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Para completar porém a humilhação de Ravardière, voltando elle na manhã seguinte ao mesmo forte, Alexandre de Moura, depois de mandar lêr em sua presença o referido auto, acrescentou-lhe esta nova declaração. «Que me hade entregar o senhor de la Ra«vardière a fortaleza em nome de Sua Magestade, «com toda a artilharia, munições e petrechos de «guerra, que nella habitam, sem por isso Sua Mages«tade ficar obrigado a lhe pagar nada de sua real fa<«<zenda; e não deferindo a isto, torno a quebrar a mi«nha palavra, ficando elle na fortificação, e eu fazer «o que for servido; e isto será hoje quarta-feira >> «Estoy por el acima declarado por el senor general «Alexandro de Moura» escreveu por baixo Ravardière; e por este modo expedito libertou-se o general portuguez da condição estipulada por Jeronymo de Albuquerque de pagar aos francezes toda a sua artilharia e munições.

Tudo lhe foi immediatamente entregue, os fortes, como os navios da armada, bem que destes se cedessem tres aos inimigos, conforme um dos artigos da capitulação, nos quaes voltaram para a França mais de quatrocentos, deixando-se apenas ficar alguns poucos que se haviam casado com indias da terra,

As leis portuguezas defendiam então severamente a entrada e residencia dos estrangeiros nas conquistas ou dominios coloniaes; mas fez-se excepção em favor dos francezes catholicos aqui estabelecidos, em atten

ção ao muito que podiam servir como medianeiros para a alliança e submissão dos indigenas.

Assim findou a primeira invasão estrangeira que soffreu a nossa patria. Já é tempo de passar á segunda e ultima, isto é, a dos hollandezes. Depois de narrar os successos della, faremos o parallelo de ambas nos seus fins, importancia, meios e resultados..

LIVRO III.

INVASÃO HOLLANDEZA.

O almirante hollandez João Cornelles entra no porto do Maranhão com uma armada, e á traição se apodera da cidade e fortaleza-Prisão do governador portuguez, saques, extorsões e deportação dos principaes habitantes-Insurreição popular contra o dominio estrangeiro-Surpreza e tomada dos engenhos, e do forte do Calvario no Itapucurú-Matança dos hollandezes -Combate do Oiteiro da Cruz-Os portuguezes poem cerco á cidade e depois o levantam-Guerra de excursões, surprezas e guerrilhas-Devastações, incendios, supplicios e atrocidades de todo o generoExpulsão dos hollandezes.

A revolução de 1640 acabava de operar-se por um modo extraordinario e prompto, despedaçando em poucas horas o jugo hespanhol, restituindo a Portugal sua antiga independencia, e elevando ao throno a dynastia de Bragança.

A Hollanda que a principio combatera só pela independencia e pela vida contra os algozes que lhe enviava a tyrannia de Philippe II, cognominado oDemonio do meio dia terminára por constituir-se

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potencia de primeira ordem, e da simples defensiva, passára á conquista de uma grande parte das colonias que a coroa de Portugal, então reunida á de Castella, fundára na America, Africa e Asia. Ao tempo da restauração senhoreava ella quasi todo o norte do Brasil,

Mas a guerra, como se vê, não era directamente feita a Portugal, senão a seus oppressores; de modo que, constituindo-se Portugal, pela sua revolução, inimigo da Hespanha, a Hollanda vinha a ser sua alliada natural. D'ahi succedeu que juntamente com a noticia da restauração, chegaram ordens ao governador do Maranhão para que não tractasse como a inimigos, mais que a turcos e castelhanos, no que bem claramente se lhe insinuava que poupasse os hollandezes. Crescendo estas boas disposições com a identidade dos interesses, bem depressa se estipularam tregoas, em odio e damno do inimigo commum.

Entretanto D. João IV não podia vêr de boa sombra perdidas sem regresso as suas mais florescentes capitanias, arrancadas ao dominio portuguez em uma epocha de calamidade e oppressão. Pela sua parte, a Mauricio de Nassau, principe ambicioso e emprehendedor, e governador geral das colonias hollandezas no Brasil, não lhe soffria tambem o animo deixar no ocio interrompida a carreira brilhante das suas conquistas. Assim, a amizade apparente das duas potencias rebuçava apenas intenções hostis e oppostas, momentaneamente refreadas pela necessidade, e que cada um guardava no peito para manifestar em occa

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