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matica, e Lapidaria, quanto respeita á divisão do sentido das Inscripções, Medalhas, e Moedas; e para a Sfragistica, ou Tratado dos Sellos, o que a estes especialmente respeita, fallaremos aqui sómente da pontuação (a que os Diplomaticos chamão Stigmeologia) com relação a Codices, e mais Documentos.

Nos Codices.

Já vimos que o mais antigo uso foi supprir o ponto com hum claro entre as diversas frases, ou tambem (posto que menos vezes) avançar sobre a margem com huma letra maior o principio da nova frase. Estes espaços vazios servindo de pontos derão origem á distinção das palavras. Estas principiárão-se a separar no 7. seculo, e ainda melhor no 8. As frases espaçadas, ou isoladas, derão lugar á pontuação.

Attribue-se a invenção da pontuação ao Grammatico Aristophanes, que floreceo dous seculos antes da Era Christã. O mesmo ponto designava o coma, ou inciso, posto em baixo da linha: no meio o colon, ou membro: no alto o sentido perfeito. Ha muitos seculos que no fim do inciso se usa de virgula: no fim do periodo de dous pontos: no meio deste de ponto e virgula: e no fim de sentido perfeito de um ponto em baixo.

Posto que o uso do ponto, como acabamos de vêr, seja mais antigo que os mais antigos Codices que restão, com tudo faltão nelles a cada passo, por omissão dos copistas, ou dos seus correctores.

Os diversos usos, que se notão no 4. 5. 6. e 7. seculo, são os seguintes. Hum só ponto no alto, no meio, ou em baixo da regra: a virgula, ou qualquer ornato muito simples: fructos: hum triangulo: dous pontos horizontaes ou perpendiculares, ou atravessados de huma linha horizontal (Vej. Vaynes, Tabl. 14. fig. 21.): tres pontos

em triangulo: grandes j j consoantes cada hum com dous pontos em cima (Ibid. fig. 22.), folhas, e muitos outros diversos signaes, exprimião o sentido perfeito, que hoje designamos com o ponto. As vezes punhão o ponto no fim de cada palavra; o que durou entre os Gregos até o 9. seculo. (Vej. Novos Diplomat. Tom. 3. Pl. 60. in fin. Vej. Vaynes Tom. 2. Pl. 26.)

Na meia idade servio tambem ás vezes de virgula o ponto, e se figurou como hum 7; e os dous pontos com 77 a par. No 9. seculo os mais habeis Amanuenses constantemente sc servírão do ponto em baixo por virgula, no meio por dous pontos, e no alto por ponto final. Esta simplificação de pontuação, ainda apparece no seculo 15. em algumas das primeiras Edições; porém muitos Amanuenses desde o 9. seculo a substituírão pelos seus caprichos particulares. No seculo 10. serve muitas vezes de ponto final a virgula com dous pontos em cima, hum j consoante com hum ponto em cima, hum 7, hum s sem cauda, com hum ponto de baixo, o nosso ponto de admiração, duas virgulas, dous ou tres pontos a prumo. (Vaynes, Tabl. 14., figura 23. seguintes). No seculo 11. se usou além disso do 5 e do. (Ibid. fig. 25. 26.) No seculo 12. foi assaz irregular a pontuação; mas os tres pontos a prumo, e a risca, no fim das linhas se usou muito. No seculo 13. e seguintes, se nota a maior negligencia na pontuação.

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Os pontos de exclamação se designárão muitas vezes com hum o com ponto dentro, ou ao lado, ou com virgula dentro, ou em cima, ou com assento circumflexo em cima, ou entre duas virgulas (Ibid. fig. 24. e seguintes).

O ponto de interrogação se designava com o signal (Planch. 26. no Tom. 2. fig. final) e com outros mais semelhantes ainda ao nosso actual.

A virgula encontra-se em Msscr. Gregos desde o 7.

seculo, e com o mesmo uso: a sua figura tem com tudo variado bastante, e della se usava muito para o apostrophe entre os antigos.

Em geral podemos dizer, que a falta de signaes para pontuação indica em hum Codice a maior antiguidade; só no 6., 7., e 8. seculo, he que apparecem exemplos da sua inteira falta. A pouca exactidão a este respeito, e a irregularidade tem depois exemplos em todos os seculos. Taes apparecen os Codices, que restão do nosso Reino, á cerca dos quaes será difficil dar regras particulares a este respeito. O mesmo reconhece ácerca dos de Hespanha Meriño Escuela p. 133.

Nos Diplomas e mais Documentos.

Vej. Novos Diplomat. Tom. 3. Parte 2. Sect. 4. Cap. 8. S. 10. p. 493.

A pontuação nos Diplomas da França ainda era imperfeita no 9. seculo, tendo principiado no 8. No 10. he mais exacta, supprindo com tudo o ponto o lugar das virgulas; mas continuando sómente depois do lugar, que pedia ponto, letra majuscula. Os tres pontos a prumo se usárão muito na Alemanha por ponto final neste seculo. Em geral a pontuação nos seculos 10. e 11. foi assaz arbitraria: no 12. mais exacta: no 13. se substituírão accentos mais que virgulas a todos os pontos: não se tardou a voltar aos pontos; reservados os accentos para os lugares, em que o sentido não era senão um pouco suspenso.

A maior irregularidade se observa tambem nos nossos antigos Diplomas, e mais Documentos; supprindo quasi sempre o ponto os outros signaes, omittindo-se a cada passo, e figurando-se o mesmo ponto de diversos modos.

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Os pontos tambem servírão muitas vezes a notar as abbreviaturas v. g. b. por bus, q. por que. As letras numeraes, as siglas, e as cifras erão ordinariamente distinctas com hum ponto. O ponto de baixo da letra, ou letras, se usou entre nós para notar que se escreveo de mais, a que se chamava sopontar: para o mesmo fim em outras Nações se punha tambem em cima, ou á margem para notar sentenças, ou no fim do Documento para supprir a assignatura. (Vej. Novos Diplom. Tom. 3. P. 2. Sect. 4. Cap. 8. §. 10. p. 474. e 475.)

O uso dos pontos sobre os ii não he mais antigo que o 14. seculo. Para distinguir os dous ii do n, e u nas escrituras do Gothico moderno se usou primeiro de accentos, ou virgulas; depois se usou de pontos. (Nov. Diplom. Tom. 2. p. 210. e seguintes.)

Desde o 5. seculo se principiou a usar de ponto sobre o y para o distinguir do v. Este uso se fez cada vez mais vulgar até ser geral no 9., e continuou ainda além do 15. Neste seculo he vulgar achar-se entre nós o y com o ponto: assim se observa no exemplar do Codigo Affonsino da Camara do Porto, que he daquelle seculo.

Accentos.

Vej. Novos Diplomat. Tom. 3. P. 2. Sect. 4. Cap. 8. S. 7. p. 479.

Os accentos, ou espiritos, entre os Gregos erão usados já dous seculos antes da Era Christà; com tudo faltão muitas vezes nos Codices anteriores ao 7 seculo. Neste foi constante o seu uso. Entre os mesmos Gregos não só servião para regular a pronuncia, mas para fixar a significação de certas palavras.

Entre os Romanos se encontra o seu uso já do seculo de Augusto, até para distinguir as palavras equivo

cas (com o agudo para as syllabas breves, e o grave para as longas) ou os casos semelhantes do mesmo nome. A união dos dous accentos (Vaynes Tabl. 1. fig. 51.) deo o circumflexo. Este com hum ponto em cima, ou sem clle, supprio muitas vezes o m, ou n omittido. O agudo entre dous pontos significava omissão de palavra, ou letra; outras vezes servia de virgula, ainda no seculo 13. Em huma palavra os accentos entre os Latinos servírão, como entre os Gregos, não só para regular a pronuncia, mas para distinguir os casos, ou significar as abbreviações, as ligações, as omissões, a separação de frazes, etc.

Já dissemos que a confusão dos i com o u no Gothico moderno obrigou a distinguir os i juntos com accentos, ao principio menos, depois com mais frequencia, desde o seculo 10. Desde o seculo 11. se puzerão sobre outras letras, especialmente sobre o upara o distinguir do n; o que tornou a confundir os i com o u. No seculo 13. se puzerão tambem no i separado: no 14. foi quasi constante este uso; e diminuindo gradualmente, ficarão em pontos de que já ha exemplos no 14; fazendo-se geral e constante este uso só no seculo 16. Notamos ultimamente que os antigos Copistas, e Notarios forão pouco exactos no uso dos accentos; e quanto ao ponto, se observa nos nossos Codices, e Documentos antigos, faltar ordinariamente no i, e ser muito usual no y.

Reclamos.

Vej. Novos Diplomat. Tom. 3. P. 2. Sec. 4. Cap. 8. p. 492.

Reclamos, ou chamadeiras, se diz a primeira palavra do caderno de hum Codice, ou a sua primeira syllaba, posta no fim da ultima pagina do antecedente: pratica que ainda se usa em cada pagina das obras impressas.

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