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Academia Real de Historia Portugueza, bem como os tres antecedentes, Ministro-Enviado ás Côrtes de Londres e de Vienna d'Austria, Primeiro Conde de Oeiras, Primeiro Marquêz de Pombal, Ministro e Secretario d'Estado d'elRei D. José, seu Logar-Tenente, e Plenipotenciario com livre e geral faculdade para a Reformação da Universidade de Coimbra : A sua acertada administração em tão laboriosos tempos, e de tantas contradicções e calamidades publicas, como as que sobrevieram a Portugal durante o periodo do seu elevado poder, salvou a Nação dos mais horrorosos perigos, sustentou a Monarchia vacillante, e desterrou a ignorancia destes bellos paizes, expulsando os Jesuitas fazendo reviver os nossos bons Estudos antigos, e creando outros de novo em harmonia com as luzes do Seculo assim na Universidade de Coimbra, como em outros lugares do Reino: A penna, manejada por este politico profundo e verdadeiro sabio, delineava traços de erudição e bom gosto, quando escrevia na Deducção Chronologica e Analitica &c., e quando coôperava em mui grande parte para a redacção do Compendio · Historico da Universidade de Coimbra, e para a formação dos nunca assás louvados Novos Estatutos da mesma Universidade (124.a), obra esta na qual se acham estampados os proprios dictames da mais acrisolada Sabedoria (125.2).

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CONCLUSÃO.

A' vista destas, ainda assim mui tôscas e escuras noticias, que deixâmos succintamente postas em memoria no Papel, por nós intitulado Primeiro Ensaio sôbre a Historia Litteraria de Portugal, bem facil fica sendo já de conhecer a sem razão, e injustiça manifesta, com que à Nação Portugueza tem sido tratada por alguns escriptores de paizes extrangei ros, taxando-a de ignorante, e de atrazada em todos os ramos de conhecimentos uteis 2 Por quanto, do que fica tocado, se pode e deve com todo o fundamento concluir, que os Portuguezes foram em todos os tempos, e são ainda hoje em dia mui eminentes na cul→ tura de todo o genero de Letras e Sciencias, as quaes se entre elles tiveram seus dias de languor e de abatimento, foi, porque fatalissimas, e irresistiveis circunstancias empe→ cêram, e quasi chegaram a aniquilar suas felizes disposições e aprimorado gosto litterario mas que, apenas removidas aquellas, entrámos de novo a trilhar com gloria a estrada de todas as Sciencias, e Boas-Artes. E por consequencia que erraram a nosso respeito tão injustos, ou sequer mal informados extrangeiros, já pelo que toca ao ingenho,

apurado gosto e litteraria applicação; já pelo que pertence ao caracter e brio marcial Portuguêz, do qual, mal conceituados tambem por tão irreflectidos avaliadores (a), temos dado no correr do presente seculo as mais irrefragaveis e exuberantes provas, assim expulsando da nossa Patria valerosa e denodadamente a intrusão extrangeira, e concorrendo mui gloriosamente para a salvação da Euro pa; como quebrando depois o jugo de ferro, com que a tirannica intrusão domestica nos opprimira por espaço de cinco annos: Podendo com toda a propriedade applicar-se aos Portuguezes de todos os tempos, tanto antigos, como modernos, a aurea sentença escripta por Plinio o Môgo na sua carta ao grande historiador Cornelio Tacito (b) : « Em verda de eu reputo afortunados aquelles homens, a quem os deoses por sua alta munificencia concederam ou praticar acções dignas de serem escriptas, ou escrever obras dignas de serem lidas; e reputo afortunadissimos aos que reuniram em si ambos estes prestantes dotes » (126,a),

FIM DO TEXTO.

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(a) Vid., entre outros Escriptos, La guerre de la Péninsule sous son véritable point de vuc, ou Lettre à Mr. L'Abbé F. *** &c.

(b) Lib. VI. Epist. 16.

ADVERTENCIA;

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Se para sabios, ou sequer eruditos perscrutadores dos thesouros litterarios de Por tugal, fosse escripto este livro, de muito menor numero de Notas, do que as seguintes, deixaria elle por certo de carecer como porém seja de presumir, que o Primeiro Ensaio para uma Historia Litteraria de Portugal venha a correr não só por mãos de homens de profundo e variado saber, mas tambem pelas mãos de outros de instrucção menos vasta e profunda, assim nacionaes, como extrangeiros; entendéo por isso o seu autor devér fundamentar em Notas, e bem assim ampliar e esclarecer nellas muitas das differentes noticias, apenas ligeiramente indicadas no corpo da Obra; sem com tudo isto ficar ainda certo de haver apresentado em plena luz muitos dos pontos historicos, na mesma Obra contidos.

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A' PREFAÇÃO.

NOTA (1.), PAG, 13,

Não cuide alguem, illudido com um Escripto, que se imprimio em Lisboa pelo meado do Seculo passado com o titulo de Memorias para a Historia Litteraria de Portugal e seus Dominios, divididas em varias Cartas por João Pedro do Valle, que naquelle Escripto se contêm uma noticia sistematica de toda a nossa Historia Litteraria, ou pelo menos de alguns dos seus mais ou menos importantes Periodos Por quanto as Memorias de Valle, comprehendidas apenas em sete Cartas a um amigo, tem por objecto unico o mostrar, contra a pretenção dos Jesuitas, na primeira : Que, antes do ensino destes Padres, já havia muito boas Escholas de Latinidade em Portugal; e que por consequencia não foram elles os restauradores, mas antes os destruidôres da Lingua Latina em toda Hespanha. Na segunda mostra o principio e progresso da doutrina grammatical dos Jesuitas, com a noticia do juizo, que se fez, e deve fazer da Arte do Padre Alvares, seus commentadores, e outros livros, que composeram para as suas aulas. Na terceira e na quarta faz ver os er

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