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para provar que «vive ás claras e presta conta de

seus actos. >>

Recorda-se o publico de que no mez de setembro ultimo o sr. Intendente revelára num documento, a que dera a maior publicidade, o proposito firme de abastecer esta capital de agua sufficiente, expressando solemnemente o seu sentir deste modo: «tenho procurado distribuir agua por toda a cidade, faltando normalizar o fornecimento, para que todos tenham agua na medida de suas necessidades.»

«Por nosso mal ainda não alcançamos a fortuna dessa normalidade na distribuição desse elemento essencial de nutrição e hygiene, e «a organisação do serviço, tal como a mantém o municipio não póde ser mais imperfeita», no parecer do contractante. Disso foi scientificado o sr. intendente pelo proprio contractante dos trabalhos de abastecimento de agua, a quem o chefe do poder executivo municipal intimou para declarar quaes «eram os erros e irregularidades que se dão na execução de seu plano e de suas obras, afim de que o publico e s. exa, saibam de que lado está a razão, si da parte do mesmo contractante ou da administração do serviço».

Louvavel é o intuito do representante do municipio, pois só assim poderão «tomar as providencias tendentes a fazer desapparecer esses mesmos erros e irregularidades», constituindo-se muito legitimamente, juiz, para remover todos os obstaculos que tornam intermittente o fornecimento de agua, impondo-lhe a respectiva medicina.

<Em consequencia, falou de novo o contractante, procurando justificar-se da irregularidade do serviço e denunciando factos que, por sua gravidade, não repetiremos, afim de não turvar a atmosphera serena em que deve espairecer o espirito do chefe do governo municipal. Retrucou-lhe o director da secção de aguas, invectivando por sua vez o contractante dos trabalhos, numa serie de artigos que s. exa. deve ter apreciado. Afinal calaram-se, e quando suppunhamos que o supremo representante do municipio ia proferir a

sentença que annunciára, eil-o a guardar, como os outros, um silencio, aliás, incompativel com o seu temperamento, deixando, ao que se presume, as coisas no mesmo paradeiro.

<< Parece que o sr. cons. intendente não deve subtrair a sua intervenção benefica, os seus bons officios na solução definitiva de uma materia tão relevante ao menos para dar algum motivo de confiança dos seus novos propositos.

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O que não pode continuar é o actual serviço de agua que absolutamente não satisfaz à população, maxime numa estação calmosa, como a que ora atra

vessamos.

« Convém, pois, corrigir os erros do passado, afim de não augmentarmos os nossos soffrimentos, e nesse esforço insistiremos até que desappareça a anoma.ia na distribuição do precioso elemento da nossa subsistencia.

« Abandonar o precioso patrimonio municipal que «nos tem custado até hoje mais de doze mil contos de réis», segundo a estimativa do proprio sr. intendente, é o maior crime que se pode praticar.

<Entregar essa valiosa propriedade, num futuro mais ou menos remoto, á avidez do instincto commercial do extrangeiro, como sempre acontece toda a vez que nos confessamos incapazes de gerir os nossos proprios bens, é lesar fundamente o erario municipal mais uma triste copia de administração brasileira.

Na mensagem que dirigiu ao Conselho Municipal, em Agosto do anno passado declarou o sr. intendente. que o serviço de aguas está livre e desembaraçado de onus, por isso que o emprestimo contrahido para essas obras é apenas garantido com as taxas de agua e de esgoto »; e então concluia s. exa. com enthusiasmo: «um municipio que dispõe de elementos para augmentar a sua receita, não pode despertar a menor desconfianca.»

<< Resolva, portanto, a magna questão, livrando-nos de maiores desgraças.

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<< Propala-se com certa insistencia que o chefe do governo municipal vae pedir uma licença de tres mezes para descançar, mas não saia sem resolver o importante problema do aprovisionamento d'agua a esta cidade, sem emittir a sua autorisada opinião sobre tudo quanto allegaram o director da secção de aguas e o contractante dessas obras.

« O espirito reconhecidamente patriotico de s. exa. impõe-lhe mais esse sacrificio e para elle appellamos com toda sinceridade. >>

De referencia á retirada temporaria de S. Ex.a o Snr. Intendente, do governo do Municipio, a noticia não tinha fundamento. A imprensa desmentiù-a em dias sucessivos.

S. Ex. resolveu agir no sentido de corrigir os abusos e desmanchos que se apontavam na Repartição de aguas, e, para esse fim, começou por nomear uma commissão de syndicancia que a imprensa diaria noticiou pelo seguinte modo:

«O sr conselheiro intendente mandou publicar o acto designando os funccionarios da Intendencia, Bemvenuto Alves Carneiro e Olympio Josè Brochado, para, em commissão, procederem á uma syndicancia na escripturação da Secção de Aguas, conforme solicitação do sr. engenheiro chefe da referida Secção, afim de apurar o que ha de exacto nas arguições feitas sobre a especie pelo sr. engenheiro Theodoro Sampaio em artigo publicado no Diario de Noticias, de 27 de Outubro.»

A commissão sobredita entrou em funcções immediatamente, e agiu com independencia e moderação. Depois de um exame demorado dos livros, documentos e mais papeis e de uma inspecção pessoal em varios serviços, apresentou ella o seu relatoric ac Exmo. Snr. Cons. Intendente, dando por finda a sua missão.

O relatorio, até hoje, 20 de Março de 1911, não teve publicidade. No dia 21, a Gazeta do Povo começou a publicação do relatorio, informações e actos do Intendente.

O Snr.Cons. Intendente nelle porem, taes cousas encontrou em confirmação das minhas arguições de 27 de Outubro, tão graves faltas viu nelle reveladas, que resolveu guardar maior reserva, apurar mais de espaço as responsabilidades, ouvindo sobre isso o Snr. Engr.o Francisco Sausa, director interino da Secção de Aguas. Foi depois das informações e parecer desse director que Exmo. Snr. Cons. Intendente resolveu agir, punindo os principaes responsaveis. Dimittiu um empregado e removeu outro. Como, porem, esses funccionarios punidos se não submetteram e até appellaram para o Conselho Municipal, em cujo seio se levantou uma vez em seu favor, o Snr. Conselheiro Intendente, prohibindo-lhes a entrada na repartição,não só mandou fechar e lacrar o cofre e mais moveis do serviço desses funccionarios, como dirigiu ao Conselho um officio que, em verdade, não é senão um resumo do que colhera no sobredito relatorio e informações, ao mesmo passo que é a sentença final da questão, nos termos em que a colloquei e mantive até o presente. Eis o officio:

«Exmos. Snrs. membros do Conselho Municipal.

< Li, no Jornal de Noticias, de 4 do corrente, que o sr. conselheiro Manuel Drummond requereu, em conselho, que não se tomasse conhecimento dos meus actos demittindo um empregado e removendo outro da secção de aguas, por considerar injustos e improcedentes os referidos actos, mas que aquelle requerimento havia sido depois retirado pelo seu auctor, em vista das sensatas observações do sr. ccns. Octavio Mangabeira.

Não posso deixar de extranhar que tenham sido logo reputados injustos e improcedentes os meus alludidos actos, quando não são ainda conhecidos os seus fundamentos, devendo se presumir que foram elles determinados por motivos de ordem publica,

attendendo-se ás minhas responsabilidades e que foi a primeira demissão que dei no espaço de tres annos e dois mezes de minha administração.

Antes de outras considerações, devo ponderar a esse Conselho que as demissões dos empregados municipaes, salvo os da secretaria do mesmo Conselho, são da minha competencia, como preceituam positivamente o art. 109 § § 11 e 12 e o art. 110 § 4.o da constituição do Estado e o art. 76 § 4.0 da 1.a lei de organisação municipal, n. 4, de 20 de outubro de 1891 e art. 35§§ 8 e 11, art. 42§§ 3 e 7 da lei de reor ganisação municipal n. 478, de 30 de setembro de 1902, competindo ao Conselho a approvação ou não das nomeações que a intendencia fizer, exceptuadas algumas, que independem de semelhante intervenção.

Denunciadas graves faltas e irregularidades na secção de aguas, nomeei immediatamente uma commissão de dois empregados municipaes para verifical-as, e do relatorio que me foi apresentado e de documentos que colhi, verifiquei logo ser preciso praticar os actos a que venho me referindo, para que taes factos não continuassem, deliberando tambem nomear uma outra commissão para fazer um exame rigoroso e minudente em toda a escripturação e papeis, desde o tempo em que o Municipio adquiriu a Companhia do Queimado, o que ainda não fiz por não ter resposta do officio que dirigi ao exm. sr. Secretario do Estado, pedindo a designação de um empregado do thesouro estadual para fazer parte da indicada commissão, e experimentarei grande satisfação si puder dar attestado da honorabilidade aos empregados que foram attingidos pelos meus supracitados actos.

Encontrei provas de que quantias recebidas não eram recolhidas no dia do recebimento; as quantias recolhidas figuravam em globo, nem se pode saber as suas procedencias; a renda dos chafarizes subiu 50°, lego que mandei demittir alguns estacionarios e nomeei outros; foram encontrados recibos em ser e mandando cobral-os os suppostos devedores apre

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