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АО
AO LEITOR

Escreveu Ignacio Accioli estas Memorias Historicas e Politicas da Provincia da Bahia numa época em que se achavam relativamente atrazados os estudos sobre a historia vio Brazil, ou em que pelo menos o estavam mais do que hoje, razão por que não é de estranhar muito se resintam eHas de falhas que não escapam a quem escrever em nossos dias um trabalho desta ordem.

Apesar disso, a obra de Accioli constitue um repositorio tao precioso e importante de dados, clementos de interesse e revelações para a Bahia que ha muitos annos era ella procurada com avidez e muito raros eram os seus possuidores.

Dahi haver crescido o valor do livro, de modo que somente por altas quantias conseguiam comprar hibliothecas e estahelerimentos congeneres. E' cousa curiosi. aliás frequente na

litteratura, que

tence Accioli vivido pobrissimo e morrido num estado proximo á miseria, e sendo o seu livro tão pouco apreciado na epocha da publicação, que só por meio de assignaturas foi penosamente impresso, carecendo de um auxilio publico para isso, o qual foi conseguido com custo por dedicado amigo do autor, tivesse, após o seu fallecimento, este producto lo seu labor adquirido uma cotação tão alta, e tão inutil para elle, que de tal trabalho só tirou a honra que legou á posteridade o seu nome como o de um homem que realisou « que nenhum outro lavia feito antes delle

Eram grandes us desejos entre as intelligencias illustradas da Bahia de uma segunda «dição das Memorias de Accioli, mas não sobravam os recursos aos portadores dessas intelligencias illustradas para tal commettimento e, por outro lado, muito ingrato é o meio para que se abalance alguem a fazer tal esforço como negocio, visto ser este de leitura historica um genero que corre o risco de ficar enfusado á falta de consumidores.

Tambem a despeza de impressão e neste paiz ainda tão grande que somente quem possue numerario folgadamente se pnde arriscar á empreza de tirar do prelo um livro volumosa.

O typographo Hypolito Miranda lançou-se a esta tarefa de editar as Memorias Historicas e Politicas da Bahia e chegou a publicar o 1o. volume.

Cahiu, porém, logo gravemente doente, e muito concorreu de certo para isto e para o seu fim prematuro o esforço que fazia trabalhando durante o dia para alimentar a familia e durante a noute para emendar e annotar o livro de Accioli.

Quando se lhe abriu a esperança de um auxilio pecuniario pelo poder publico, poz termo á sua existencia uma molestia que não costuma poupar as suas victimas.

Só agora, cerca de quinze annos depois, foi que se emprehendeu uma nova edição das Memorias de Accioli.

Quem enfrentou esta difficuldade e tentou dotar as lettras patrias e o Estado da Bahia com este trabalho foi o secretario do Interior, Dr. Gonçalo Moniz Sodré de Aragão.

Espirito culto e apaixonado pelo saber, o que é tradicional em sua familia, pois é neto do erudito Antonio Ferrão Moniz, que foi o competente e illustradissimo bibliothecario da Bahia, até 30 de Outubro de 1886, quiz o Dr. Gonçalo illustrar a sua passagem na Secretaria do Interior com este serviço á Bahia.

Aproveitando uma disposição existente na lei do orçamento do Estado, a qual é devida a uma lembrança do digno secretario da Fazenda, Dr. João Gonçalves Tourinho, e que autorisa o Governo a mandar reimprimir os livros uteis nacionaes de edições esgotadas, me encarregou o secretario de fazer as annotações que o estado actual dos conhecimentos sobre a historia do Brazil tornam indispensaveis para esclarecer e completar as Memorias de Accioli, dando aos leitores dellas tudo o que da vida passada da Bahia se conhece agora pelos trabalhos de Gabriel Soares, Fr. Vicente do Salvador e Adolpho Varnhagen, os quaes Accioli não chegou a ver.

Combinamos então ,de accordo com o desejo do secretario, não alterar o feitio do trabalho, conservando as Memorias taes como foram escriptas pelo seu autor, e juntando em notas amplas o que se sabe actualmente sobre os assumptos tratados por Accioli.

A difficuldade e receio de promover confusão no espirito do leitor o encontro de muitas notas juntas foi dirimida pelas chamadas á margem para annotação no fim de cada capitulo ou secção, afim de não ficar tambem fastidioso para o leitor ir ao fim do volume quando quizesse ver uma nota, assim como obviar o inconveniente de ter no fim do trabalho um outro livro tão extenso ou mais extenso do que o já lido, e dividido este em fragmentos, que só terão valor proximo aos objectos ou materia que lhes deram razão de ser.

Eis o officio em que o Exmo. Sr. Secretario do Interior me encarregou do trabalho que hoje sae a publico:

N. 143.-27 Julho de 1917.
Illmo. Sr. Dr. Braz Ilermenegildo do Amaral.

Communico-vos que tendo o Governo resolvido, de accordo com o art. 16, capitulo III, das “Disposições Geraes” do orçamento vigente, reeditar as Memorias Historicas e Politicas da Provincia da Bahia. de Ignacio Accioli de Cerqueira e Silva, por ser trabalho de alto valor para o Paiz e principalmente para a Bahia e estar ha muito esgotada a edição, deliberou, attendendo aos vossos estudos especiaes sobre Historia do nosso Paiz, encarregar-vos da direcção dos trabalhos da reedição e de fazer as annotações, que os estudos procedidos após a publicação do trabalho referido tornem indispensaveis para o fim que o Governo tem em vista-o conhecimento completo da vida passada da Bahia.

Como este trabalho demande bastante esforço e mesmo despesas urgentes, resolveu o Governo auxiliar-vos com a quantia de tres contos de réis (3:000$000), assim como por á vossa disposição os elementos que porventura existam nas Repartições do Estado e de que carecerdes.

Certo de que não recusareis prestar á Bahia mais este relevante serviço, para o qual ninguem mais competente do que vós, reitero-vos os meus protestos de alta estima e consideração.

O Secretario,
Dr. Gonçalo Monis Sodré de Aragão.

e

Considerando uma grande e immerecida honra a confiança que tal investidura exprime, me puz ao trabalho com o pensamento de deixar neste livro uma documentação que no correr dos tempos venha a servir para consulta aos que tiverem de tratar de assumptos relativos á vida da Bahia.

A critica să e os leitores futuros julgarão se bem comprehendi e se bem correspondi aos desejos do Governo que me deu incumbencia tão difficil e delicada.

Bahia, Agosto de 1919.

BRAZ DO AMARAL.

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