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fazer segundos gastos, podia elle dito mestre da parte d'elle dito Governador em seu nome offerecer, o dispendio das cousas das cousas que nesta Ilha fossem capazes de se poderem comprar para o fornecimento da dita gente; e por quanto indo o dito mestre à dita Ilha Terceira a instancia do dito Provedor da Fazenda offerecêra Francisco Ribeiro da Costa, morador na mesma Ilha, a sua charrua, nomeada Nossa Senho ra da Penha de França e S. Francisco Xavier, aparelhada e costeada á sua custa, para ir levar a dita gente, com condição da dita charrua lograr o privilegio concedido ao Manoel Rodrigues no navio Jesus Maria Jozeph, de que não havia, noticia: o qué assim the foi promettido pelo Provedor da Fazenda, e elle dito Governador o affirmava em nome de Sua Alteza, quanto o direito lhe dava logar para que o Governador dos Estados do Maranhão e Grão Pará em todo e por todo desse inteiro cumprimento ao privilegio da licença concedida por Sua Alteza ao mestre Manoel Rodrigues, trespassada a charrua que de presente leva os ditos casaes, e por quanto a dita charrua é de muito maior porte que o outro navio, e pela ordem de Sua Alteza se entende que elle dito Governador mandaria os ditos cincõenta casdes ou os mais que podesse levar o dito navio, e se offereciam novamente alguns casáes para que dando-lhe os oito mil réis da ajuda de custo logo embarcarem, ordenara elle dito Governador a mim Tabellião denunciar-se ao almoxarife da Fazenda Real desta Ilha Jorge Furtado d'Arez, declarasse se queria, ou podia dar a dita ajuda de custo aos mais que se alistavam para ir em a dita charrua; e outro sim perante mim Tabellião e dos mesmos officiaes da Camara fez pergunta ao dito Manoel Rodrigues da falta que tinha na dita charrua para a matalotagem que tinha da gente que fosse, porque a todos queria assistir á sua custa por serviço de Sua Alteza, de que de todo lhe daria ról para abaixo deste se escrever e assignar de como d'elle dito Governador o recebeu sem ser a custa da Fazenda Real: e de todo mandou fazer este auto para ao pé d'elle eu Escrivão lançar fé da dita denunciação feita ao Almoxarife e o rol do dito mestre, e aqui copiar a carta de Sua Alteza escripta a elle dito Governador, e ao diante a lista da gente que vae, para de tudo mandar a copia a Sua Alteza, e ao dito. Governador do Maranhão e Grão Pará como lhe é ordenado: de que fiz este auto para todos assignarem-Pedro Leal d'Oliveira, Tabellião que o escrevi Jorge Goulart Pimentel Sebastião Teixeira de Carrascosa Manoel Rodrigues Antonio da Silveira Armas Melchior de Serpa de Medeiros Estacio Machado Dutra === Francisco Nunes da Costa.

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Tendo sido denunciado o áuto suppra ao almoxarife Jorge Furtado d'Arez, respondeu que não tinha ordem do Provedor da Fazenda para dar ajuda de custo a mais de cincoenta casaes, ao que tinha satisfeito.

E logo no mesmo dia, mez e anno atraz dito sendo nas cazas de morada do dito Governador, estando ahi o mestre e capitão Manoel Rodrigues, eu Escrivão lhe denunciei o auto atraz, que li e declarei, e por elle bem entendido me foi dado em resposta que elle tinha a bordo da dita não recebido na Ilha Terceira e nesta do Fayal por ordem do Provedor da Fazenda Agostinho Borges de Sousa Zimbron, biscoito, legumes, bacalhão, vinagre, vinho, azeite d'oliva doce, gallinhas, marmelada e sal, caldeiras e lenhas, o que tudo pela informação que tem e experiencia de viagem lhe parece bastante, e só lhe faltava cincoenta e seis pipas d'agoa. que com vinte que tem do mesmo navio lhe parece bastante, e assim mais dois barris para meter na camara para os meninos, seis potes de pão, oito celhas e as carnes de duas vaccas, a qual piparia, carnes, cêlhas e potes lhe dera o dito Governador offerecendo à sua custa por serviço de Sua Alteza, com o que se dava por satisfeito, e de todo o sobredito por entregue, de que fiz este que assignei com o dito mestre e capitão. Pedro Leal d'Oliveira, Tabellião que o escrevi — Oliveira Manoel Rodrigues.

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Carta de Sua Alteza.

Jorge Goulart Pimentel, Eu o Principe vos envio muito saudar. Com o aviso que me fez Pedro Cezar, Governador do Estado do Maranhão de haver chegado a elle o mestre capitão Manoel do Valle, com os primeiros cincoenta casaes que d'essa Ilha remettestes, os quaes se repartiram no Pará pelos moradores, em quanto se lhes não nomeava sitio para sua vivenda: fui servido resolver se passassem os outros cincoenta casaes ou os mais que podesse levar o navio Jesus Maria Joseph, mestree Capitão Manoel Rodrigues, que esta vos hade entregar, pela qual vos ordeno, que com a maior brevidade possivel o façães partir desse porto com os ditos casaes na conformidade do procedimento que tivestes com os passados, e a Agostinho Borges de Souza mando ordenar assista com o dispendio d'aquellas cousas que na Ilha Terceira se hão de prevenir e ajuda de custo que ahi se le ha de dar a cada casal, com advertencia que os do Pará me representaram que a ajuda de custo se lhe não entregára em ser senão em generos, e estes por preços muito differentes dos da terra; o que mando advertir a Agostinho Borges, para que o estranhe muito asperamente ao official que corréo com estas ajudas de custo, e no tocante ao aviso que me fizestes sobre as dividas que estes homens deverem fui servido resolver que elles as satisfizessem pelos bens que tiverem, que poderão nomear seus crédôres, e não os tendo, ou não bastando, acceitem estes escriptos seos d'aquellas quantias de que os podem fazer, e as que altararem será por escripturas na forma da lei, para que

a todo o tempo que melhorarem de fortuna e poderem pagar o facam; e em quanto ao navio que for buscar os casaes não levar carga assim o mandei executar, e quando a leve este, obrigareis ao mestre que a deixe em terra pois se fretou o navio atravez para melhor commodo dos casáes, e podereis ir prevenindo os cem que mais dizeis haverá nessa Ilha e na do Pico para que no anno que vem se possam passar ao Estado do Maranhão aonde mando avisar ao Governador se lhe prepare sitio e mantimentos para que em sua chegada não sintam falta; e vos agradeço o zêlo que tendes de meu serviço neste particular, que me fica em lembrança, para em vossos melhoramentos mandar ter particular attenção; e esta tereis em que os casáes sejam d'officiaes de pedreiros-carpinteiros e outros officiaes para augmento d'aquelle estado donde ha tanta falta d'elles, e do que obrardes me dareis conta com a copia da instrucção, e relação dos casaes que vão, como o fizestes da outra vez: e aos officiaes da Camara dessa Ilha, e mais ministros agradecereis da minha parte o serviço que nisto fizerem, e por esta lhes ordeno cumpram e guardem vossas ordens, para melhor effeito d'estas conducções. Escripta em Lisbôa a vinte e tres de Julho de seis centos setenta e seis.

PRINCIPE.

Conde de Valle de Reis.

Para Jorge Goulart Pimentel, na Ilha do Fayal.

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Segue aqui uma lista dos individuos, a que se refere o auto antecedente composta de 50 homens, 47 mulheres, e mais 126 pessoas de familia, acompanhada da declaração seguinte:

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O' Capellão da dita Não P. Carlos d'Andrade, que a pedido do Governador foi em companhia desta gente, recebeo um ornamento novo e completo para dizer missa e administrar os sacramentos necessarios, para entregar tudo onde quer que fique a dita gente ao piloto do mesmo navio Antonio Nunes, o que tudo venderá e trará em sua companhia por conta e risco da sua (do Governador) ermida de Nossa Senhora da Guia, que os leve e traga a salvamento."

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O Piloto do navio acima, fez um protesto antes de partir do porto da Horta, por lhe faltar uma amarra, e ser muito necessaria por ter

d'ancorar muitas vezes na costa do Maranhão, requerendo que o dito protesto fosse denunciado ao procurador do dono do dito navio Raphael Dias Carvalho, ao que este deu em resposta que tendo a dita náo tres amarras duas de linho, uma de piassava, e tres ancoras e um ancorete com um virador de cento e vinte braças, de linho, amarração bastante para a dita não seguir viagem para as ditas partes, protesta de o protesto do dito Piloto lhe não prejudicar em caso que o obriguem por força de levar a dita amarra por conta da náo, e elle dito dono e o mestre da dita não haverem o valor da dita amarra por quem de direito fôr, porque sendo caso que a não tivesse necessidade da dita amarra, a devia pedir o piloto aos donos em a Cidade d'Angra, onde são moradores, ou ante o Provedor da Real Fazenda Agostinho Borges Zimbron, porque fazendo-o assim não prejudicava a elles, mestre Manoel Rodrigues e ao procurador da náo Raphael Dias Carvalho, pois na dita Cidade d'Angra se fabricou a dita não de todo o necessario que se houve mister do que o dito Piloto pedia.- Requerem se the mande tomar este seu protesto juntando-o ao do dito Piloto = Manoel Rodrigues-Raphael Dias Carvalho.

Acrescenta o dito Raphael Dias Carvalho, que o senhorio da dita não Francisco Ribeiro da Costa, offerecêo ao Provedor da Fazenda Real Agostinho Borges Zimbron, a dita não para o serviço de Sua Alteza, a vir tomar os ditos casáes á Ilha do Fayal sem que lucrasse nenhum frete mais que por serviço do dito senhor, como consta do auto que o dito Provedôr fêz, e só para segurança da viagem do serviço que vae fazer a Sua Alteza, for preciso a dita amarra deve o sr. Almoxarife da Ilha do Fayal dal-a por conta do dito Senhor, para mais segurança em seu serviço.

RAPHAEL DIAS CARVALHO.

Juramento ao escrivão das rações de bordo, Bartholomeu Vieira.

Em cinco d'Abril de mil seis centos setenta e sete, na Villa da Horta, Ilha do Fayal, nas casas de morada do Governador Jorge Goulart Pimentel, appareceu Bartholomeu Vieira, um dos homens dos casaes contheudos na lista atraz, a quem o dito Governador entregou a lista por menor dos casaes que vão na dita charrua, com as pessoas que cada um dos casaes tem, para que nas costas da dita lista faça os assentos do gasto que cada um dia fizer com a dita genté os quaes

assentos assignará pelo cabo Francisco Alvernaz Pereira para conforme o dispendio ser levado em conta ao capitão e mestre, e para que em tudo obre como é obrigado e Sua Alteza encommenda, the den juramento dos Santos Evangelhos, sob cargo do qual the encarregou que bem e verdadeiramente fizesse a dita despêza, o que assim prometteu fazer e entregar a dita lista com a dita despêza ao Governador dos Estados do Maranhão para por ella tomar conta na forma que é obrigado; de que fiz este termo que assignou com o dito Governador. Pedro Leal d'Oliveira. Tabellião que o escrevi Jorge Goulart Pimentel-Bartholomen Vieira-Manoel Rodrigues.

No mesmo dia acima foi lavrado um termo em que o Capitão do navio confessa ter recebido a bordo duzentas e vinte duas almas, (14) excepto o Capellão, que se obrigou a entregar ao Governador do Maranhão Pedro Cezar de Menezes, ou a quem suas vezes fizesse.

N. B. Em consequencia da erupção que houve proximo da freguezia do Capello em 1672 e dos estragos por ella causados nas propriedades particulares ficaram reduzidos á mizeria um grande numero de habitantes, e por isso o Governo os mandou transportar á sua custa para o Pará, como se ve a pag. 369 d ́este Archico.

(1) Na relação encontram-se 223 almas, excepto o capellão.

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