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moças, nem obrigueis os pais e mays a dalas, nem lanceis fintas e pedidos para as emfeitarem e ornarem de vestidos, nem de Joyas, pelos inconvenientes e ofensas de Deus, que de as dittas moças e representações de Sanctas irem na dicta porcisam socedem, e nam consintaes na Porcisam, que se faz na Sec à tarde, entrarem dentro na dita See folias, pelas, e danças, que impidem o culto divino, e desaseseguam o Coro, Cabido, e povo que para dita porcisam se ajunta, e asy ordenareis que a Porcisam do dito dia de Corpus Christi va ao mosteiro de Sam Dominguos, ou Sam Francisco, qual vos parecer mais conveniente para recolhimento do Povo, e mayor reverencia do Sancto Sacrainento: e nisto, e em tudo o mais que toquar a solemnidade, reverencia, e decente ornato da dita Porcisam, para que apraza ao Senhor o serviço que nela se lhe faz, e se lhe oferece, em memoria de tam grande beneficio, comuniqueis com o Bispo vosso Prelado, e com seu conselho e parecer ordeneis as coussas, com que Nosso Senhor possa ser servido, e o Sancto Sacramento venerado, e nam useis das que vos o dito Bispo para o tal auto e dia nam aprovar, por nam serem convenientes ao culto divino, e eu o escrevo asy ao dito Bispo e mando ao Corregedor e juiz de fora, que nam consintam na dita Procisam solturas e desonestidades, e representações desonestas, e escandalosas, e de que Nosso Senhor seja ofendido, e que dem ao povo ocasiam de distrahimento. E esta Carta fareis tresladar nos livros da Camara pelo Scrivam dela, para se saber o que asi ordeno e mando. Scripta em Lisboa a xxx de Maio Pamtalyam Rebello a fez de 1560

Raynha

Livro 1. de Proprias Provisões da Camara do
Porto f. 187.

N. XIV.

Vreadores, e Procurador da Cidade do Porto Eu ElRey vos emvio muito saudar. Vy a carta que me escrevestes em reposta da que vos mandey, acerqua de se averem de tirar alguus jogos e cousas, que se costuma yrem nas Precisões de Corpus Christi, e em outras, que esa Cidade faz, de que parecya que se podia seguir escamdollo, e se devya escusar, e vy as rezões que daes da maneira, que se nyso tem, e de como se os ditos jogos fazem com muýta onestidade, e acatamento ao culto devino, e ouvy o que acerqua diso me dise de vosa parte Bartolameu dAraujo, voso Procurador, e quanto aaverem de ir moças enfeytadas nas ditas Precisões, parece escusado pela torvação, que farão aos Sacerdotes e Religiosos, que vão rezando, e a outras pesoas, e somente poderão ir aquellas, que representão Samta Caterina, e Samta Crara, e outras Samtas, e asy as pellas, e os homes que representão Reis, e Emperadores, e os mais Jogos onestos, e de que se não sygua torvação nem escamdollo, como se faz nesta Cidade de Lisboa.

E quamto a aver de ir a dita Precisão huum ano à Igreja de Samto Elyfomso, e outro ano a Sam Pedro, vòs pratiquay este caso com o Bispo dese Bispado, e elle comvosco ordenará acerqua diso o que lhe parecer mais serviço de Noso Senhor, asy pera este ano, com pera os vimdouros, e eu lhe escrevo a Carta, que vos com esta será dada, em que tambem lho emcomendo, è mandarey fallar ao Provenciall da Ordem de São Dominguos, que mande aos Religiosos do Mosteiro de São Dominguos desa Cidade, que no dito dia de Corpus Christi vão na dita Preeisão, como vão os desta Cidade.

E bem asy vy os Apomtamentos que pelo dito Ber

tolameu dAraujo me emviastes, e quamto ao primeiro, em que pedis, que não comsynta que se faça demanda sobre ho Officio dEscripvão da Imposysão dos Vinhos da dita Cidade, pois ha dada delle he sua, e a ella pertemce prover do dito Officio, per bem da Provisão que a cerqua diso pasey, quamdo lhe a dita Imposysão comcedy, da quall os Desembarguadores de minha Fazemda mamdão pedir o trellado, a requerimento de huu Jeronimo Luis, que me pede lhe faça do dito Officio merce; eu mamdey aos Veadores de minha Fazemda, que não comsyntão, que se fasa sobre yso demanda, nem oução acerqua diso o dito Jeronimo Luis; pois ha dita Imposisão he da Cidade, e pela Provisão, porque a comcedy, ouve por bem que os Vreadores e officiaes della provesem do dito Officio, e asy o de Tisoureiro, elles terão lembramça de o ffazerem.

E quamto ao que pedis, acerqua do officio de Juiz dos Orfaos desa Cidade, ey por bem que quamdo quer que se tomar a Resydemcia ao dito Juiz, ou quamdo ffor doemte, ou impedido de maneira, que não posa servir o dito Carego, que esa Cidade elega hua pesoa, letrado e auto, que o syrva em quanto eu delle não prover, ou mandar o contrario, e diso mamdey pasar Provisão que vos com esta envyo.

Dizès em outro Apomtamento, que eu vos escrevy os dias pasados, que quyseseis eleger por Escrivào da Camara desa Cidade a huu Amtonio de Lyão, e que por outra Carta me respomdestes os incomvenientes que para yso avya, e me pedis que da eleyção, que a dita Cidade veyo este anno presemte, se escolha pera o dito Officio huum dos eleytos em ella, eu tenho ja provido acerqua diso como pedis.

E ouve por escusado o que requereis, acerqua de não votarem nas eleyções mais que vimte e quatro dos Mesteres, e não quoremta e oyto, como ora votão, por alguas causas, que pera yso ouve. Bastiam Ramalho a ffez

em Lisboa a xiij dias de Maio de mil e quinhentos e sessenta e hum. Fernão da Costa o fez screpver-Raynha= Livro 2. de Proprias Provisões da Camara do Porto f. 190.

N. XV.

Juiz Vereadores e Procurador da Camara da Cidade do Porto Eu ElRey vos envio muito saudar. Dom Frey Gonçalo de Moraes, Bispo dessa Cidade, me enviou dizer por sua Carta, que na Procissão, que ahi se faz pola festa de Corpus Christi; se leva o Santissimo Sacramento em huma Charola tam pezada, que com a levarem Sacerdotes, vay com muita indecencia, por ser necessario irem a pedaços correndo com ella, e que das Janellas deitão moedas com que podem quebrar as vidraças, donde vay o Santissimo Sacramento, allem de se ir nisto contra o que manda o Ceremonial de Sua Santidade, que he, que o Santissimo Sacramento se leve debaixo de palio; e que a dita Procissão vay pola Ribeira, onde se vende o pescado, e ha muitas imundicias, e por outras ruas indecentes, podendo ir pola rua nova, por ser a milhor dessa Cidade; e que para se dançar ás portas de alguas pessoas particulares, se faz em muitas partes deter a procissão com grande indecencia, e que posto que elle, como Bispo podia emendar estas couzas, me pedia mandasse eu ordenar como se fizesse; e dezejando eu que nas desta qualidade se proceda com todo respeito, e decencia devida, Hey por bcm, no que toca ao modo em que se deve levar o Santissimo Sacramento, se guarde e execute inteiramente o que dispoem o dito Ceremonial. E vos mando que não façais a isso duvida, nem replica algua. E em quanto aos outros dous pontos me pareceu o que o Bispo diz, bem considerado, e com tudo me não quiz rezolver nisso, sem priTom. IV. Part. II. Cc

meiro vos ouvir; porem terey particular contentamento, de que não se vos offerecendo sobre isto duvida de consideração, vos conformareis com o Bispo, e quando vos parecer outra couza, me avizarcis logo das razoes que para isso tiverdes. Escrita em Aranjues a 15 de Maio de 1607 Rey Affonso Furtado de Mendonça.

Liv. 4. de Proprias Provisões da Camara do
Porto f. 194.

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N. XVI.

Juiz, Vereadores, e Procurador da Camara da Cidade do Porto, Eu ElRey vos envio muito saudar. Vi a vossa Carta de sinco do presente, sobre a Procissão do Corpo de Dcos dessa Cidade, e os papeis que com ella me enviastes, e tendo consideração ao que dispocm o Serimonial Romano, Hey por Serviço de Deus e meu, que o Santissimo Sacramento se leve nella, conforme ao que elle ordena, que he o mesmo que vos escrevi na Carta de que me enviastes a copia, e o que o bispo pertende em conformidade delle, e na mesma substancia se procederá no que toca ás pessoas que hão de levar as varas do Palio, e a cera que acompanhar o Santissimo Sacramento; pois tudo he conforme ao dito serimonial, com que o Bispo se conforma; e porque se não receba desconçolação nessa Cidade da Procissão não passar pelas ruas costumadas, escrevo eu ao Bispo que nisto se não altere cousa alguma, e por certo tenho que assi o fara elle, e de vos confio, que dareis ordem para que todas estem tam limpas e compostas, que possa o Santissimo Sacramento passar por ellas decentemente. E tambem escrevo ao Bispo que nas Procissões, em que elle não for de Pontefical, não consinta que entre a sua pessoa, e a Cidade vão mais pessoas, inda que sejão Clerigos, que hua soó que lhe leve a fralda, e da sua pru

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