Parnaso Lusitano: ou, Poesias selectas dos auctores portuguezes antigos e modernos, illustradas com notas. Precedido de uma historia abreviada da lingua e poesia portugueza, Volume 6,Deel 1

Voorkant
J. P. Aillaud, 1826

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Pagina 26 - Para o altar-mór, onde se reveste, Onde, como costuma, em contra-baixo, Sem saber o que diz, a missa canta. Toda aquella manhã uma só benção Sobre o povo não lança ; antes confuso, Em profundo silencio á casa torna, Onde, logo a conselho convocando Toda a grande familia, assim lhe falla: «Amigos, companheiros, que o Destino Fez de meu mal, e bem participantes, O caso sabereis mais execrando, Que até hoje no mundo se tem visto. O Deão...
Pagina 59 - Guardando, em doce paz, o seu rebanho, Eleito foi juiz do grande pleito, Que Juno e Palias, entre si com...
Pagina 65 - D'esturro então sorvida uma pitada, O habito sacode, aos sobacos Alça o cordão, arrocha-o na casola, E de papo ao deão assim responde: «Esse que...
Pagina 65 - Undivago correu por longos mares, Vendo de muitas gentes as cidades, As varias artes, os costumes varios, Até que levantou, na foz do Tejo, A rainha do mar, Lisboa invicta ...» — Ó grande fundador da minha patria ! (Aqui brada o Deão) se mãos tiveras E se pernas e pés te não faltaram, Os pés e mãos, humilde, te beijára ! Mas se manco e maneta aqui te vejo, E á franceza vestido, a mal não hajas Que á franceza te beije a fria face.
Pagina 57 - De tanto pezo pois (lhe volta o Lara) É, Padre-Jubilado, por ventura, O saber o francez, que disso alarde Fazer quizessem vossas Reverencias? Por acaso, sem esse sacramento, Não podiam salvar-se, e serem sabios? Pois aqui, em segredo, lhe descubro, Que o francez, para mim, o mesmo monta, Que a lingua dos selvagens Boticudos.
Pagina 104 - Em quanto tu, no collo recostado Da prezada consorte, entre os seus mimos, Do bispo e do deão te estavas rindo. A alegria reinava em toda a meza; Mil chistes, mil apodos, mil...
Pagina 4 - A cuja vista as musas espantadas, Largando os instrumentos, se esconderam Longo tempo nas grutas do Parnaso.
Pagina 31 - Que a pia d'agua benta se mudava; Outros, cheios de gosto presumiam Que para se vender mais caro o trigo, Que no commum celleiro se guardava, Algum celeste arbitrio se encontrara. Mas o famoso Bastos d'outra sorte Comsigo discorria: «Certamente, Para nos distinguir da baixa plebe Dos vis beneficiados, d'esta feita (E como se ufanava!) se nos manda Que de verde forremos as batinas E que chapéo azul, com borlas brancas Tragamos na cabeça.
Pagina 93 - Verte em máo portuguez do Tridentino; Com o que, e repetir alguns exemplos Da longa jesuitica syntaxe, Passa entre os seus por homem consummado, Bom juiz de sermões e pregadores, Apesar do atrevido Casadinho, Que, por ser o barbeiro do prelado, Arrogar este cargo a si pretende.
Pagina 65 - Se eu algum dia for eleito bispo, Como esperar me Ia/ o régio sangue De Lara que nas veias me circula, Já, desde aqui, meu padre, lhe prometto Que estes sermões desterre do bispado;. E se n'elle inda achar quem tenha o flato De pregar, lhe darei prompto remédio: Mandarei que, cumprindo seus desejos, Vá pregar aos hereges e gentios, Que o prémio...

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