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Do CANTO 8.°

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Evantada a Mesa pede o Rei de Melinde ao Gama que lhe conte a Historia de Portugal, e elle come ça na oit. 4.a

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Do grande Reine o quadro portentoso
Estrangeiro pincel traçar devia
Descrever seus brazoes a estranhos toca
Que he suspeito o louvor na propria bocca.

eis-aqui agora o que elle diz na óit.
C. da Lusiada,
do 3.

4

Que outrem possa louvar esforço alheio
Cousa he que se costuma, e se dezeja,'
Mas louvar os meus proprios arreceio
Que louvor tão suspeito mal me esteja &c.

Mas viva a originalidade. Na oit. 5.a continúa o Gama do R.de Epico,

Mas sabe, o Rei, que em clima affortunado
Onde jamais a Primavera cessa

E o que ao Norte he balisa ao Sol dourado

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Do Cancro acceso Circulo atravessa ; No mais Occidental, e extremo łado Onde a Europa termina, e o Mar começa Faz, sem muita extensão, do Luso a terra Mas grande sẽpre em paz, grande na guerra. Os primeiros dous Versos encerrão desproposito de dizer que em Portu gal jamais cessa a Primavera, quando alias são entre nós mui sensivel mente divididas, e regulares todas as quatro Estações. O 3. 。 Versos são mal imitados dos primeiros da oit. 6.a do 3.° C. da Lusiada

e 4.

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Entre a Zona que o Cancro senhorêa,
Meta Septentrional do Sol luzente &c.

e os ultimos quatro tambem o são da oit. 20 do mesmo Canto da Lusiada

Eis-aqui quasi cume da cabeça
D'Europa toda o Reino Lusitano,
Onde a Terra se accaba, e o Mar começa,
E onde Phebo repousa no Oceano :
Esta quiz o Ceo justo que floresça &c.

Deixemos por brevidade o insulsissimo resumo que faz o Gama da His

toria de Portugal, por bocca do R. Epico com outras miseraveis imitações da Lusiada; porem note-se ao menos que, chegando á cathastrophe de Ignez de Castro, diz na oit. 25,

Este foi Pedro: bum idolo querido
Lhe foi roubado por destino infando !
Terrivel scena è miseranda he esta
Nem mais cruel a Historia a manifesta!

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Ora bem cruel, terrivel, miserando, e infando he escrever assim, e aboc canhar Camões! Todo o Mundo, que lê, conhece Ignez de Castro pelo belissimo Episodio da Lusiada, e eu não devo deter-me em mostrar o que todos tem visto; mas dezejava que esta oitava, e as seguintes, como todos os muitos lugares em que o R.de Epico se encontra com Camões, fossem cotejados: eu tenho mostrado parte de suas imitações, que são tão ruins come continuadas, e eis-aqui mais a oit. 29,

O forte Heroe do campo Marathonio Que o Persiano Exercito retalha ; CO susto d'Asia, o raio Macedonio,

Que as campinas d Arbella em sangue coalba
Esse que em Accio ao desditoso Antonio
·Disputa o Mundo n'huma só batalba
Tão dignos, não serão de nome e gloria
Quantos dera ao Rei Luso buma victoria.

mas

não se diz coalhar em sangue, sim coalbar de sangue: veja-se agora a oit. 21 do 10. C. da Lusiada

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Aquelle que nos campos Marathonios
O grão poder de Dário estrúe, e rende;
Ou quem com quatro mil Lacedemonios
O passo de Thermopilas defende;

Nemo Mancebo Cocles dos Ausonios, Que com todo o poder Tusco contende Em defensa da ponte, ou Quinto Fabio Foi como este na guerra forte, e sabio.. Accabada a arenga, vai o Gama dormir para bordo, e o Rei lhe dá Piloto, com o qual se faz á vela para Calecut; em cujo rumo havendo navegado 22 dias, na oit. 59 adormece, na 60 torna-lhe o Infante em sonhos, na 61 diz-lhe outra vez que tem busto de bronze no Alcaçar da Fama (frioleira que, segundo as oitavas do R.de Epico, nunca esquecia ao Santo

Infante) e nada mais, senão o ja tantas vezes dicto, que vai firmar-se o Imperio Portuguez n'Asia, e que se levante (oit. 67) porque vai amanhe cendo, e verá

De Calecut palmifera enseada.

Esta vinda do Infante he tão inutil como o Poema que a relata; mas em fim; como a promessa era Celestial, não podia falhar, e o Gama fundeou em Calecut.

Do CANTO 9.

Fundada a Frota, concorrem os

Malabares; e o R.do Epico havendo dicto no 4. C. que os Negros de

Guiné se amedrontarão com o estrondo da artilheria do Gama, como mede tudo pela mesma bitola, diz agora na 2. oitava,

Accode á curva praia immenso bando - De sumptuosos, riccos Malabares,

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