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em Maranguape, de sorte que acharam nella apenas uma pipa de vinho; foi tripulada, para cruzar contra o inimigo. E, tendo deixado Smiendt, com o seu barco, o Tijger, o Pegasus e o Campen, voltou no dia 22 de Novembro ao Reciée, trazendo quatro prisioneiros.

No dia 25, á noite, foram collocadas quatro companhias de fuzileiros em emboscada, para apanhar alguns prisioneiros; mas o capitão Cloppenburgh aprisionou apenas um capitão, chamado Stevam Alves e mais dous soldados. No dia 26, chegou da Republica o Wassende Macn, com uma companhia de soidados, sob o commando do capitão Petri Jacobus.

Convem dizer aqui, para não deixarmos de lado os feitos dos nossos navios, que o yacht Vos trouxe no dia 6 de Outubro uma presa, carregada com pannos em fardo, na maior parte tecidos simples de linho e outros estofos.

No dia 1o de Dezembro, entrou no porto o Wappen van Hoorn com 140 caixas de assucar, que capturara numa barca vinda de Alagoas. Os srs. delegados, nessa época, começaram a povoar a ilha de Itamaracá, colocando nella dous francezes, mandados da Republica para se estabelecerem na ilha de Fernando de Noronha, e um soldado casado com uma natural do paiz, e especialmente o indio Mossocara, chefe da aldeia Tabusseram, situada na costa septentrional, o qual viera ter com os nossos, junto com 20 ou mais dos seus subditos; e, para defender esses habitantes conra o inimigo, montou-se um reducto na extremidade norte, o qual foi occupado por 21 homens. Depois disso, como agora viessem varios navios, trazendo soldados e outras

essarias, assim como o pequeno yacht Bonte Kraye, com a noticia de que vinham ainda varios navios, os srs. delegados, para não perder tempo, resolveram emprehender a expedição ao Rio Grande, que em varias cartas da Republica diziam ser imprescindivel. Para essa expedição, foram mandados os seguintes navios e yachts: Overijssel, como almiranta ;Ter-L'eer, como vicealmiranta; Vleer-muys, como sota-almiranta; o Campen; o yacht Pernambuco, Naerden, Pegasus, Leeuwerck, Spieringh, de Vos, Ceulen; e as seguintes conpanhias dos srs. delegados, com 100 homens; a do tenente-coronel Bijma, forte de 118 homens; a do major Cloppenburgh, com 100 homens; a do major de Vries, çom 80 homens; a do capitão Fredrick Maulpas, forte de 90 homens; a do capitão Taillor, com 100 homens; a do capitão Garstman, com 120 homens; a do capitão Hendrick Fredrick, chamado Monsveldt, com 100 homens. Contava ao todo 808 homens, e, além disso, ia provida de todas as especies de aprestos e de viveres para 9 semanas, tanto para os marinhiros como para os soldados.

Com essa esquadra e tropas, o sr. director delegado Mathias van Ceuleni, bem como o tenente-coronel Bijma, o conselheiro politico Servaes Carpentier e o commandeur da costa do Brasil, Jan Cornelisz. Licht-hart, fizeram-se á veia do porto de Pernambuco, no dia 5 de Dezembro, á tarde, levando, além dos referidos navios, tres botes grandes á vela e a chalupa Duysent-been. Encontraram no dia 7, nas proximidades de Mamanguape, o commandeur Smient com o Tijgher; como esse commandeur era muito conhecedor da costa norte do Brasil, levaramno comsigo, e mandaram o Tijgher a Mamanguape, para ver o que havia lá dentro. Tendo agora quasi chegado ao seu destino, deliberou-se onde seria melhor

Colisas necess

desembarcar a tropa, porque não acharam prudente passar pelo forte, ao forçar a barra com os navios tão cheios de gente, e julgaram mais conveniente desembarcar em Ponto - Negro. Mas, como dalli era muito longe do forte, para se transportarem todas as especies de artigos bellicos e viveres, foi resolvido unanimemente que o commandeur Licht-hart, como o Overijssel, Ter-l’eer, de l'leermuys, Campen, Pernambuco, Lecuwerck, Spieringh, e Ceulen, entrasse no rio até acima do forte; e Smient, com o l'os, Naerden e o seu bote, ficasse fóra, para

impedir que o inimigo soccorresse o forte ao longo da costa, com barcas, ou de qualquer outra firma.

Havia ainda uma difficuldade, a saber: que os navios que tiveram ordem de entrar, levaram mais soldados do que podiam desembarcar depressa, porque de Ponto Negro havia ainda duas leguas de navegação até ao rio, e a preamar era ás 10 e 12 da manhã, ao que deviam attender, quando investissem a barra; mas o Windt-hondt, vindo ter inesperadamente com elles, fez desapparecer essa difficuldade, e collocaram tanta gente naquelle yacht que tinha de ficar fóra, que o resto podia ser transportado numa viagem só. Logo que todos os navios estivessem dentro, os que levavam a companhia do major de Vries deviam ir desembarcal-a ao lado norte do rio, para tomar ao inimigo um riacho de agua doce, que sabiam existir alli e onde os do forte tiravam a agua.

O tenente-coronel Bijma, que commandava as tropas, estabeleceu a ordem em relação ás forças e determinou a fórma em que deviam marchar. No dia seguinte, pela manhã, avistaram Ponto Negro e tomaram o rumo para lá, e, perto das sete horas, depois de feitas as orações, o sr. van Ceulen, o tenentecoronel e o conselheiro politico Carpentier embarcaram-se na chalupa Duysentbecni, e os navios, que tinham de entrar, passaram as forças para os pequenos transportes. () commandeur Licht-hart investiu a barra do Rio Grande, com un vento fresco de léste. Ao avistarem os navios, os do forte começaram a atirar; os nossos, entretanto, avançando e chegando ao alcance do forte, fizeram-lhe um fogo nutrido, não lhe dando tempo de descarregar os canhões tanto quanto desejava.

Abaixo do forte estavam duas caravellas, cujos tripulantes, vendo os nossos entrar tão resolutamente, fugiram, pelo que o commandeur Licht-hart mandou immediatamente o Spieringh e o Ceulen abordal-as e trazel-as; e esses vasos executaram tão depressa a ordem, que as caravellas foram levadas para dent: 0 do rio ao mesmo tempo que os nossos navios. O commandeur fôra tambem encarregado de desembarcar a companhia, que estava em seus navios, no ponto mais conveniente do lado do norte; mas, achando-se agora dentro e vendo a situação, achou ser aquillo desnecessario, pois era possivel, com os botes, impedir o inimigo de ir buscar agua. Achou, portanto, mais conveniente desembarcar no lado do sul; mas, como era apenas uma companhia, elle fez armer cerca de 150 marinheiros com mosquetes e arma branca; desembarcando com essa gente, marchou direito para o forte, afim de tomar ao inimigo um poço de agua, existente sob a duna situada em frente daquelle, e impedir que lá entrasse mais pessoa alguma; e postou-se junto ao poço.

Nesse interim, a outra força, desembarcada pelas 11 horas na enseada

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atrás do lado norte de Ponto Negro, viu, antes de começar a desembarcar, dous ou tres portuguezes a cavallo, com alguns negros, os quaes immediatamente desappareceram, e depois não viram mais pessoa alguma.

Parece, todavia, que o inimigo receara que os nossos mais cedo ou mais tarde fossem alli, pois tinha montado uma trincheira ao longo de toda a enseada, na qual se havia de desembarcar; e, como a praia é cercada por uma terra elevada de cerca de dous piques de altura, ingreme para escalar-se e ascendendo dalli para os montes mais altos, e a trincheira estava na primeira elevação do terreno, o inimigo, collocando-se alli, poderia causar grande obstaculo ao desembarque dos nossos.

Estando todos desembarcados, avançaram na seguinte ordem: a companhia do tenente-coronel e a do capitão Maulpas iam na vanguarda; as dos srs. delegados e a do capitão Gartsman, 110 centro; e a do major Cloppenburgh e Taillor, na retaguarda. Mantiveram-se á distancia de dous tiros de mosquete da praia; depois, como o caminho se tornasse estreito e impraticavel na enchente da maré, marcharam mais para o interior, e seguiram por uma estrada onde havia trincheiras. Chegando a uma altura, viram uma véla que vinha do mar e se dirigia para os nossos navios, e calcularam ser o Pegasus, com a companhia de Mansveldt, que tinha de vir de Itamaracá, afim de reunir-se á esquadra; mas não esperaram por ella, e marcharam para deante. Era um dia muito quente, o caminho muito fatigante, passando-se por altas dunas de areia e seguindo-se a maior parte por uma planicie, a qual, por ser cercada daquellas, não permittia o refrigerio da brisa. Durante as duas horas de marcha, não encontraram agua dôce, de sorte que alguns, devido á marcha forçada, estavam tão extenuados, que tinham de esperar pela retaguarda; chegaram assim, sem encontrar pessoa alguma, até quasi á pequena cidade. Nesse ponto, havia uma casa numa collina, donde o inimigo, por sua desgraça, deu alguns tiros, pois de outra forma os nossos seguiriam direito para o forie, sem ir alli; foi mandado, portanto, um sargento, com 20 ou 30 homens, que o expulsaram de lá, e conseguiram bom espolio, o qual, se não fosse atacado, poderia ter sido levado pelo inimigo.

Pclas tres horas da tarde, chegaram á villa chamada Natal, onde o tenent2coronel deixou uma parte da tropa e marchou com o resto para o forte, o qual estava ainda a uma hora de marcha; e seguiram até verem a nossa gente junto á duna perto do forte, e, havendo-a reconhecido, acamparam juntamente por detrás daquella e mandou-se chamar a força que ficara na villa, a qual chegou ao acampamento ao pôr do sol. Nesse interim, o tenente-coronel foi fazer uma exploração do forte e do campo circumvizinho; o acampamento estava á distancia de tiro de arcabuz do forte, mas defendido contra o mesmo pela duna. O inimigo atirou continuamente com canhão e mosquetes, nossos responderam-lhe de detrás da collina, com mosquetes; á tarde, o sr. van Ceulen foi ao Oi'crijssel. O inimigo deu alguns tiros contra os navios, e do Overijssel fizeram alguns disparos, atravessando as casas do forte; o inimigo atirou uma bala, que bateu no castello de popa daquelle navio e num balde du

e

os

agua, levantando e atirando estilhaços, que foram lançados sobre o rosto do sr. van Ceulen e de alguns officiaes de marinla, que estavam perto delle, mas sem causar-lhes damno.

Nessa mesma tarde, deram ordem para pôr em terra os morteiros, granadas e bombas, com outras munições de guerra, pois queriam utilizar-se dellas pela manhã. A' noite, avançaram bastante com approxes para o forte, de sorte que no dia seguinte atiraram violentamente com mosquetes contra o inimigo, e este lhes respondeu egualmente com canhão. Os nossos trouxeram duas colubrinas de bronze para terra, atirando cinco e seis libras de ferro, e deram alguns tiros com ellas da praia contra o forte, sem construir bateria. Já havia opportunidade para os morteiros, de sorte que nesse dia mesmo foram lançadas seis granadas, mas nenhuma cahiur dentro do forte; e, como a duna tinha pouco mais ou menos a altura do forte, mandaram fazer uma bateria sobre a mesma, e, para trabalharem nella mais depressa, desembarcaram á tarde 60 marinheiros. No dia seguinte, o inimigo atirou, ainda mais fortemente, com canhão e mosquetes. Os nossos não tinham trazido canhão, a não ser os que existiam nos navios, mas felizmente foram encontrados nas duas caravellas não sómente dous bons de bronze, atirando 18 libras de ferro, mas tambem as suas carretas, de sorte que immediatamente se arranjou meio de desembarcal-os e montal-os em uma bateria, proximo aos morteiros; depois do meio-dia, foram atiradas quatro granadas, mas apenas uma cahiu dentro do

forte.

A' tarde, foram mandados para sua terra, com alguns presentes, os emmissarios dos tapuias, que já estavam a tempo com os nossos, para communicar a sua chegada e convidar os selvagens a vir ter com elles, afim de se juntarem ás forças e expulsarem do paiz os portuguezes.

A’ noite, trabalhou-se com ardor nas tres baterias, preparando os gabiões, os quaes ficaram levantados e cheios de terra; foram depois trazidos os canhões, de sorte que pela manhã estavam na maior parte promptas as baterias.

No dia seguinte, fizeram intimação ao forte por um tambor; mas o governador Pedro Mendes de Gouveia respondeu cortezmente que recebera o forte do rei seu senhor, e mil vezes preferiria morrer do que entregal-o a outrem.

Depois de meio-dia, começaram os nossos a disparar os canhões das tres baterias, e os artilheiros foram tão activos e certeiros, que, após tres horas de canhoneio, algumas setteiras do forte ficaram tão arrebentadas, que os seus canhões se achavam descobertos e outros completamente desmontados.

Pararam então um pouco com os tiros, mas ás quatro horas recomeçaram a atirar tão a miudo que os parapeitos de dous baluartes principaes estavam em ruinas e a guarnição ficava exposta. De quatro granadas, uma cahiu no meio do forte e viram-se-lhe as pedras e estilhaços subir ao ar; ao escurecer, pararam com o canhoneio. () inimigo, nesse interim, não deu um tiro de canhão e apenas poucos de mosquetes.

A noite, foram ainda conduzidos para terra dous canhões, atirando 12 libras de ferro, com os seus pertences, para serem collocados noutra duna,

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donde se podia causar grande damno ao inimigo; e montaram-nos tão depressa, que, antes de amanhecer, já estavam apparelhados a prestar serviço.

O tenente-coronel tinha, durante toda a noite, feito alarma en todas as direcções, como se os nossos quizessem escalar o forte. Ao amanhecer, o inimigo mandou um homem com uma carta procurando parlamentar; a carta não era assignada pelo capitão, de sorte que não queriam acceital-a, mas o portador asseverou aos nossos que as condições, não obstante, seriam mantidas. O capitão Maulpas foi mandado ao forte, e veiu dalli um capitão, com seu ajudante, para fazer as negociações, e ajustou-se o seguinte: que todos os soldados poderiam sahir com o seu armamento e bagagem e que se lhus mandariam botes para desembarcal-os rio acima en Potengi, ou para qualquer outro logar que desejassem; que entregariam o forte com todas as suas milnições de guerra, artilharia, polvora, etc., que estivessem dentro, e deixariam as bandeiras que lá se achassem. Declaravam que o accordo era feito pelos officiaes porque o capitão-mór estava ferido mortalmente; e estava assignado pelo capitão Sebastião Pinheiro Coelho.

As condições ainda foram melhoradas a pedido delles, e, tendo sido entregues as chaves, foi o forte occupado pelas companhias dos srs. delegados e do tenente- coronel, e a gente do inimigo foi transportada nos botes, depois de se lhe tomar um sacco de polvora, que cada um pretendia levar sob fórma de bagagem e contra o que fora ajustado. Deram um cirurgião ao capitão-mór, que estava gravemente ferido.

Havia ao todo, lá dentro, 86 homens, havendo partido os quaes, fez-sc uma oração em acção de graças na capella do forte. Desse modo os nossos em pouco tempo e tão facilmente se apossaram da praça, a qual os portuguezes julgavam quasi inexpugnavel pela sua situação e fortificações.

No dia seguinte, os canhões foram reembarcados e as baterias arrazadas; e foram mandadas duas companhias a Genipabo, onde a nossa gente havia estado havia dous annos, para ver se podiam obter algumas rezes.

No forte, foram encontrados nove canhões de bronze e 22 de ferro, 46 barriletes de polvora fina, cada um de 60 libras, além de 112 balas de varios tamanhos, mas a maior parte de cinco, seis e oito libras, e um commodo occupadu por farinha e outros generos e por artigos bellicos.

As duas companhias, voltando de Genipabo á tarde, trouxeram 35 rezes, entre as quaes muitas vitellas, que foram distribuidas entre as tropas e tripulações dos navios.

Ao meio-dia, o tenente-coronel, com todas as companhias (exceptuando a de Maulpas), foram acampar na villa de Natal, para alli penetrar melhor no centro e mandar expedições para todos os lados.

A’ tarde, escolheu 30 homens de cada companhia e mandou-os, sob o commando do major Cloppenburgh, junto com o capitão Taillor e Cornelis van Exel, capitão-tenente da sua companhia, a um engenho, onde se soube que o inimigo se reunia; esses homens foram transportados em tres grandes botes a vela e quatro botes dos navios até ao caminho de Potengi. Desembarcando

A. B. 38

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