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OXFORD

BOCAGE

SUA VIDA E EPOCA LITTERARIA

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0 O povo portuguez só conhece o nome de dois poetas, Camões e Bocage; não porque repita os seus versos, como os gondoleiros de Veneza as estancias de Tasso, ou os romanos as cançonetas de Salvator Rosa, porque entre nós deu-se uma constante separação entre o escriptor e o povo, mas porque de Camões sabe a lenda do seu amor pela patria, e de Bocage repete uma ou outra anedocta picaresca. No emtanto a aproximação instinctiva d'estes dois nomes infunde um sentimento que leva a procurar se existe alguma verdade n'esta relação, que, uma vez determinada, será um seguro criterio para avaliar Bocage. Assim como os que pro

curam relações exteriores e casuaes, sobre as frequentes analogias de Francisco com Jesus escreveram o Liber Conformitatum, assim tambem entre Bocage e Camões existe uma conformidade de situações na vida, que em certa fórma deviam imprimir aos seus genios uma physionomia analoga ás identicas impressões. O grande épico era descendente de um solar da Galiza, e Bocage era oriundo de uma familia franceza. Está hoje comprovado que o genio de uma raça só chega a ser bem comprehendido e expresso pelo elemento estrangeiro que se assimilou a ella. Na renovação do Romantismo em Portugal, coube a Garrett a missão iniciadora, e Garrett era descendente de uma familia ingleza dos Açores. Bocage, na realidade, representa um espirito atrophiado por um meio intellectual estreitissimo, verdadeira imagem do espirito nacional, vigoroso e fecundo cretinisado pelo obscurantismo religioso e pelo cesarismo monarchico. É o representante mais completo do seculo XVIII, em Portugal, com o seu erotismo e bajulação aulica, com a galanteria improvisada e com os lampejos revolucionarios; Camões representava o espirito da grande Renascença, e a con

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