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zas, indo batalhar no oriente, inscrevendo-separa acompanhar em 1550 o novo viso-rei D. Affonso de Noronha. Por circumstancias extraordinarias não seguiu na armada, mas já em Lisboa não pode esquivar-se a fatalidade dos acontecimentos; tendo em 1552 ferido o moco dos arreios de D. João Gonçalo Borges, foi preso no tronco da cidade até 7 de Março de 1553, d'onde saiu a custo, para embarcar para a India como «homem de guerra» em 24 de Maio,d'esse anno na não Sam Bento. Foi durante a solidão do carcere que teve conhecimento da primeira Decada de Barros, que evidentemente the prestou os primeiros elementos historicos dos Lusiadas.

A viagem da India foi tempestuosissima, chegando de toda a armada apenas a não Sam Bento a Goa; entrou logo em campanha contra o Chembé, occupando-se em 1554 no doentio cruzeiro no estreito do mar roxo, coincidindo o seu regresso a Goa com as festas da investidura do governo de Francisco Barreto, para as quaes escreveu directamente o seu Auto do Filodemo, satyrisando depois a sociedade que Barreto pretendia reformar, com a sua composicão dos Disparates da India. Barreto, querendo organisar a administração da feitoria de Macáo, nomeou o poeta Provedor-mór dos Defuntos e Ausentes d'essa apartada colonia, cargo que reclamava uma coragem decidida e ao mesmo tempo certa cultura juridica. Camões partiu para Macão em 1556, d'onde regressou ao fim de dois annos debaixo de prisão, "mexericado de amigos,» como elle o declarara a Manoel Corrêa. Du-.

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rante dois annos de Macáo occupou-se a escrever o poema dos Luziadas na gruta que hoje é um monumento, trazendo comsigo seis cantos, que salvou no naufragio soffrido nas costas de Cambodja. Um mais terrivel golpe o esperava em Goa, onde recebeu a noticia da morte de D. Catherina de Athayde, «muito moça no paço»; esteve em prisão até que o mandou soltar o viso-rei D. Constantino de Bragança, passando em Goa o inverno de 1559. O conde de Redondo em 1561 empregou-o no seu despacho, usando por este tempo o poeta a sua influencia em favor do venerando e sabio Garcia d'Orta; o viso-rei D. Antonio de Noronha nomeou-o capitão na sobrevivencia da Feitoria de Chaul, de que não chegou a tomar posse. De 1564 a 1567 é totalmente ignorada a sua vida, suppondo-se plansivelmente que n'este periodo viajara no archipelago das Molucas. O seu poema estava prompto, e um só desejo o affligia, regressar a Portugal, à ditosa patria sua amada. Acompanhou, n'este intuito, Pedro Barreto para Mocambique, onde foi encontrado em 1569 por Diogo do Couto «tão pobre, que comia de ami- . gos»; Couto e outros amigos se cotisaram entre si para trazerem para Portugal na não Santa Clara este principe dos Poetas do seu tempo», como os proprios comtemporaneos The chamavam. A chegada a Lisboa foi a 7 de abril de 1570: Lisboa tinha sido devastada pela peste grande» de 1569, mas o poeta ainda logrou encontrar sua mãe viva «muito velha e muito pobre», como diz um documento official; em 23 de septembro de 1571, obteve Ca

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mões licença para a publicação dos «Luziadas» que so appareceram á luz por julho de 1572. Foi então que se lhe deu uma tença de quinze mil réis pela «habilidade e sufficiencia das cousas da India.»>

O poema provocou contra Camões terriveis malevolencias da parte de outros poetas, como Caminha, Bernardes, Corte Real e Så de Menezes. Na expedição de Africa de 1578, Bernardes foi preferido a Camões para cantor da empreza de Dom Sebastião. Depois da derrota de Alcacer, de 4 de Agosto, Camões viu o futuro da nacionalidade portugueza entregue á traição do Cardeal D. Henrique, e em volta do poeta agruparam-se os partidarios da independencia. Adoeceu então n'esse periodo conhecido na historia pelo nome do tempo das alterações», morrendo em 10 de junho de 1580, ao saber que os exercitos de Philippe п estavam em Badajoz para virem sobre Portugal. «Ao menos morro com a patria,» escreveu Camões ao seu amigo D. Francisco de Almeida, que procurava resistir á invasão castelhana; foi sepultado obscuramente na egreja de Santa Anna, da pobre irmandade dos sapateiros.

O livro dos «Luziadas» tornou-se para os portuguezes o deposito dos germens da sua liberdade, e para Portugal ficou o eterno pregão da historia, o monumento imperecivel do seu passado. Tres gerações passaram, para que a intelligencia portugueza comprehendesse a synthese profunda contida no nome e na obra de Camões-tal é o sentido do jubileo nacional do Centenario de 1880.

THEOPHILO BRAGA.

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As armas e os barões assignalados
Que da Occidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos, e guerras esforçados,
Mais do que promettia a força humana,
E entre gente remota edificaram {
Novo Reino que tanto sublimaram;

E tambem as memorias gloriosas
D'aquelles Reis, que foram

A Fé, o Imperio, e as t dilatando

viciosas

De Africa, e de Asia andaram devastando;
E aquelles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte!!

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Cessem do sabio Grego, e do Troiano
As navegações grandes, que fizeram';'
Calle-se de Alexandro, e de Trajano
A fama das victorias, que tiveram;
Que eu canto o peito illustre Lusitano
A quem Neptuno, e Marte obdeceram :
Cesse tudo o que a Musa antigua canta
Que outro valor mais alto se alevanta!

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