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e outros dos seus Leitores, e Correctores, tratão tambem com especialidade deste objecto; e se póde vêr ao mesmo respeito Vaynes nas palavras-Accolade-AntilambdaAntisigma—Ancre― Asterisque

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Cancellation-Cerau

Lemnisque-Diple-Obele-Parafe

-Paragraphe Parenthese-Trait.

Verificação dos Documentos ou exame de Perítos (1)

Tendo corrido o dilatado campo da Paleografia, parece opportuno neste lugar reflectir sobre a insufficiencia do meio, que tantas vezes tem lugar no foro, para determinar a verdade, ou falsidade de algum Documento. Se tantos principios deve ter presentes hum bom Paleografo, para julgar pelo caracter da letra da verdade de qualquer Documento, ou Monumento, e com tudo esses lhe não bastão, pois esta he só huma das partes da vasta sciencia Diplomatica; como se póde confiar de hum mero Escrivão, ou Tabellião, o exame de qualquer Documento antigo sem outros principios que a sciencia de lêr, e escrever? O officio mesmo de Verificador vulgar, ou Perito, pede outros principios; e o seu patrimonio deve ser mais restricto do que delles se confia. Esses mesmos principios são tão falliveis, que esta prova judicial apenas póde ter lugar em bem poucas circumstancias (2). Podem lêr-se as judiciosas reflexões de Vaynes a este respeito no Tom. 1. p. 493 e seguintes; e bastará lembrar que tendo-se talvez em vista as mesmas considerações, não só se suppõe a necessidade do estudo Diplomatico nos Tabelliães, Officiaes e Escriturarios do R. Archivo, e se buscou pro

(1) Vaynes Tom. 1. p. 493.

(2) Vej. Filippin. Liv. 3. tit. 52. in principio v. por comparação de letras.

mover no Alvará de Regulamento da Cadeira de Diplomatica Portugueza; mas se inculcou aos Tribunaes, e Ministros do Reino o voto do Lente della, como opportuno para todas as questões que respeitassem á genuidade dos Documentos antigos, ou á sua interpretação. Assim se praticou em Hespanha no seculo passado no celebre Processo dos Falsarios de Granada, ouvindo-se os pareceres de Meriño, e Bayer, como se vê a fol. 78 e 192. e seguintes do Extracto do mesmo Processo, impresso em Madrid no anno de 1781.

Resta ainda lembrar huma cautela pratica sobre a leitura das Inscripções (1). Offerecendo-se a cada passo copias, tiradas com pouca exactidão sobre os originaes, para serem lidas, pede a prudencia não se expor qualquer Perito a pertender decifra-las. Se esta advertencia tivessem tido os Novos Diplomat. com muitas das Inscripções que produzirão nas ultimas Estampas do seu Tom. 2. e 3. (2) tiradas de Nassarre, das que a este tinhão sido communicadas de Portugal por D. Francisco de Almeida (e que basta só ve-las nas mesmas Estampas, ou nas de Nassarre, para se persuadir qualquer da sua pouca exactidão), não terião feito dellas huma lição tão inepta, como alheia das suas luzes Paleograficas, tão transcendentes, e tão reconhecidas. Muitas outras se tem impresso com iguaes defeitos em diversos Reinos, e no nosso; e ácerca dellas se faz tão necessaria a mesma cautela, como indispensavel a mais escrupulosa exactidão em as copiar sobre os originaes; o que nunca pode esperar-se de

(1) Vej. Instit. Antiquario-Lapidaria Liv. 3. Cap. 1-5. Memoria sobre a Inscripção do Mosteiro de Vairão no Tom. 5. das de Literatura da Academia Real das Sciencias de Lisboa p. 421.

(2) Tom. 2. Est. 29. Espec. vII. Est. 30. Espec. 1. n. 11. Est. 31. Espec. 1. n. 4. Est. 32. Espec. 7. e Espec. 10. n. 2. Est. 33. Espec. 5. e Tom. 3. Pl. 71.

quem não tiver muitos conhecimentos, mesmo praticos de Paleografia, e até de Diplomatica.

Não se faz menos indispensável para a leitura de qualquer Monumento, e Documento, o conhecimento perfeito da Lingua em que está escrito, e igualmente da materia de que trata. Se os Novos Diplomat. soubessem o Idioma Portuguez, não terião lido algumas das Inscripções, de que acabamos de fallar, com tão indesculpaveis erros, como tambem o Exemplo Esp. 5. da Lam. 71. do seu Tom. 3. Se em D. Christovão Rodrigues, e Mcriño, se não verificasse igual falta, não teria feito aquelle a leitura que fez da Est. 93. 175. e 178. que dellas apparece, e Meriño se não teria tambem equivocado na leitura das suas Lam. 49. e 50: e as deixarião antes intactas, como fez o mesmo Rodrigues ás suas Est. 169. até 174. 176. 177. 179. e 180. todas Portuguezas.

O mesmo Meriño se fosse Jurista de Profissão, não se teria equivocado, lendo o n. 4. da sua Lam. 24: e se tivesse uso dos Processos da Rota Romana, e seus estilos, menos se enganaria, lendo a sua Lam. 53. Finalmente, para não amontoar exemplos, se D. Antonio Caetano de Sousa tivesse reflectido na formula tão frequente nos nossos antigos Diplomas, e mais Documentos-Venit ad Curiam nostram Curia Domini Regis não teria deixado de lêr a palavra-Curiale tão clara nos Sellos do Senhor D. Duarte, D. Affonso V. e D. João II. (n. 60— 63., aliàs 62. e 67., nas suas Est. M e N do Tom. 4. da Hist. Genealogica) com a qual os mesmos Sellos se qualificão: S. Curiale, isto he, Sello da Curia ou Corte d'ElRei.

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Advirto finalmente que achando-se algumas Inscripções summamente obscuras pela qualidade da pedra, ou outra materia, sobre que forão lavradas, e pela diuturnidade do tempo, he talvez o meio mais opportuno de as lêr, sendo os caracteres em concavo, encher estas de hu

ma argamaça de differente côr, ou tira-las por impressão em gesso, posto na devída consistencia; pois só assim se não perde o mais pequeno rasgo, de que ás vezes depende a sua exacta leitura; ou pondo-se-lhes em cima hum papel, estando o lugar das letras levemente molhado, comprimindo sobre elle o papel, e depois pintando as letras com tinta.

Do uso da Letra Gothica, Semigothica, e Franceza,

pelos Cartorios dos Mosteiros

de Pedrozo, Pendorada, e S. Bento de Ave Maria do Porto.

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