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eannez abade de sanoanne (Era 1314): Que presentes forom F. F. F. e outros muitos ts. (Era 1327): Hos homens que som testemonio desta carta F. F. F. (Era 1326 Junho 2.).

Os nomes das mesmas testemunhas ou se achão seguidos depois da data, ou em columna.

Nos Diplomas se achão na primeira columna os nomes dos Bispos, e na segunda os Officiaes da Casa Real, e Magnates, concluindo huns e outros of. (confirmo); e nas mesmas columnas por baixo as testemunhas, concluindo ts. Aquella menção dos Bispos prova tão pouco a sua presença, que até se faz menção das Sés vagas, v. g. no Foral do Penajoyas (Gav. 18 Maço 3. n. 19. no R. Archivo) Ecclesia Colimbriensis vacat Ecclesia Visensis vacat. (Vej. Nova Hist. de Malta P. 2. p. 17, e 18.)

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No meio das columnas he ordinario mencionar-se o Chanceller. Em dous Documentos de 15 de Março Era 1296, e 18 de Novembro Era 1311 (no R. Archivo Gav. 18 Maço 3. n. 20, e 19.) o Chanceller D. Estevão Eannes apparece confirmando, e Domingos Peres, e João Peres Notario da Curia not, ou scripsi. No primeiro apparece como testemunha João Ferreira Vice-Chanceller. Tambem em hum Documento do Real Archivo de 26 de Julho Era 1351, figura D. Affonso Martins, Conego de Lisboa, e Vice-Chanceller d'El-Rei (Gav. 19. Maço 2. n. 22. no R. Archivo).

DISSERTAÇÃO XV.

Sobre a Paleografia de Portugal. (1)

Paleografia he aquella parte da Diplomatica, que pelo

caracter, ou letra, em que se achão escritos os Documentos antigos, nos ensina a julgar da sua idade e veracidade, e ainda a determinar o territorio ou Nação, a que pertencem.

A escritura ou he de pensamentos, ou de sons.

A escritura de pensamentos divide-se em hieroglifiea, ou representativa, (2) ou imitativa, ou caracteristica: e em symbolica, e emblematica, ou allegorica (3): e em puramente enigmatica. Esteve em uso entre os Egypcios, e ainda hoje entre os Chins, e he a mais antiga.

O Algarismo Arabico se reduz á escritura de pensamentos. A escritura de sons, combinatoria, ou epistolografica (que forma o assumpto mais especifico da Paleografia), se faz por hum pequeno numero de elementos ou

(1) Vej. Vaynes, Tom. 1. p. 50, e 412. Tom. 2. p. 65, e 187: Meriño p. 127, 135, 157, 169, 331, 428, c p. 115, contrariado a p. 121, e 181, sobre C, e Z.

(2) Em alguns dos nossos Documentos se encontra Sanctae + por Sanctae Crucis=v .g. Vincentius Canonicus Sanctae +notuit. (Gav. 13. Mac. 4. n. 6, do R. Archivo). Póde ver-se outro exemplo no Cod. Aff. da Camara do Porto Liv. 1. tit. 68.

(3) O Doutor João de Barros, fazendo o Indice dos Cartorios de Pedroso, e Moreira, pintou nas costas dos Documentos hum emblema relativo ao assumpto, v. g. hum peixe, para determinar hum prazo de huma pesqueira; huma roda de moinho etc.

Tom. IV. Part. I.

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letras, de que se formão os monosyllabos, ou syllabas; e destas as dicções, ou palavras.

Disputa-se se os Caldeos, Egypeios, ou Samaritanos, aliàs Fenicios, primeiro inventárão a escritura dos sons. He mais provavel serem os Fenicios, dos quaes a recebêrão os Gregos, destes os Etruscos, e delles os Romanos, dos quaes se propagou para as mais Nações até nós. (Masdeu Hist. Crit. Tom. 3. p. 295.)

Chamamos escritura Samaritana e Fenicia a que usárão os Hebreus antes do cativeiro de Babilonia, a que depois substituírão o caracter quadrado ou Caldaico.

Dissemos que a escritura de sons se faz por hum pequeno numero de elementos, ou letras: a collecção destas se chama

Alfabeto. (1)

Todos sabem o que se entende por Alfabeto, e a origem deste nome. Quanto ao numero dos elementos, ou letras, de que o mesmo se compunha entre os Fenicios, Gregos, e Romanos, ainda hoje se disputa. A opinião mais recebida he que o Fenicio se compunha de 22 letras, que estas passárão para os Gregos, que estes lhe accrescentárão Y4X4Q. Que os Latinos ao principio tiverão só 21, a que accrescentárão depois o Y e Z, ao menos dous seculos antes de Augusto.

O Imperador Claudio entre os Romanos, e o Rei Chilperico entre os Francezes, quizerão introduzir no Alfabeto, aquelle mais tres letras, e este quatro, no anno de 580. Ainda hoje não concordão bem os sabios sobre a sua figura e valor; mas o seu uso não durou mais que a vida daquelles Principes. Póde ver-se huma noticia com

(1) Vej. Vaynes, Verb. Alphabet.

pendiosa a este respeito em Vaynes, Tom. 1. p. 50. e seguintes no lugar citado: e por ora nos contentaremos em saber que o Alfabeto Grego consta de 24 caracteres, e o Latino de 23.

Estes mesmos caracteres tem sido representados por hum modo tão diverso em differente tempo, e em diversas Provincias, que até a mesma figura tem chegado a significar duas, tres, ou mais letras. Eisaqui o vasto assumpto da Paleografia, que tem de determinar o valor dessas mesmas figuras, e o seu uso: eisaqui o objecto de tantas Obras que se tem publicado a este respeito. Os seus AA. porém varião no modo, com que procùrão ensinar a mesma Paleografia, ou geral, ou a de certa provincia.

Huns nos apresentão estampados exemplares de certas idades, para por elles nos exercitarmos a ler outras semelhantes, que encontrarmos. Assim fez Terreros na sua Paleografia Espanhola, e o A. do Chronicon Gothwicense. Outros nos tem dado com os mesmos exemplares, extractados os Abecedarios de alguns, ou de todos os mesmos Documentos. Assim praticou Mabillon, Rodriguez, Meriño, e Baringio.

Os Novos Diplomaticos buscárão hum meio muito opportuno, e mais livre de inconvenientes, para facilitar o conhecimento dos caracteres, que o enredado systema de Gatterer. Tratárão com separação dos que se tem empregado nos Monumentos, nos Codices, nos Diplomas, e Cartas. Debaixo de cada huma destas geraes divisões tratárão com distinção do caracter capital, oncial, minusculo, e cursivo. Ainda subdividem estas classes, tratando separadamente da forma particular, que cada huma dellas tem tido em diversas Nações, segundo a sua idade, e semelhança entre si. Além disso pela mesma ordem nos dão hum sufficiente numero de exemplos para melhor instrucção. Pode ver-se na mesma Obra a execução deste

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plano, e em resumo, em Vaynes, Tom. 1. verbo Alphahet, e nos outros lugares a que se remette. Este mesmo plano seguiremos, quanto he applicavel ao nosso particular assumpto; mas primeiro trataremos alguns principios geraes relativos á escritura.

Disposição da Escritura.

Orbicular, perpendicular, horizontal.

A orbicular, ou circular, apenas se póde dizer ter tido uso em alguma Nação. A forma redonda das medalhas, moedas, vasos, e escudos, em que se querião gravar algumas palavras, obrigou a seguir esta disposição, mais que uso constante que della houvesse.

A perpendicular, usada em outro tempo entre alguns Povos da India, ainda hoje a seguem os Chins, Japonezes, e Povos vizinhos (1). Os Chins principião de baixo para cima da parte direita, justamente onde nós acabamos as nossas paginas (2).

A horizontal póde ser da esquerda á direita, como usamos; da direita á esquerda como os Hebreus; ou da esquerda á direita, alternando as linhas; ou da direita á esquerda, tambem alternando. A estas duas ultimas formas se chama Bustrofedona, tirando a metafora da maneira de lavrar a terra. Os Orientaes sempre seguirão o segundo modo destas quatro especies horizontaes. Os Po

(1) Entre outros exemplos de escritura perpendicular na Europa de mero capricho, e que podemos chamar acolumnada, veja-se Novos Diplomat. Tom. 3. Est. 36. gen. 2. esp. 5.

(2) A disposição das letras de dous Monogrammas em Documento do Cartorio de Moreira da Era 1016. 7. Kal. Septembris, he de baixo para cima. No Elucidario da Lingua Portugueza Tom. 1. Est. 3. n. 1. se póde yer o exemplo extravagante da subscripção de hum Notario, que alterna em tres linhas.

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