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as armas de Entre Douro e Minho com habilidade e fortuna (1). Os seus primeiros cuidados foram reforçar e disciplinar o exército que encontrou estabelecido na freguesia da Silva e criar uma rêde de fortes para garantir as comunicações com Valença e isolar a Veiga de Mira, onde o inimigo se fixou.

Provavelmente já existia uma atalaia próximo do Cerdal talvez no esporão a Noroeste desta aldeia. O conde mandou construir outra chamada de Belém, ao Norte da primeira (2). Ficava assim cercada a Veiga de Mira por uma linha de posições fortificadas :: Valença, Belém, Cerdal, Mira, Silva (3), Vila Nova de Cerveira. Outros fortes ainda se projectavam levantar, mais quatro «posto que nem todos grandes» em Janeiro de 1658. Estes fortes, construídos de terra, não são já conhecidos dos autores das Memórias Paroquiais de 1758.

Segundo o Portugal Restaurado o quartel português ficava a tiro de canhão do forte de S. Luiz, o que não julgamos exacto; a origem do êrro será talvez a construção de um quartel fortificado próximo do inimigo, onde estava a maior parte do têrço velho de Entre Douro e Minho, mas que não era o principal (4). Entre as obras, devemos notar que se levantou, à vista do forte, uma atalaia destinada a cobrir Vila Nova e a limitar o campo de acção do inimigo, o que éste tentou impedir com duas baterias organizadas na margem direita do Minho. Esta atalaia foi construída sob a direcção de António Soares da Costa (5) e

(1) O conde de Castel Melhor foi acompanhado da sua família e, entre outras pessoas, de seus dois filhos Luiz, o futuro escrivão da puridade de D. Afonso VI, e Simão. É geralmente sabido que êles se tinham homiziado no estrangeiro por causa de um duelo. O Port. Rest. refere-se ao valor que os distinguia; mas o que julgamos desconhecido é o facto de serem considerados como muito sabedores em assuntos militares; teriam talvez adquirido largos conhecimentos teóricos na Itália; o certo é que um documento oficial lhes atribue êsses conhecimentos. (Cons. G., Cons., maço 18-a (36).

Supomos que a nomeação não agradasse ao Visconde, já descontente por não ser atendido nos alvitres que propunha à Rainha. O Portugal Restaurado, II, 68, diz que êle se retirou para sua casa; um panfleto em verso, que conhecemos, e pensamos em breve publicar, deve referir-se a esta rivalidade. É provável também que a carta de agradecimento que a Rainha enviou ao Visconde

aliás muito merecida

o seu descontentamento; a sua remessa foi solicitada pelo conde de Castel Melhor.

tivesse em vista atenuar

(2) O Portugal Antigo e Moderno, s/v. S. Pedro da Tôrre, dá-nos a informação, colhida não sabemos onde, de que havia dois fortes próximos um do outro: o de Belém, na Gândara, e o de S. Francisco; perto dêles fica a quinta por sua causa chamada do Forte. Aqui há por certo um êrro, porque o Port. Rest. distingue a Gândara de Belém; supomos, todavia, que o forte de Belém fôsse próximo da quinta referida, provavelmente no cabeço chamado Picôto. É possível, aliás, que o nome da quinta provenha de outro forte de que falaremos mais adiante.

(3) A posição exacta do quartel da Silva é difíci! de determinar hoje; parece que na freguesia de Santa Maria da Silva havia vestígios de um ou dois acampamentos fortificados de certa importância; mas em S. Julião existia a tôrre, excelente pôsto de observação. O Conde de Castel Melhor data do acampamento de S. Jorge da Silva algumas cartas; ou se trata de um êrro de nome, ou, mais provávelmente, a designação foi ocasional. Julgamos que pelo menos um pôsto de observação estaria na altura chamada Covas do Arraial (pirâmide de cota 76).

(4) Doc. LV.

(5) Docs. LV e LXIV.

julgamos que fôsse situada no ponto que conservou êste nome (pirâmide de cota 16) junto margem do rio (1).

à

Somos assim levados a tratar do papel dêle durante a campanha. Além de desempenhar, como dissemos, as funções de chefe de estado maior e de director da instrução do exército, tomou parte talvez na defesa de Valença (2), foi reconhecer o inimigo em Côrtes, dirigiu a entrada de socorros em Valença combatendo com algumas tropas inimigas, distinguindo-se especialmente na destruïção de uma estacada em um combate de certa importância que houve na ponte de Veiga de Mira em 10 de Agôsto. É provável que, durante esta campanha e no inverno seguinte, se desse na vida de António Soares um acontecimento de cuja importância não podemos hoje avaliar, mas que convém não deixar esquecido. Foi nesta ocasião, sem dúvida, que se relacionou com os filhos do Conde de Castel Melhor; cartas posteriores provam que, anos depois, gozava da confiança do mais velho, então escrivão da puridade de D. Afonso VI e dispondo do mais largo poder.

A situação militar ao terminar a campanha não era inteiramente desfavorável; a-pesar-de que os castelhanos podiam lançar um ataque em qualquer direcção, era de esperar que os fortes os detivessem o tempo necessário para serem socorridos pelo grosso do nosso exército. A dificuldade de atacar as fortificações era ao tempo grande e a posse destas atalaias garantia consideráveis vantagens aos portugueses.

Complicava, porém, esta atitude de espectativa a pouca coesão do exército, que diminuia constantemente pela deserção, grande sobretudo entre os auxiliares, que iam tratar do amanho das terras, especialmente porque não eram pagos nem alimentados, e que portanto eram impróprios para manter uma campanha, embora fôssem aproveitáveis para acções rápidas. Por isso, logo em 13 de Agôsto, o Conde de Castel Melhor pedia que lhe fôssem mandados reforços (3) para conquistar Tui partindo de Salvaterra (4), o que tornaria insustentável o forte de S. Luiz, constantemente ameaçado nas suas comunicações. Não lhe deram, porém, os elementos necessários para essa emprêsa, sôbre a qual só foi dado parecer cinco meses depois, porque, segundo o Portugal Restaurado, Joane Mendes de Vasconcelos

(1) No ano seguinte havia duas atalaias próximo de Vila Mea. Segundo B. Alonso (op. cit., 138) o forte de S. Luiz foi rodeado por 9 atalaias à distância de tiro de canhão. Não sabemos onde colheu esta notícia, muito pouca digna de confiança. Uma relação castelhana, aliás cheia de erros, publicada em Madrid em 1658, fala realmente em nove atalaias e «uma tôrre em forma de castelo» que circunvalavam o forte de S. Luiz de Gonzaga «porque impediam as correrias da nossa cavalaria» o que é bem diferente. Adiante nos referiremos novamente a essa relação.

(2) Docs. LXIV e LXVI; devemos observar que não se lhe refere o relatório dessa defesa.

(3) A infantaria contava apenas 438 homens pagos, de Entre Douro e Minho, 634 volantes de Trás-os-Montes, 2.041 de ordenanças e 1.573 de auxiliares (Cons. G., Cons., maço 17-a (35), carta de 13 de Agosto). O conde queria que o exército fôsse elevado a oito mil infantes, novecentos cavalos e dois mil gastadores, com a possibilidade de operar durante dois meses no inverno. Publicaremos num outro trabalho a relação por êle enviada em que se especifica o material necessário para êsse exército e que é interessante para o estudo da organização militar da época.

(4) Salvatierra, na Galiza, que estava ocupada pelos portugueses desde 1643.

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VILA NOVA DE CERVEIRA, EM 1713, POR MANUEL PINTO DE VILALOBOS. (B. N. L.)

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