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Paulo; póde, portanto, falar com autoridade materia e com tanto maior desassombro quanto não pretende e não pode pretender aqui as mesmas funcções.

Se V. Exa., como diz, quer tomar providencias tendentes a fazer desapparecer esses erros e irregularidades», faça-o emquanto em tempo, e faça-o... «sem paixões, nem preconceitos, nem prevenções», para poder viver ás claras.

Voltarei ao assumpto para responder ao Dr. Francisco Souza.

IV

Terminada a minha resposta ao depoimento do Exmo. Cons. Intendente, voltei-me a attender ao Snr. Dr. Francisco Souza, cujas publicações ja vinham de dias anteriores:

RESPOSTA AO ILLMO, SR. DR. FRANCISCO SOUZA, DIRECTOR DA SECÇÃO DE AGUAS.

Venho agora dar resposta, por junto, aos tres artigos de S. S., publicados no Jornal de Noticias de 22, 24 e 26 do corrente.

Antes de tudo, uma preliminar.

Declaro que, respondendo a esses artigos, não me levo por paixões, nem me move o desejo de desforço algum. Não discuto aqui a pessoa e sim, os actos do meu contendor. Para mim, pessoalmente, o Snr. Engenheiro Francisco Souza é um cavalheiro distincto, illustrado, possuindo notavel preparo em mathematicas, e gosando de bôa reputação como professor da Escola Polytechnica dessa cidade. S. S. é um jovem com largas esperanças diante de si e não serei eu quem lhe negue aqui o merito real que possue.

Na questão vertente, porèm, o que està em jogo professor. nem o mathematico, è o chefe de um serviço desorganisado e sem meios efficientes de agir para o mistér. Sim, é esse funccionario que aqui combato, certo como estou que, nesta faina, presto um serviço ao Municipio e quiçá á S. S.

mesmo.

Nesta questão d'agua, assumpto do presente debate, S. S. está positivamente desorientado.

Colhido em faltas no exercicio de suas funcções,

pela sua desidia, pelo seu nenhum amor ao serviço, pelo seu pessimo exemplo aos subordinados, e, acima de tudo, pela pouca cu nenhuma attenção que dá ás coisas de sua inteira e exclusiva responsabilidade, S. S. sente-se tolhido e enleiado diante das increpações merecidas que se lhe fazem, e, então, ora arrisca-se a defezas que o levem até á contradicção: ora affirma, sem aliás medir que a mesma affirmação o condemna; ora nega sem ver que a propria negativa positivamente o sacrifica.

Nesta attitude contrafeita dos condemnados, a defeza é sempre fraca e as affirmativas vacillantes. Uma e outras não salvam a S. S. nesta emergencia difficil. Esmiucemos as suas allegações.

Diz S. S., de principio, em o seu artigo de 22 do corrente, que em materia de saneamento nada disse eu em defeza do meu projecto. Mas porque defender o que não foi atacado?

Quaes foram os defeitos, os erros, as faltas desse projecto que S. S. positivamente assignalou? Não vi nenhum. E si, porventura, de referencia aos reservatorios metalicos, arriscou, a furto uma increpa. ção qualquer, não a positivou comtudo, como devia, para ter a contradicta immediata e sem rodeios.

O meu projecto de abastecimento a'agua foi approvado pelo Municipio a 17 de Março de 1906.

Executado com modificações e com obras accrescidas, durante mais de quatro annos, ahi está representado por quatro amplas represas novas, uma das quaes o Sr. Cons. Intendente, ha pouco, em seu depoimento, qualificou um pequeno mar, representado por linhas. de adducção, estação de bombas e filtros, torre metalica, reservatorios de ferro e canalisações distribuidoras. Tudo isso foi executado sob a fiscalisação do chefe da repartição de aguas, o qual, nem uma vez sequer, increpou de defeituosas essas obras que via executar, que media e que mandava pagar, desde então até o presente.

Nem officialmente, nem verbalmente, jamais recebi notificação de obra regeitada ou condemnada; jamais

se me impoz uma multa por medida contractual não attendida.

Si, portanto, as obras que se executaram não soffreram impugnação, ao tempo em que opportunamente podiam recebel-a, não foram regeitadas; e, pelo contrario, foram consideradas bôas, medidas e pagas sem nenhuma taxa ou defeito apontado, a que vem agora a tardia, nulla e irrita increpaçãc de que « projecto e execução são dignos um do outro, ambos são verdadeideiros attentados contra a technica?>

Isto é serio? Haverá quem acredite n'um fiscal que, depois de ordenar o pagamento das obras que fiscalisa, depois de decorrido o prazo da responsabilidade do empreiteiro, vem declarar que tanto o projecto executado como a propria execução são verdadeiros attentados contra a technica?!

Essa sentença, snr Dr. Francisco Souza, antes de attigir as obras e projecto, alcança em cheio, como uma bala em pleno peito, o fiscal responsavel que a proferiu! Não ha fugir.

Ella, porem, não é seria, é simplesmente inepta, eivada apenas de despeito, porque contra-factos não ha contestação possivel.

As obras do novo abastecimento ahi estão affrontando a vista e o exame de todos. Represas cheias, a transbordar, bombas, reservatorios, tudo foi sujeito a provas successivas, repetidas, constantes até de papeis officiaes; recebidas umas por termo lavrado e testemunhado que as certifica; recebidas outras tacitamente, pois que, por mais de anno, estão nas mãos do Municipio que as explora. Ora si tudo isso se fez, si, em consequencia disso, o Municipio entrou a explorar, a dirigir e a guardar tudo com o seu proprio pessoal, certo, não o teria feito.se por bom não houvesse o que se lhe entregava; certo tambem não deixaria elle de fazer sua reclamação em tempo, dentro dos seis mezes da responsabilidade do contractante, si porventura encontrasse o que reclamar. Portanto, o Municipio recerecebeu o que estava bom e nada reclamou porque não tinha o que reclamar.

Deante disso, a que vem a declaração de S.S. de que o projecto nunca foi provado bom, nem como tal recebido?»

Isto é serio?

Não é serio, em verdade, mas è inepto.

Si, com effeito, como deixei provado à saciedade, o serviço agora não funcciona bem; as machinas e apparelhos se estragam; as canalisações se obstruem, que è que logicamente se deve coucluir? Conclue-se que não ha ferramenta bôa para mau artifice. Não preciso insistir.

O Dr. Souza attribue os seus desmanchos na rede destribuibora á falta de regulador das pennas. E' de facto uma das causas, não ha duvida, mas não é tudo. Ha outras mais serias que implicam com a revisão, a mais meticulosa, que aliás S.S. tem evitado de modo inexplicavel.

Os vasamentos, Sr.Dr. Souza, se descobrem exactamente na revisão; mas uma revisão secundum artem, que S.S. ainda quiz fazer.

Descrê S.S. da effcacia das torneiras de boia e o declara er-cathedra por estas palvras:

«Não me venha, porém, falar, como ja o fez, em torneiras de boia, porque estas não resolvem tão importante problema».

Pois resolvem, caro collega. Não se fie de mais no regulador Rocha, porque esse apparelho não evita desperdicio nos reservatorios em domicilio, quando o consumo ahi se reduz por circumstancias, aliás, mui frequentes, como sejam ausencia temporaria dos moradores, ou gastos abaixo da capacidade da penna. A torneira de boia, nestes casos, poupa a agua em beneficio da rede distribuidora.

Leia,neste particular, o collega, o que diz Barberot, no seu tratado de Construcções Čivis, Cap. XII, p. 569 e seguinte.

Voltando aos reservatorios metalicos que para S. S. parecem bicho de sete cabeças, affronta-me S.S com esta coarctada: «Venha S.S. confessar que a capacidade dos novos reservatorios metalicos da Cruz

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