Pagina-afbeeldingen
PDF
ePub

foram os Academicos Villas-Boas, Stockler, e Dantas (a).

Não havia ainda em Portugal uma Socie dade, cujo objecto unico fosse a Medicina a Academia, que contava entre o numero de seus Membros muitos Medicos distinctos, julgou a proposito alentar as observações médi cas, que tivessem mais particular applicação ao paiz; pois é evidente que o clima, a dié ta, e os habitos dos Povos devem produzir modificações nas enfermidades, e no methodo do seu tratamento: Ella propôz todos os annos um premio de Medicina nacional; e fez publicar as Obras compostas pelos seus Membros sobre a educação fisica mais conveniente aos meninos Portuguezes, e sobre o racionavel uso das agoas mineraes, que eram talvez applicadas mui indiscretamente : os Academicos Franco (b), e Almeida (c) tratáram em concurrencia o primeiro destes dous assumptos; e o Academico Tavares (d), primeiro Medico da Real Camara, escreveo sobre o segundo.

i

A Agricultura, bem como as outras Artes, havia sido resuscitada pelos desvelos d'elRei D. Jozé I. E' fóra de duvida que ella tinha feito progressos; mas pode dizer-se, que se a cultura era maior, nem por isso estava melhorada: as Leis favoráveis, que tinham

(a) Jozé Maria Dantas Pereira. (b) Francisco de Mello Franco. (c) Francisco Jozé de. Almeida. (d) Francisco Tavares.:

feito rotear muitos terrenos, não podiam cor rigir as velhas practicas, nem ensinar metho dos novos Na Sociedade, de que estamos falando, havia luzes, e patriotismo bastantes para se occuparem deste importante objecto; assim como havia conhecimento dos recursos do paiz, que se achavam inteiramente desprezados. Estabeleceram-se premios annuaes de Agricultura theorica, e practica; propozeramse outros para a Statistica das Comarcas do Reino, e das Colonias: No espaço de oito annos a Academia publicou quatro volumes em quarto de Memorias Economicas para adiantamento da Agricultura, das Artes, e da Industria em Portugal, e nos seus Dominios do ultra-mar: A obra porêm mais nota¬ vel neste genero, que sahio desta Sociedade, é o Ensaio Economico sobre o Commercio de Portugal, e das suas Colonias pelo Academico Azeredo (a), Bispo de Pernambuco, Socio livre da Academia: este Prelado, que tinha sido inquisidor, antes de ser Bispo, trata no seu Escrito esta materia com um conhecimen to de causa, e com uma profundidade tal, que fará espanto quemquer que reflectir sobre o estado do seu Autor, e sobre a natureza› das occupações, de que devia ter sido antecedentemente encarregado,

'

Ao passo que a Academia se mostrava util pelos seus trabalhos, a Universidade de Coimbra adquiria novos direitos á estima publica

: (a) D., Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho,

[ocr errors]

:

por seu honrado apego ás instituições, e aos principios d'el Rei D. Jozé I. Não dissimularei, que por espaço de bastantes annos estas instituições, e estes principios se viram em perigo de ser destruidos, ou pelo menos de ser paralizados cabalas surdas, intrigas frequentes trabalháram por deteriorar a instrucção publica, e por solapar a ordem estabelecida para a fazer prosperar Estas intrigas foram algumas vezes apoiadas pelo Poder seduzido, porêm as mais das vezes o foram pela influencia corrompida. Para Portugal foi uma felicidade singular o ter nesta épocha a Instrucção nacional á sua frente dous Prelados consecutivos, dotados de um amor ás Letras, e de uma coragem superior aos perigos; e é grande honra para o Clero Portuguez o havel-os produzido, e para mim summamente gostoso dar a estes dous Prelados á face da Europa ós louvores, que elles mui justamente merecem, e que me não são dictados nem pelo interesse nem pela intimidade. Estes defensores das Sciencias, cuja memoria não deve acabar são D. Francisco Rafael de Castro, Principal da Igreja Patriarchal de Lisboa; e D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, primeiramente Bispo Titular de Zenopolis, e actualmente Bispo de Coimbra, aquelle mesmo a quem elRei D. Jozé I. havia confiado o cuidado desta Universidade na epocha da sua regeneração. O primeiro, dotado de uma animosa tenacidade, bem longe de ceder á borrasca, fez antes florecer as Sciencias, e até

9

>

chegou a obter do Soberano, que a mocidade Ecclesiastica fosse obrigada a estudar um Curso regular de Mathematica, de Fisica, e de Historia-Natural e a fazer exames destas Sciencias, antes de ser admittida á recepção dos Gráos nos outros Cursos analogos ao seu estado: (a) por tal meio preparou elle dias brilhantes ao Clero Portuguez, e grande somma de repouso ás gerações futuras, O segundo, em vez de deixar abrir a mais pequena brécha no methodo novo de instrucção publica, para o estabelecimento da qual havia tão vigilante→ mente concorrido, pelo contrario pedio, e alcançou do Soberano novos Estatutos, superiores aos d'el Rei D. Jozé I. : por elles novas Cadeiras foram estabelecidas, especialmente, para a Agricultura, parą a Hydraulica, para a Mineralogia, para a Astronomia practica :: quatro logares de Astronomos observadores foram creados para o Observatorio de Coimbra, não se poupando cousa alguma para o fazer chegar ao maior auge de perfeição. Estas providencias e outras muitas, que os estreitos limites de um Summario não permittem particularizar, estabelecêram por um modo fixo a sorte de Portugal, relativamente ás Sciencias, no Seculo ha pouço começado.

9

A Marinha militar, bem como o Exercinão tinham tido nunca escholas regulares: em Portugal; este defeito porêm foi reparado

"

(a) Esta sábia providencia durou desgraçadamente mai poucos annos. (NOTA DO TRAD.)

no Reinado actual: No anno de 1782 a Rainha fundou uma eschola para os Aspirantes da Marinha, na qual lhes são ensinadas as Mathematicas puras, a Astronomia, o Desenho a Architectura naval, &c. : No anno de 1798 o Principe Regente lhe accrescentou um Observatorio regular, debaixo da inspecção de um Vice-Almirante, no qual um Astronomo, e quatro Ajudantes fazem observações, e ensinam aos Alumnos a practica desta Sciencia: No anno de 1790 foi estabelecida uma eschola de Fortificação, e de Sciencias militares para o Exercito, cujos felizes effeitos começam já a experimentar-se: No anno de 1798 o Principe Regente creou uma Sociedade Geographica, Maritima, e Militar, composta de Officiaes de Marinha, e de Ingenharia, dos Geometras, e Astronomos mais conhecidos do Reino: ella é presidida successivamente pelos differentes Ministros d'Estado, e tem por objecto conhecer militarmente a Geographia do paiz, e nauticamente as Costas de Portugal, e das suas colonias está encarregada igualmente dos projectos de canaes para a irrigação do paiz, e para a sua navegação interna. Posto que esta Sociedade tenha sido assidua nos seus trabalhos, não é de esperar que d'ella sáïa a publico grande numero de Escritos; por quanto a maior parte dos objectos da sua competencia devem por sua mesma natureza ficar guardados nas Secretarias do Ministerio (a).

(a) Esta Sociedade acabou poucos annos depois da

« VorigeDoorgaan »