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ACTORES.

D. AFFONSO IV, Rei de Portugal.

D. PEDRO, Principe.

D. IGNEZ DE Castro.

D. SANCHO, Mestre do Principe

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D. NUNO, Camarista Del Rei.

O EMBAIXADOR DE CASTELLA.

ELVIRA, Aia de D. Ignez,

DOIS MENINOS, Filhos de D. Pedro e D. Ignez.

A Scena he em Coimbra, n'huma Sala do Palacio, em que reside D. Ignez.

A Acção começa ao romper do dia.

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IGN. (1). Sombra implacavel! Pavoroso Espectro! Não me persigas mais... Constança! Eu morro (2). ELV. Que afflicção!... Que delirio!... Oh Deos! Senhora!...

IGN. (3). Onde está... onde está o meu Esposo?.., ELV. O Principe, Senhora, inda repousa, Tudo jaz em silencio: tu sómente,

(1) Ignez entra na Scena delirante, e horrorisada

(2) Assenta-se desfallecida.

(3) Ainda fóra de si, e atemorisada.

Negando-te ao socego, atribulada,
Neste Paço, ululando, errante vagas?
Que dôr acerba o coração te rasga?
Que sonhadas visões assim te ancêão?

IGN. Contra Ignez se conspira o Ceo, e a Terra (1). Té das campas os mortos se levantão

Para me flagellar: continuamente
Negros fantasmas ante mim voltêão..,

Que horror! Oh Ceos!... Agora mesmo, Elvira,
Debuxados na mente inda diviso

Os medonhos espectros, que, girando
Em torno de mim, me assombrárão...
Surgir vejo Constança do sepulchro,
Que em furias abrazada a mim caminha...
Relampagos fuzilão, treme a terra...
Eis-que lá dos abismos arrojados
Impios Ministros da feroz vingança
No peito agudos ferros vem cravar-me :
Debalde agonisante o Esposo invoco...
Proferido por mim seu doce nome
Exarceba os furores de Constança,

Que á morada dos mortos me arremessa.
Oh do crime funestas consequencias !...
Desgraçados mortaes!

ELV.

E póde hum sonho...

IGN. Não he hum sonho, Elvira, são remorsos.

(4) Levatando se.

ELV. Devem elles acaso inda relar-te !
Não bastou Hymenéo a suffocá-los?

Ah! Se antes que os seus laços te cingissem,
Succumbiste do amor á paixão céga,
Assaz tens expiado este delicto,

Delicto mais que todos desculpavel.

IGN. Huma alma como a minha jamais julga

Ter assaz expiado seus delictos :

Embora de Hymenêo os sacros laços
Agora o meu amor licito fação,
Este amor foi no crimé começado.
Mirrada de pezares, sim, foi elle,
Quem despenhou Constança no sepulcro,
Constança, essa Princeza desgraçada,
Que, a não ser eu, talvez fosse ditosa,
Talvez, do Esposo amada, inda vivesse ;
Eu fui a origem dos seus males todos;
Trahi sua amizade, fui-lhe ingrata,
Sua rival, oh Ceos! assassinei-a.

Oh crime involuntario! Horrendo crime
Tuas iras são justas, sim, Constança;
Arrasta-me comtigo á sepultura,
Acaba de punir-me, e de vingar-te...
Mas ah! Que digo!... Não... poupa me a vida,
Nella a vida do Principe se int'ressa :
Tu não has de querer enyenenar-lh'a :
A morte não, não póde certamente
A paixão extinguir de que morreste;

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