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Relatorio da Mesa da Inquirição estabelecida em Inglaterra para indagar

as circumstancias da Convenção de Cintra

(Freitas. - Biblioth. hist. pol. e dipl., tom. 1.o, pag. 260.)

Jorge Rei. Como quer que fossemos servido, no mez de Julho de 1808, nomear e constituir ao Tenente-General Cavalleiro Hew Dalrymple para commandar hum corpo das nossas forças empregadas a obrar nas costas de Hespanha e Portugal, ou em outras partes do continente da Europa para onde fosse mandado; e como o dito Tenente-General, em consequencia das instrucções que se lhe mandaram, foi a Portugal e desembarcou naquelle paiz aos 22 de Agosto de 1808, e tomou o commando do dito corpo das nossas forças: E como pareça que aos 22 do mesmo Agosto, e subsequentemente ao haver elle tomado o commando, se concluiu o seguinte armisticio:

(Segue aqui o armisticio que está a pag. 30)

E como pareça que aos 30 de Agosto se concluiu huma Convenção na fórma seguinte:

(É a que está a pag. 44)

Julgamos necessario que se estabeleça huma inquirição, feita pelos Officiaes Generaes aqui mencionados, sobre as condições do dito armisticio e Convenção, e sobre todas as causas e circumstancias (quer se originassem de operações prévias do exercito britannico, quer de outra maneira) que conduziram a isto; e sobre a conducta, comportamento e proceder do dito Tenente General Cavalleiro Hew Dalrymple e de todo o outro Official ou Officiaes, que possam haver tido o commando das nossas tropas em Portugal, e de toda a outra pessoa ou pessoas que tenham connexão com o dito armisticio e Convenção, em ordem a que os ditos Officiaes

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4808 Generaes possam informar-nos relativamente ás sobreditas Novembro materias, para nossa melhor informação. He portanto a nossa vontade e prazer nomear, e por esta nomeamos aos Officiaes Generaes do nosso exercito cujos nomes se mencionam na lista annexa, para que constituam huma Meza, da qual nomeamos Presidente ao General Cavalleiro David Dundas, e que devem ajuntar-se para o dito fim. E por esta sois vós requerido a noticiar aos ditos Officiaes Generaes quando e onde se devem ajuntar para o dito exame e inquirição; e por esta sois dirigido a citar as pessoas que se julgarem necessarias pelos ditos Officiaes Generaes (ou sejam Officiaes Generaes empregados na expedição ou outros) para dar informação relativamente ás ditas materias, ou cujo exame for pedido pelos que foram empregados na dita expedição. E os ditos Officiaes Generaes são por esta ordenados que ouçam aquellas pessoas que se offerecerem a dar informação a respeito do mesmo, e ficam autorisados e com poder, e são estrictamente requeridos a examinar as ditas materias acima mencionadas e a referir o estado dellas, como lhes parecer, com a sua opinião sobre isto, e tambem com a sua opinião, se se devem tomar algumas, e quaes medidas ulteriores sobre isto; tudo o que vós transmittireis ao nosso Commandante em Chefe, para ser por elle apresentado á nossa consideração. E para o cumprir assim, tanto vós como os ditos Officiaes Generaes e todas as mais pessoas que, nisto tiverem parte, servirá este decreto de segurança sufficiente.

Dado na nossa Côrte de S. James a 1 de Novembro de 1808.

Por ordem de Sua Magestade.

(Assignado) James Pulteney.

Ao nosso muito fiel e amado Conselheiro o honrado Ricardo Rider, Auditor das tropas ou seu Deputado.

Officiaes nomeados: Presidente, Cav. David Dundas; Membros: Conde de Moira, Pedro Craig, Lord Heathfield,

Generaes; Conde Pembroke, Cav. G. Nugent, Oliveiro Nichols, Tenentes Generaes.

Nós os infra-scriptos, Officiaes-Generaes do exercito, em obediencia do decreto de Vossa Magestade datado do 1.o de Novembro de 1808, que nos mandava inquirir estrictamente a respeito das condições de huma'suspensão de armas, concluida aos 22 de Agosto de 1808 entre o exercito de Vossa Magestade em Portugal e a força franceza naquelle paiz, e tambem a respeito de huma Convenção definitiva concluida como General francez Commandante aos 31 do mesmo Agosto, e tambem a respeito de todas as causas e circumstancias (quer se originassem em operações prévias do exercito britannico, quer de outra maneira, e a ella conduzissem) e a respeito da conducta, comportamento e procedimentos do General Cav. Hew Dalrymple, e de tal outro Commandante ou Commandantes das forças de Vossa Magestade em Portugal, e de qualquer outra pessoa ou pessoas, em tanto quanto as mesmas tiverem relação com o dito armisticio, suspensão de armas e Convenção, e de referir a Vossa Magestade o estado da mesma, como apparecerá. juntamente com a nossa opinião sobre isso, e assim tambem a nossa opinião, se devia haver algum e qual procedimento ulterior sobre isto: Nós, em varias sessões, lemos e consideramos as ordens e instrucções de Vossa Magestade, que nos foram transmittidas pelo muito honrado Lord Castlereagh, principal Secretario de Estado de Vossa Magestade, juntamente com varias cartas e outros papeis; e temos ouvido e examinado o Tenente General Cavalleiro Hew Dalrymple, Cavalleiro Harry Burrard e Cavalleiro Arthur Wellesley e outros Officiaes principaes empregados na dita expedição, com aquellas testemunhas que elles requereram, e tambem outras pessoas que melhor nos pareceram poderiam dar informações essenciaes; e em ordem a que Vossa Magestade possuisse plenamente todas as circumstancias que appareceram no decurso desta inquirição, nós pedimos licença para pôr na presença de Vossa Magestade o todo dos nossos exames e

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procedimentos, juntamente com este relatorio; e depois da mais diligente e cuidadosa revista de toda esta materia, nós. em obediencia das Reaes ordens de Vossa Magestade, humilissimamente referimos a Vossa Magestade:

Que parece que nos principios do mez de Maio de 1808 se ajuntou cerca de Cork huma força mui consideravel, destinada para o serviço estrangeiro (fóra da Inglaterra), cujo commando se imagina era destinado para o Cavalleiro Arthur Wellesley. Que no mez de Maio succedeu levantar-se na Hespanha huma resistencia universal e inesperada contra a tyrannia franceza. Que se requereu a assistencia da Gram Bretanha, e que o Governo, com a universal concorrencia do paiz, determinou o dar o mais effectivo adjutorio á Hespanha e Portugal, que então tambem se achava em commoção.

Parece que, em consequencia desta determinação, o Major General Spencer, antes de se render a frota franceza em Cadix, estava defronte daquelle porto com cerca de 5:000 homens, mandados de Gibraltar pelo Cavalleiro Hew Dalrymple. Não havendo o seu adjutorio sido requerido, procedeu elle para a embocadura do Tejo, com as vistas de ajudar a frota do Cavalleiro Carlos Cotton a forçar a sua passagem, havendo sido representado que não havia nos fortes e vizinhanças de Lisboa mais do que 4:000 homens. Porém, estando o General Spencer defronte do Tejo (24 de Julho) foiThe referido pela mais autorisada informação que podia obter, que o inimigo tinha em Lisboa e seus arredores 11:000 homens, e 2:500 em Setubal, leste de Portugal e outras partes. Nesta situação não podia ter logar o ataque que se intentava fazer, e o General Spencer voltou para Cadix e Gibraltar.

Parece que aos 14 de Junho se pediu ao Almirantado providenciasse hum comboy para dar á vela de Cork com as tropas, que então estavam esperando por ordens e chegada do Tenente General Cavalleiro Arthur Wellesley, nomeado para este commando.

Aos 31 de Junho o Lord Castlereagh informou ao Caval

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leiro Wellesley, que as noticias de Cadix eram más e o General Spencer estava de volta para Gibraltar, e que o Gabi- Dezembro nete pospunha as instrucções que tinha de dar-lhe, até que soubesse mais alguma cousa. Aos 28 de Junho o Lord Castlereagh informou o General Spencer, que então se suppunha em Gibraltar, de que o Cavalleiro Wellesley com 9:000 homens tinha ordem para sahir de Cork e obrar com o corpo delle (Spencer) a bem da nação hespanhola. Portanto devia elle ir com o seu corpo para defronte de Cadix e esperar pelo outro, e entretanto aproveitar-se de qualquer circumstancia que se offerecesse de obrar com vantagem, mesmo dentro do estreito.

Parece que aos 12 de Julho se fez à vela de Cork o Tenente General Wellesley com 9:000 homens, sujeito ás instrucções de 30 de Junho, que mandavam geralmente ajudar a nação hespanhola e principalmente atacar os Francezes no Tejo; porém ia autorisado, ao seu entender, para proseguir outro qualquer objecto que melhor parecesse conduzir para o bem das duas nações, e (pelas instrucções de 15 de Julho) esforçar-se, no caso de ser possivel, não somente em repellir o inimigo de Lisboa, mas cortar-lhe a sua retirada para a Hespanha. Elle chegou á Corunha aos 20, communicou com a Junta de Galliza, a qual desejou que as tropas se empregassem em expellir os Francezes de Portugal, e lhe recommendou desembarcar naquelle paiz (aos 26 foi isto communicado ao General Spencer); deu á vela da Corunha e foi para o Porto (deixando a frota defronte do Cabo de Finisterre); chegou aos 24, e pediu-lhe o Cavalleiro Carlos Cotton que deixasse as tropas no Porto ou bahia do Mondego, e viesse ao Tejo communicar com elle. Teve huma conferencia com os Generaes e Bispo do Porto sobre a disposição da sua força. O Bispo prometteu mulas ou outros meios de transporte, e tambem huma sufficiente quantidade de gado para matar.

Parece que o Cavalleiro Wellesley den á vela do Porto aos 25 de Julho, ordenou aos transportes que fossem para o Mondego, foi adiante e ajuntou-se com o Almirante defronte

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