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o Convento de Iguarassú e o do Bairro de Santo Antonio, Ilha dos navios outr'ora.

« Em todas as capitanias (lê-se em um Manuscripto de 1581) ha casas de Misericordia que servem de hospitaes edificadas e sustentadas pelos moradores da terra com muita devoção, em que se dão muitas esmolas, assim em rida como em morte. e s cusam muitas orphans, curam os enfermos de toda a sorte, e fazem outras obras pias conforme o seu institut» e possibilidade de cada uma, e anda o regimento d'ella nos principaes da terra. Ha tambem mulas confrarias em que se esmeram muito, e trabalham de as levar adiante com muito trabalho e devoção. (*)

E convem observar que a existencia de Religiosos, mormente para a reducção e catechese dos Indigenas, era catão adoptada e reclamada como impreterivel necessidade, e que vinham repetidamente não poucos Religiosos de diversas ordens para tal fim; mas faltavam-lhes casas apropriadas e commodas para as suas residencias e pios exercicios. A conveniencia, portanto, e o dever de providenciar a isto dignamente, e ainda a gratidão e deferencia ás diversas Ordens Religiosas, que nos enviavam aquelles seus filhos, venerandos varões apostolicos, produziram a erecção de tantos Conventos, que os mesmos Religiosos com incançavel zelo coadjuvavam e administravam quasi sempre, mediante as pic

(*) Revista trimensal do Instituto Brazileiro n. 24.-Janeiro de 1845.

dosas escolas dos Fieis, com o que esses infatigagaveis Obreiros do Evangelho outrosim estendiam e augmentavam o lustre e influencia de suas Religiões; e, unidos aos Habitantes, bem serviam todos á Humanidade e á civilisação. Notai em fim o animo largo de todos que nos revelam tão grandes e elegantes edificios!

Expulsos os Hollandezes em 1654, a desolação e miseria da provincia em todos os sentidos eram geraes; e apesar disto e de tamanho desfalque da população, ainda a extenuada restante era posta á contribuição de continuadas expedições inilitares para Angola e outras partes, e pecuniarias para a paz com Hollanda, para o dote da Rainha de Inglaterra, para a guerra na Europa de Portugal com Hespanha, e até para a factura de um Caes lá em Vianna. Evidente é pois que ainda no decurso de muitos annos era impossivel emprehender a provincia construcções de edificios publicos profanos e quaesquer commodidades, e melhoramentos materiaes de grande comprehensão e vistas.

Mas, havia em Pernambuco, após a Restauração, quem não chorasse um Pae, um Filho, um Irmão, um Esposo, um Parente, um Companheiro, u Amigo, ceifados pelo ferro estrangeiro? E quão poucos seria tambem os Naturaes, cuja furia não tivesse por igual cahido estragosa e mortifera sobre os Invasores! A saudade mais dolorosa, pois, e a compuncção inclinavam só para Deus os coracões victoriosos. Correo-se de primeiro a reedificar a Cathedral de Olinda e todos os seus Templos incendiados pelos hereges, e res

tabeleceram-se tambem no Recife a Matriz do Corpo Santo, que os Invasores converteram em Mesquita, sepultando n'ella o corpo de João Arneste, irmão de Mauricio de Nassau, e o Convento de Santo Antonio que haviam convertido em Fortaleza. João Fernandes Vieira levanta a Igreja de Santa Thereza em Olinda, André Vital de Negreiros a Igreja e freguezia de Itambé, D. João de Souza a Igreja e Hospital de Nossa Senhora do Paraizo, e Francisco Barretto a celebrada Capella sobre os famosos Guararapes, com a instituição de uma Missa quotidiana pelas Almas dos soldados mortos nas batalhas.

Oh! quanto é pathetica e edificativa a Turma triumphosa que heroica libertou sua Patria do tyranno jugo estrangeiro, prosternada sobre a terra vil ante os Altares, glorificando ao Grande Deus dos Exercitos unico senhor das victorias! Alguns decepados, e pelas atadas feridas de outros manando ainda o liberrimo sangue. Gemendo em mansas lagrimas de amisade, e a mais aguda saudade, os nomes dos mortos parentes e caros companheiros, intrepidos em tantas batalhas gloriosas; suspiradas imagens, que lhes aviva incessante a memoria !... E orando fervorosos pelo descanço eterno das suas Almas !...

O Capitão Cosme do Rego na segunda batalha dos Guararapes foi malferido, e em breves dias morreu dos ferimentos: era irmão de João do Rego Barros. E este edificou tambem a Igreja de Nossa Senhora do Pilar no lugar do Forte velho, que era o sempre memorando de S. Jorge, tão valentemente defendido pelos nossos Maiores

contra as enormes forças invasoras; mas o vinculo de muitos bens que elle instituio na administração d'aquella sua Igreja, dissolveo-se já pela morte do ultimo Administrador. Conservai desvelados e agradecidos esse Templo, Pernambucanos: elle é tambem um cenotafio sagrado, e dos mais tocantes, aos nossos inclitos Avós.

Devemos ainda recordar que apesar de tanta pobreza e desbaratos, apesar da prompta applicação ás obras e reconstrucção das Igrejas e Conventos, as seculares não foram esquecidas ou negligenciadas. Se a todos aquelles e outros reparos, e novas e mais sumptuosas edificações ecclesiasticas, como a da Cathedral de Olinda, não acompanhou logo a reedificação da mesma cidade, ella não esperou pela conclusão d'aquellas outras para ter então algum principio. Olinda foi incendiada pelos Hollandezes, de sorte que unicamente isentou-se das chammas uma casa terrca; e Mauricio de Nassau acabou de a demolir, e conduzio-lhe os destroços para edificações no Bairro hoje de Santo Antonio, da cidade do Recife. Depois da restauração, erguida Olinda das cinzas, no dia 11 de Novembro de 1664, em que como tal foi apresentada, não faltaram salvas e prazeres a festejar-lhe a refulgente ressurreição.

João do Rego Barros edificou tambem á direita da Igreja do Pilar uma casa nobre em que habitou, e por sua morte persistiram alguns dos seus descendentes por longos annos. Arruinou-se

e já não existe. Para esta edificação, bem como a da Igreja do Pilar precedeu, pelo Governador da Capitania, a concessão de duas sesmarias do

terreno, a requerimento do mesmo João do Rego Barros,

Temos exposto quanto, depois de muitas diligencias e annos, alcançamos emfim saber acerca d'este Pernambucano, do qual ainda os documentos que seguem revelam algumas outras particularidades interessantes.

A musa Olindense, quando vivo o respeitavel João do Rego Barros, ou hoje entrevendo mistica os seus manes, podera, elogiando-o, concluir :

Que des vertus héréditaires
A jamais ornent ce séjour !
Vous avez imité vos peres:
Qu'on vous imite a votre tour.
Loin ce discours lâche et vulgaire
Que toujours l'homme dégénère,
Que tout s'épuise et tout finit :
La nature est inépuisable,
Et le travail infatigable
Est un dieu qni la rejeunit.

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