegou a tanto que as proprias autoridades do Municipio se encheram de apprehensões e perderam o animo no impulsionar um melhoramento que, para ser efficiente e gosar de prestigio perante a opinião, carecia de ser rapida e energicamente realisado.

Duvidou-se então de tudo, dos planos do engenheiro, dos recursos naturaes que dizia ter encontrado e da efficacia dos seus processos de trabalho. Duvidou-se do mesmo engenheiro e duvidou-se ainda mais delle porque se calava, affectando uma moderação que não era propria da natureza humana.

Os proprios fiscaes technicos do novo emprehendimento encarregaram-se de um trabalho de sapa, com um odio tão cégo que os levou até os limites da inconsciencia.

Tornaram-se notoriamente inimigos do engenheiro contractante, além de outros motivos que não vem ao caso relatar, por effeito desse prurido doentio de pavonearem uma independencia chocha nos corrilhos dos basbaques ou na roda dos retrogrados apatacados.

A fiscalisação assim entendida e assim praticada tornou-se antes uma perseguição do que o exame assiduo e desprevenido daquilo que a boa justiça e a competencia do examinador ou do fiscal deviam firmar com o sello da probidade verdadeira.

No longo periodo de quatro annos de trabalho foi essa a fiscalisação que me deram. Dos meus fiscaes nesses trabalhos nunca iogrei a verdadeira justiça. Condescendencia nunca lhes mereci, nem della carecia; boa vontade nenhuma.

Aos que me perguntavam, á vista da celeuma que artificiosamente se levantou em torno do saneamento, porque não respondia eu aos ataques e interpellações que se me faziam tão a miúdo, dizia eu então pacientemente:-hei de responder opportunamente, na certeza porém de que a minha defeza ha de importar na accusação do Municipio.

Accuso o Municipio. como o unico causador das perturbações deste malfadado serviço d'aguas. Mal orientado, mal inspirado, o Municipio perdeu desde o começo o seu verdadeiro ponto de vista para enveredar pelo caminho que, a persistir, o levará certo ao abysmo.

O verdadeiro ponto de vista a attingir si o Municipio fosse bem inspirado era, antes de tudo, apressar as obras do abastecimento d'agua, actival-as energi. camente, dessembaraçal-as de todos os obstaculos que se lhes antepuzessem e conseguir assim em menos de quatro annos, um supprimento novo, abundante que o habilitasse a bem servir à população e a perceber desde logo as taxas com que fazer frente aos compromissos que tomou. Longe disso, o Municipic, lamentavelmente desorientado, quiçá guiado por um falso espirito de probidade administrativa, metteu-se a retardar soluções,a duvidar de tudo, a

criar difficuldades, a adiar indefinidamente. Em prova disto basta que se saiba que em approvar plantas e projectos, em levantar embargos e adquirir terrenos, e em decidir sobre a encommenda de materiaes, o Municipio consumiu 22 mezes dos 48 que constituen o praso para a execução das obras!!

A penultima encommenda de materiaes para a Europa levou nove mezes antes de obter uma decisão do Municipio. A ultima, por mim solicitada, ha quasi um anno, ainda não teve decisão; lá está na pasta do Snr. Engenhero fiscal num longo somno, visinho da morte.

A habilidade dos meus fiscaes tem sido esta: protelar, não resolver, sumirem-se, occultarem-se para não ouvirem reclamações.

Para esta gente desabusada não ha contractos que a obriguem, nem direitos a respeitar.

Tudo se confunde, se atropella e se atrapalha, contanto que o empreiteiro soffra, se impaciente, se revolte, para assim fornecer á essa gente o pretexto de uma desforra por uma offensa imaginaria. Toda a arte está em fazer zangar o empreiteiro para se ter o pretexto de o opprimir.

Os fiscaes deste jaez não fazem ou não sabem fazer relatorios. Os seus pareceres, os rarissimos pareceres, são verdadeiros mistiforios, que nada dizem.

Até o presente nenhum desses fiscaes apresentou, ao que consta, ao Municipio, relatorio annual sobre os trabalhos entregues à sua guarda. O juizo que emittem sobre isso, fazem-n'o verbalmente, evitando assim as responsabilidades, ou temendo trahir uma competencia em que se fiam demais os seus superio

res.

Devo fazer aqui uma excepção e esta carece de ser bem assignalada porque, na Bahia, ella pode constituir um modelo. Quero falar do engenheiro José Antonio Rodrigues Vianna, fiscal que foi do serviço de esgotos.

O Dr. Vianna, engenheiro provecto, caracter nobilissimo, com aquella indepedencia e firmeza, proprias

das consciencias puras, e de proficiencia reconhecida, foi o unico dos meus fiscaes que apresentou um rerelatorio sobre os trabalhos technicos entregues á sua fiscalisação. Esse relatorio é, porém, um modelo, que os seus collegas de fiscalisação jamais imitaram.

Para esse profissional que sabe honrar a sua arte, para esse caracter que sabe se impôr pela probidade, pela seriedade e independencia, o contracto é a lei entre os contractantes. Mas, o Dr. Rodrigues Vianna era independente de mais, e em breve faltou dinheiro ao Municipio para pagar-lhe os bons serviços. Demitiu-se.

Eu não peço aos meus fiscaes senão que observem o contracto; não lhes peço senão justiça. Por muitos annos fui fiscal de grandes e importantissimas obras publicas e jamais comprehendi que fiscalisar fosse criar empecilhos, protelar, fugir ás decisões, velhaquear com os empreiteiros para lhes roubar o prazo e os collocar em posição difficil.

Leia, Exmo. Sr. Conselheiro, o que ahi fica e não se agaste; iembre-se que entre esse funccionalismo que não lhe ajuda e de que V. Exa. ja uma vez se queixou em publico, e o empreiteiro que tão desassombradamente se pronuncia e formúla uma accusação como esta, ha logar para a justiça, si, no animo de quem julga, ha a serenidade, a rectidão e o bom desejo de servir á causa publica.

Voltarei ao assumpto para responder a outros topicos do depoimento de V. Exa. publicado na Gazeta do Povo. (3)

(3) O « Diario de Noticias» de 21 de Outubro com o artigo de redação, sob o titulo-A questão d'agua-,faz a critica das explicações do Snr. Cons. Intendente, mormente na parte em que este extranha e me felicita « por ver-me bem recebido e considerado por este «Diario» e regista o facto sem querer perscrutar os motivos que determinaram tão repentina e profunda.» alteração. A redacção redarguiu a isso com energia de cavalheiro.

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