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stantaneo, e deixa para o futuro o Documento ainda em peior estado, e por tanto ha mais precisão de haver delle huma copia authentica. Devo notar ter já observado usarse de semelhantes infusões, ou agoas declaratorias, sem outro fim que de occultar a adulteração em hum Documento praticada.

Tinta de ouro.

As nossas Bibliothecas conservão alguns poucos de Codices, que assaz provão o uso da tinta de ouro em algumas das suas iniciaes. Outras Nações mostrão o mesmo até em Diplomas, posto que nestas mais raras, e com menos profusão e opulencia. As Cruzes de ouro, no principio do Documento, ou na subscripção de alguns Reis de Inglaterra, he mais ordinario que as letras serem de ouro (1). O modo com que os Gregos preparavão esta tinta se póde vêr em Vaynes Tom. 1. p. 511.

De prata.

Desta bastará dizer que só se encontra em Codices, mas nunca se usou em Diplomas, ou Documentos.

Vermelha.

He assaz vulgar, mesmo nos nossos Codices, a tinta feita de vermelhão, cinabrio, ou purpura, para nellas se escrever certas letras, palavras, ou ainda regras inteiras. Nos Diplomas he mais rara, e talvez se não encontre Do

(1) A assignatura do Grão Senhor em letras de ouro, se encontra en Cartas dirigidas aos Reis de Portugal, no R. Arch. Gav. 15. Maç. 14. n. 20.

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cumento mesmo algum, todo de huma tinta, que não seja a preta.

Os Imperadores Gregos usavão do vermelho de purpura para a sua subscripção, e por huma Lei do Imperador Leão do anno 470 se declara nullo todo o Decreto Imperial, a que faltasse aquella assignatura em vermelho, a que chamavão iɛpcv evKaustov (sacrum incaustum). No seculo 12. concedêrão os Imperadores Gregos este privilegio aos seus proximos parentes, e depois aos grandes Officiaes da sua Casa, reservando para si a distinção de usar da mesma tinta na data do mez e Indicção.

Semelhante pratica não teve uso no Occidente; talvez só de Carlos Calvo nos consta a adoptasse em alguns Diplomas; e de papeis só hum Documento com as letras iniciaes em vermelhão pôde encontrar Mabillon.

No nosso Reino apenas o Cartorio da Batalha conserva hum Documento de 15 de Junho do anno 1401, (Era 1439) datado de París, aonde se achava o Imperador Manoel Paleologo, e he huma Carta do mesmo ao Senhor D. João I. que acompanhou as Reliquias que lhe remetteo, escrita em duas columnas em Grego, e Latim, e no fundo em toda a extensão da pagina o Sacro Encausto, ou assignatura do Imperador em letras vermelhas.

Verde.

Esta tinta assaz vulgar nos Codices para as iniciaes, foi privativa no Oriente para a assignatura dos Tutores dos Imperadores na sua minoridade.

Azul e Amarella.

Estas tintas tiverão tambem uso nos Codices; mas a amarella não se encontra depois do século 12.

O uso da tinta vermelha, e azul, se póde vêr no R.
G.

Archivo, entre outros, nos Codices das Partidas: da de ouro em huma Biblia Msscr. da Bibliotheca de S. Bento da Saude: no Mosteiro de Belém no nitidissimo Codice de Nicoláo de Lira, e em varios Codices da Livraria pública de Lisboa. A verde a encontrei em hum Breviario Msscr. do Mosteiro de Travanca, hoje recolhido á livraria de Tibaens.

As letras metallicas, e mesmo as outras eram ás vezes envernizadas, principalmente com cera, entre os Romanos, e mais entre os Gregos, que por muito tempo o praticárão. Este uso principalmente se frequentou no seculo 9.

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O luxo, com que se debuxárão semelhantes letras em alguns Codices, tem excitado a barbara curiosidade e leveza de alguns, que as cortárão nos Codices, e perdêrão o contexto do que continha o seu reverso, deixando huma lacuna. Em outros Msscr. encontrão-se em branco por que não chegárão a debuxar-se: assim se nota no Cancioneiro do R. Collegio dos Nobres. O mesmo succede em algumas das primeiras Edições, em que por falta de capitaes, se lhes fazião depois á penna, ou pincel.

Resta ultimamente advertir que a tinta preta dos seculos 7., 8., e 9., he a que melhor se tem conservado; sendo de todas a peior a do seculo 15., e 16. A destes seculos e seguintes, passa a amarellada. Isto mesmo se observa nos Documentos dos nossos Cartorios; sendo a tinta de alguns tão carregada de caparrosa, que tem corroido as letras, e deixado as folhas do papel todas crivadas, principalmente nas iniciaes.

Advirto ainda, que do seculo 12. em diante os Diplomas com letras de ouro, ou vermelhão, são de fé muito duvidosa, quando a sua solemnidade, ou pessoas a que respeitão, não fação suppor que se quiz praticar essa distinção, que nos nossos dias se tem visto até em obras impressas.

Com a materia dos Monumentos, e Documentos, tem toda a relação os Instrumentos com que os mesmos se traçárão; por isso delles diremos neste lugar quanto seja opportuno.

Instrumentos.

Vej. Novos Diplomat. Tom. 1. P. 2. Sect. 1. Cap. 10. p. 533. Jerem. C. 36. v. 23., e Job. Cap. 19. v. 23. e 24.

O buril e cinzel tem sido o instrumento para a escritura, ou antes gravura, dos caracteres sobre metaes, pedras, e madeira, ou fossem os caracteres em concavo, ou relevo. O stilo servia nas materias mais flexiveis, como a cera, etc.; abrindo-se os caracteres com a parte agúda, raspando-se com a outra, que era chata, quando havia engano: donde nasceo a frase vertere stilum.

O calamus, ou cana, servio em outro tempo para traçar caracteres com materias liquidas sobre o papel, ou pergaminho; e se aparava como as nossas pennas: mas os caracteres erão mais grosseiros, pela maior parte. Parece terem sido escritos com este instrumento, na opinião de Vaynes, os Diplomas Merovingicos. Os Orientaes ainda hoje usão do calamo. No Occidente se deixárão de usar pelo seculo 10. As pennas de pato, e outras aves, suppõem-se já usadas no 5. seculo; e certamente hum bom antiquario não verá sem nota as pinturas dos Evangelistas escrevendo com as nossos pennas. (Masdeu, Hist. Crit. Tom. 8. p. 95.) ·

O pincel era o mais opportuno para as telas de linho, e para os caracteres em ouro, e ainda em cinabrio. Os Chinas ainda usão delle, como mais proprio para a tinta de que mais se servem, chamada Nankin, ou tinta da China.

Com o mesmo instrumento foi talvez escrita huma Inscripção em letras vermelhas, sobre reboque, em huns Banhos públicos dos Romanos, que se descobrirão depois do terremoto de Lisboa, nas casas que edificou o Correio mór, que por haver a incuria de se demolir, aqui a conservarei, segundo a lêo pessoa bem instruida. (1)

As figuras dos diversos instrumentos para escrever se podem vêr desenhadas na Pl. 4. do Tom. 1. do Nov. Trat. Dipl., e a sua exposição desde p. 533. do mesmo Tomo.

DISSERTAÇÃO XII.

Sobre a forma mechanica dos Documentos.

Entendemos por forma dos Documentos, e Monumen

tos quanto diz respeito ao seu mechanismo, que pertencendo aliàs ao seu caracter, ou materia, com tudo merece particular especificação. Deixaremos porém o que pertence á forma das Inscripções, Medalhas, Moedas, e Sellos,

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(Corresponde ao anno de 336)

Veja-se a Obra: Instrucções, e Cautelas Praticas do Doutor Francisco Tavares, impressas na Officina da Universidade em 1810. P. 1. Cap. 11. p. 130.

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