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ma do Documento objecto da Paleologia (1) 2. o caracter ou letra do Documento objecto da Paleografia (Diss. XV. deste Tomo) 3. a materia subjectiva apparente e instrumental (2) 4. a fórma mechanica do Documento (3) 5. o seu formulario, e quanto diz respeito á sua autenticidade, a que dou o nome de formalidade, considerando esta ou em geral ou segundo a diversidade dos Documentos, comprehendendo naquella o que respeita ao Notario, ou pessoa pública que intervem nos Documentos (4) 2. o que respeita ás testemunhas (5) 3. as datas, (6) 4. o papel ou pergaminho sellado (7), 5, a divisão dos Documentos por A B C. (8) 6. os Signaes Públicos, Rubricas, e Assignaturas, (9) 7. os Sellos: (10) e incluindo na Paleologia o que respeita ao estylo.

(1) Tom. 1. destas Diss. p. 176.
(2) Diss. XI. neste Tomo.

(3) Dissertação XII.

(4) Dissertação XIII.

(5) Dissertação XIV.

(6) Tomo 2. Dissertação VI.

(7) Tomo 3. Parte 2. Dissertação VII.

(8) Ibid. Dissertação VIII..

(9) Ibid. Dissertação IX.
(10) Tomo 1. Dissertação III.

E.

DISSERTAÇÃO XxI.

Sobre a Materia dos Documentos antigos.

Vej. Novos Diplomat. Tom. 1. P. 2. Sect. 1. Capitulo 1. p. 448. Vaynes Tom. 1. p. 420, e Verb. Papier e Parchemin. Merino p. 182-283. Memorias de Literatura Portug. Tom. 2. p. 227.

A Materia subjectiva da escriptura, ou sobre a qual se

tem traçado os pensamentos, tem seguido a marcha, os progressos, e a gradação do espirito humano. O uso de taboas de pedra e de páo (1) para escrever he o mais antigo que nos consta, ou essas taboas fossem, ou não cobertas de cera, ainda esta ultima fórma só apparece pouco antes do captiveiro de Babilonia (2). Os Rolos tambem são da mais alta antiguidade, e delles já consta no Livro (3) de Job. Servindo portanto primeiro á escritura para toda a qualidade de acto a madeira, a qual não tinha necessidade de grande preparação, os rolos, ou de casca, ou de folhas de arvore, logo forão adoptados, como menos volumosos; e não menos as pedras, os tijolos, e os metaes (4) foram empregados para conservar monumentos á posteridade a mais remota. Taes forão as Taboas da Lei (5) os

(1) Esech. 37. v. 16 e 20, Isa. 30. v. 8. Habac. 2. v. 2.: 1 Mach. 13 v. 42: e 8. v. 22: e 14 v. 18.

(2) Liv. 4. Reis. C. 21. v. 13: segundo a Vulgat.

(3) 31. v. 35. 36: Exod. 24. v. 7: Jos. 18. v. 9: Apocaly. 6. v. 14. (4) Mach. C. 14. v. 26 e 48.

(5) Exod. 24. v. 12: Deut. 4. v. 13: Josué 8. v. 32.

hieroglyficos do Egypto, sobre as Pyramides e Obeliscos, as doze (1) pedras preciosas entre os Hebreos, as Leis de Solon, escriptas sobre taboas de páo, as Leis das 12 taboas entre os Romanos gravadas em bronze, as Leis dos Gregos sobre a mesma materia, que elles chamavão Kupßeis, Κυρβεις, as Leis e Tratados de Alliança dos Romanos, sobre bronze tambem (2). Semelhantes taboas de bronze ou cobre, não menos servião aos Romanos como de tombos ou mappas, para nellas representar o plano e limites de huma propriedade, e se depositavão nos Archivos dos Imperadores. Tal era o uso do 1. seculo Christão; e no 4. se servião de igual materia para a promulgação das Leis nas Cidades do Imperio, ou de taboas de páo cubertas de alvayade, ou de pedaços de panno branco. Estes tiverão uso na antiguidade e se chamárão lintei ou carbasini.

Não se duvida terem servido para o mesmo fim laminas de chumbo (3), não se póde porém conceber como delle se formassem rolos de uso commodo: As pedras preciosas, e metaes, ainda o ouro e prata, empregados pelos Gregos, e Romanos, para eternizar os Documentos, são hoje rarissimos; e ainda mais Diplomas sobre semelhantes materias, e sobre marfim. Apenas restão quatro, e hum delles se dá por suspeito.

O marfim, o buxo, (4) a lousa ou schisto, o limoeiro, o carvalho, tiverão o mesmo uso: delles o primeiro se empregava sómente, e não outra materia, nos SenatusConsultos, que respeitavão aos Imperadores. Quando constavão só de duas folhas ou laminas, se chamavão dypticos, sendo de mais, polypticos. Encontrão-se Documentos em alguns Cartorios escritos sobre bastões; em cabos de fa

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cas se encontrão dous Instrumentos de Doações, huma dellas do fim do seculo 12. feita á Cathedral de París.

Não se tem menos empregado para aquelle fim as folhas de palma, oliveira, e outras arvores; e o uso de escrever o nome dos proscriptos entre os Athenienses sobre cascas de ostras deu o nome de Ostracismo á mesma proscripção.

As taboas de madeira servião de materia á escritura, ou sem outro preparo, e se chamavão pelos Gregos aves, e pelos Romanos Schedae, e por tanto ficava indelebil a escritura, e dellas se formavão codices; ou erão cubertas de huma parte, ou de ambas com cera, alvayade, ou gesso: as cubertas de cera se chamavão Cerae, em geral todas tabulae. (1)

A cera dos antigos era verde ou negra, e as mesmas poucas taboas que hoje restão, tem todas o verde tão escuro, que parecem negras. He provavel se misturasse na cera pez ou cousa semelhante para lhe dar consistencia. Com tiras de pergaminho coladas de distancia em distancia, nas costas das taboas, e juntas assim entre si, se fazia uma especie de livro, e se chamavão Codicilli. Quando o escrito não interessava já, alizava-se outra vez a cera (posto que de algumas se divisa ainda o que antecedentemente se tinha escripto); talvez por isso nada nellas resta anterior ao tempo em que se abandonárão, que foi no principio do seculo 14. com o mais frequente emprego do papel de trapo. O seu uso maior era para assentar despezas, ou para diarios de viagens. (Nov. Dipl. Tom. 1. P. 2. Sect. 1, Cap. 3. pag. 457 e Pl. 2.)

(1) No Regimento dos Tabelliães de 15 de Janeiro da Era 1343, se lhes prohibe no Artigo 1. fazerem as notas das Escrituras em Cedulas e Roes: e no lugar correspondente da Ord. Aff. Liv. 1. tit. 47. §. 2. se manda aos mesmos Tabelliães notem as Escrituras nos Livros, e não em Canhenhos, nem em tavoas.

Foi por tanto o uso antigo da escritura do que propriamente chamamos Documentos independente de licor algum, e mais merece o nome de gravura; mas nem por isso data de poucos seculos o uso da materia mais ordinaria da mesma escritura em pelles, ou papeis, como já vamos a ver, não merecendo maior contemplação o uso que tambem consta ter-se feito de intestinos de elefantes, e outros animaes.

Papel Egypcio.

Vej. Novos Diplomat. Tom. I. Parte 2. Sect. 1. Cap. 5. p. 484 e Pl. 3.

A mais antiga especie de papel, que se conhece, he o do Egypto, que communicou o nome de Carta, porque era conhecido, aos Documentos que nelle se escrevião, e aos mesmos Codices: e até ficou por herança aos Documentos de pergaminho, quando se intermittio o uso do mesmo papel do Egypto. Já antes do 8. seculo se costumavão nelle expedir Diplomas; o seu uso porém se diz preceder 3 seculos á fundação de Alexandria: e verdadeiramente se ignora. O Papyrus, de que se fabricava, he huma especie de cana semelhante á nossa tabúa; e das camadas, ou tunicas interiores da haste desta planta, se preparava o papel. As suas differentes qualidades e modo da sua preparação, se pódem vêr no lugar citado dos Novos Diplomat., e em Vaynes (verb. Papier).

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Restão ainda bastantes Documentos na França e Italia neste papel, todos Latinos, e sómente tres em Grego; porém nenhum tem escapado inteiro, e sem defeitos. O seu comprimento não tinha nada de certo, a largura não excedia dous pés: o que tinha 14 pollegadas, ou mais, se chamava macrocolla. Quando era mais fino, se divisavão encontradas, e em grade as suas fibras, por se costumar

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